Início, meio e fim



Ele foi o primeiro garoto que me chamou a atenção, o primeiro colega de classe, o primeiro da escola, o primeiro da Dinamarca, bem de frente pra mim, muito alto, com o maior sorriso do mundo.
Foi no primeiro dia de aula na minha nova escola, eu achei que aquele era o menino mais lindo que eu já tinha visto pessoalmente, não sei se foi o cabelo loiro jogado de lado, a barba por fazer ou as roupas desarrumadas, só sei que gostei, e logo nesse dia descobri que ele não era apenas o menino mais bonito da escola, mas também namorava a melhor bailarina de lá.

Um ano se passou e ele sempre foi muito simpático, muito sorridente, nunca me deixava sozinha na sala e sempre me chamava para fazer os trabalhos de grupo, mesmo eu torcendo para não ter um grupo e ficar atoa durante a aula. O interesse acabou sumindo, ele virou só mais um menino muito doce que sempre me ajudava, mas ainda continuava lindo. Eu comecei a namorar outro menino, a matar aula e a passar todo o tempo com meu novo namorado e acabei perdendo o contato. Até no meu último dia de aula, quando ele veio de mãos dadas com sua namorada, me deu um abraço, me disse "gostei muito de ter te conhecido" e foi embora.

Ele não tinha facebook, nunca anotei seu email e não tínhamos muitos amigos em comum, passei quase três anos sem sequer ouvir o nome dele. Confesso que quase esqueci que um dia já dividimos a mesma mesa do almoço.

Até que veio o convite de um amigo para uma pequena reunião. Eu aceitei, anotei o endereço, fui pro lugar marcado e quando abriram a porta vi um sorriso familiar, mas demorei a perceber o que estava acontecendo. Era ele, era a casa dele inclusive e (como é que pode!) ainda mais bonito. Me deu um abraço apertado, estilo brasileiro, disse que era maravilhoso me ver de novo e que ainda guardava o meu cartão do Rotary em sua carteira, uma loucura, porque nem minha mãe tem mais esse cartão.

Antes de continuar, aqui vai um pouco de informação útil para as meninas: se um dinamarquês te elogia, te abraça ou te da muita atenção e, principalmente, se ele está sendo extremamente charmoso, não quer dizer que ele está afim de você, quer dizer que ele está, muito provavelmente, bêbado. Normalmente os dinamarqueses são, ou muito desengonçados e tímidos, ou muito diretos e toscos quando estão a fim de alguém. Isso tudo explica porque eu não levei nada que o tal garoto da história fez a serio.

A primeira garrafa de vinho se foi e ele disse que eu era muito bonita, a segunda acabou e ele avisou que eu deveria tomar cuidado com os meninos dali, terceira garrafa secou e ele reclamou eu era charmosa demais. Como ainda estava me guiando pela regrinha anteriormente apresentada, eu não estava levando nada a sério e só ria, até que, quando eu estava na cozinha, jogando a quarta garrafa fora, ele apareceu e ficamos completamente sozinhos, pela primeira vez em anos. E exatamente como começou essa história, o seu fim se consumou. Ficou bem na minha frente, olhando lá do alto, com o maior sorriso do mundo.

Mas se o fim desse post é realmente o fim...aaah isso já não posso contar


"Luiza, você se expõe demais no blog e blá blá blá" é o que sempre escuto, mas eu juro que não ligo pra exposição das minhas histórias, me preocupo em proteger as pessoas envolvidas, mas pelamordedeus, to na Dinamarca e vocês não vão conhecer essa galera. Só sei que eu gosto de escrever, gosto de transformar o meu dia-a-dia em história e gosto de dividir com quem gosta de mim, então não se choquem com o quanto me exponho, porque eu não tô nem aí.

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