terça-feira, 17 de março de 2015

O maior tombo da minha vida

Dia 16 – 05/01: Parte 2- Valle de La Muerte



 Marcamos de ir para o Vale às 15:00 e nesse horário lá estávamos nós na agência. Tudo começou a conspirar pra eu desistir daquela ideia. Primeiro de tudo: O lugar chama Vale da Morte! Segundo: teríamos que chegar lá de bicicleta e sem guia, por nossa conta mesmo. Terceiro: levaríamos as pranchas nas costas e elas eram enormes. Quarto: vi umas meninas chegando do passeio todas esfoladas e com cara de poucos amigos. Mesmo com tudo isso, meu espírito de aventureira falou mais alto e lá fomos nós.

O início
Eu, Bruno, Lyncoln e Fafá ficamos responsáveis por levar as pranchas (Ps.: eu e Fafá éramos as menos atletas do grupo). O passeio começou lindo. Era paisagem maravilhosa, o deserto parecia infinito e pedalar na rodovia era bem fácil, mesmo com aquele trambolho no lombo. O problema foi quando entramos na estrada de terra. Tinha muita areia, muita pedra e era subida, de maneira que estava muito pesado pedalar. As rodas atolavam e a prancha me tirava o equilíbrio. Sem contar que o sol estava a pino e nem preciso dizer que estava pelando, afinal, estávamos no meio de um deserto.
Morta com Farofa

Eu comecei a me cansar de verdade. O sol judiava muito e eu sentia minha pele pegando fogo. Tive que parar diversas vezes pra me recompor porque nem todo o protetor solar e água do mundo estavam me ajudando mais. Depois de MUITO custo, chegamos às dunas.

Essa parte foi muito divertida. Tínhamos que subir as dunas andando, o que cansava, mas descer de board era super legal. Nunca tinha feito nada do tipo e foi uma experiência e tanto. Sem contar que do alto das dunas a vista era surreal! Imagina, eu, ali do meio do deserto do Atacama, com duas grandes amigas e três novos amigos, experimentando um esporte novo, com um visual inacreditável e sem a menos preocupação na cabeça. Pra mim, isso que é paraíso!

Ficamos lá umas boas horas curtindo o sandboard e esperando o sol melhorar um pouco. Por volta de 18:30 resolvemos voltar para a cidade. Como a volta era toda descida e o sol estava baixo, meus problemas pareciam ter acabado.

Eu estava super animada descendo pelas pedras quando tive a brilhante ideia de tirar uma foto do momento e fui pegar minha GoPro no bolso. Parece uma péssima ideia, claro, mas eu estava me achando a fodona dos pedais e já tinha feito isso diversas vezes na ida. Acontece que dessa vez era uma descida considerável, minha bike estava bem embicada pra baixo e quando inclinei pra pegar a câmera não deu outra: o peso da prancha foi pra frente, eu passei por cima da bicicleta, me soltei dela e pronto!! Não lembro de mais nada!

Acordei com um berro da Samantha e uma dor imensa por todo lado direito do corpo. Eu tinha caído no chão, e feio, bem em cima de uma pedra. Eu não consegui me virar por causa da prancha e fiquei ali, imóvel de cara na terra até alguém tirou meu board e me virou. Pro meu desespero eu não conseguia falar nada, pior, eu não conseguia respirar. Da minha boca só saíam gemidos e meus pulmões pareciam estar esmagados.

Fiquei ali não sei quanto tempo. Tiraram meu capacete e Fernandinha falou que meu olhar estava vidrado e eu não falava nada com nada. Finalmente voltei a respirar normalmente e voltei a mim. Senti uma dor enorme na costela direita, percebi que minhas pernas e braços estavam sangrando e minha mão direita doía muito.

Meu primeiro impulso foi levantar na mesma hora e voltar pras bicicletas pra chegar logo em casa, mas todo mundo me segurou e logo Fafá chegou berrando em uma caminhonete. Segundo ela, assim que me viu cair, saiu correndo feito uma louca atrás de ajuda e achou um Austríaco super gracinha pra me levar pra cidade.

Já dentro do carro, eu sentia uma dor constante na costela e a cada lombada da estrada era um sofrimento maior. Eu tentava ser simpática com o meu salvador, mas falar inglês enquanto tentava não gritar de dor estava muito difícil. Ele nos deixou na agência e um dos funcionários nos levou até o hospital, ele ainda carregou minha mochila nas costas, um fofo.

O hospital era, na verdade, um postinho de saúde. Eu estava com medo de ter quebrado alguma coisa, minha mão e minha costela não estavam normais. Uma senhora me examinou e disse que não havia quebrado nada, mas que minha costela estava trincada. Disse que não havia nada a ser feito, eu só não podia fazer nada com muito movimento e nem levantar peso. Beleza né, eu tinha uma mochila de 10 quilos pra carregar e 10 dias de viagem pela frente, incompatível com o prognóstico dela.

Uma homenagem que os meninos fizeram ao meu tombinho
Fui pro hostel com uma vontade de vomitar incontrolável e ainda toda suja de terra. Repousei pelo resto do dia pensando se eu ia conseguir chegar no Brasil inteira.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Chile é para os fortes

Dia 15 – 04/01- Rumo ao Chile





Acordamos cedo para viajar para Arica, no Chile, mas claro que não era necessário porque, como sempre, o ônibus demorou mais de uma hora e meia para sair. Foi uma viagem meio tensa, além de muito longa, o ar condicionado não funcionava e colocaram o filme “As Branquelas” na TV. Eu amo esse filme do fundo do meu coração, mas quando colocam na maior altura, em uma caixa de som estourada e dublado em espanhol, perde toda a graça e só serve pra te irritar ainda mais.

Estradas e mais estradas
Tirando isso, tudo corria normalmente, até que o ônibus parou no meio do nada e pediram para todos descerem. Era uma espécie de alfândega, o que era muito estanho porque ainda estávamos bem longe da fronteira. Quando descemos vimos um monte de fotos de frutas cheias de moscas e uma placa gigantesca que dizia “Montegua, a cidade livre de moscas de fruta”. Desciam nossas malas e os oficiais começaram a examinar nossas bagagens e nos perguntaram se tínhamos alguma fruta conosco, bizarro! Gostaria de explicar o que era aquilo, mas até agora não sabemos o motivo daquela obsessão.

Chegamos em Tacna, ainda no Peru, onde pegamos um Taxi que cruzaria a fronteira para o Chile. É o jeito mais comum de se fazer a travessia e os taxistas estão super acostumados com o processo todo e foi tudo muito tranquilo. Quando chegamos na aduana do Chile, o cão farejador ficou atrás da Samantha. O oficial logo veio ver o que acontecia e perguntou se estávamos levando alguma fruta (de novo essa história). Sá disse que não, que na verdade levava folhas de coca. Ele disse tranquilamente “Folha de coca tudo bem, mas fruta vocês não podem levar”. Ok né?

Chegamos em Arica super animadas, achando que dava pra pegar uma prainha porque ainda eram três da tarde, mas imaginem nossa decepção quando lembramos que o fuso horário era 2 horas à frente do Peru e já estava quase no fim do dia. Não dos deixamos abater, guardamos as mochilas na rodoviária e fomos pra praia. Comemos crepes com os pés na areia vendo o pôr do sol.
Praia de Arica

Às 23:00 pegamos o ônibus em direção a Callama. Ônibus mais ou menos e, claro, minha poltrona estava quebrada.

Dia 16 – 05/01: Parte 1- Conhecendo San Pedro de Atacama

Chegamos em Callama junto com o sol e o ônibus no largou, literalmente, no meio da rua. Por sorte um senhor nos ofereceu uma carona por um preço camarada até a rodoviária da cidade.

Eu estava passando muito mal por conta da falta de comida de verdade do dia anterior. Nossos dias de viagem eram sempre sustentados à água e Pringles e depois de um certo ponto não há estômago que aguente. Pelo menos não demorou muito pro ônibus para San Pedro de Atacama sair.

A viagem para San Pedro demorava apenas duas horas, mas o ônibus era tão confortável que eu bem que aceitaria umas 5 horinhas a mais pra dormir.

Chegando lá tomamos um sustinho com o lugar. Ela uma vilinha no meio do deserto com casas de barro e estrada de terra batida. Até a rodoviária era de terra. Fafá achou um camarada com uma caminhonete que nos levou até o hostel. Chegando no hostel encontramos com Lyncoln e Bruno, os meninos de Arequipa, que coincidentemente reservaram o mesmo lugar que a gente.

Quando fomos deixar as mochilas no quarto vimos que tinha um gringo deitado na cama que ficou muito sem graça quando chegamos. Não entendemos bem o porquê. Resolvemos, então, tomar banho e etc. O gringo não saia da cama de jeito nenhum, mesmo com a moça do hostel gritando que ele tinha apenas alguns minutos para o check out. Eu achei tudo muito estranho, mas fui dar uma volta pelo lugar. Quando voltei pro quarto as meninas me contaram “ele não queria sair porque estava completamente pelado”. Gente! Sem noção!

San Pedro de Atacama
Eu, Sá e Fafá fomos comer e tivemos uma ingrata surpresa ao descobrir que tudo naquela cidade era ridiculamente caro. Acabamos por comer um cachorro quente com abacate. A ideia parece meio nojenta, mas ele é MUITO bom. É chamado de “completo” e é muito comum no Chile. Foi a primeira refeição do dia, e já passava de uma hora da tarde.


Depois do almoço encontramos com Fernandinha e os meninos que estavam todos animados. Eles nos contaram que conseguiram um passeio para andar de board nas dunas do Valle de La Muerte por um preço bem camarada. Apesar de ter passado o dia anterior inteiro na estrada, a noite sem dormir e aquele dia sem comer direito, topamos a aventura achando que ia ser tranquilo. Ai, se eu soubesse...

quinta-feira, 5 de março de 2015

Últimos dias no Peru


Dia 12-01/01: Programação do dia: sobreviver


Esse dia tínhamos reservado pra não fazer nada da vida, apenas nos recuperar. Foi um dia cheio de pequenos passeios, comida e um ou outro mal estar pelo caminho.

Compramos o resto das lembrancinhas e eu comi o famoso porquinho da índia peruano que há tempos queria provar. Foi muito caro, mas valeu a pena! Uma delícia.

De noite até pensamos em sair, mas cada uma estava com as suas complicações pessoais e o melhor a fazer era dormir.

Dia 13- 02/01: Vale Sagrado

Fechamos o passeio do Vale Sagrado junto com os brasileiros do nosso hostel e logo de manhã partimos. O Vale Sagrado é chamado assim devido à grande quantidade de diferentes tipos de milho que ali era plantado, o que era muito valorizado antigamente e hoje o milho é muito importante para o Peru.

O passeio começa em Pisaq, uma cidadezinha com ruínas incas, mas nada muito diferente do que estávamos vendo há dias e o passeio foi bem rápido porque estávamos atrasados. Eu recomendo fazer esse passeio antes de Machu Picchu pra não perder a graça. Depois fomos a uma loja de prataria onde aprendemos como diferenciar a prata real da imitação, muito útil nas lojinhas peruanas. Eu comprei um anel lindo com a pedra de Machu Picchu e paguei R$ 40,00, barato pra ser prata e pedra.

A próxima parada era o almoço. Nós fechamos o pacote com almoço e isso nos custou R$ 30,00 a mais. Aceitamos pagar porque segundo a mulher da agência não se come por menos que isso no Vale e estávamos comprando um buffet incrível. Se o buffet era incrível mesmo não dá pra saber porque chegamos tão tarde que quase não tinha mais nada. Mesmo assim eu consegui comer pra caramba e quase passar mal, cada um com seus talentos né. Mas a dica é não cair nessa, os meninos que estavam com a gente não fecharam nada e pagaram uns 9 reais numa refeição também meia boca.

Ollantaytambo era o próximo local a ser visitado. O lugar é lindo e bem no meio do Vale, de maneira que surgia um corredor de vento super forte e gelado. As ruínas dos incas, sempre incríveis, completavam a vista linda do lugar.

E esse vento?
Mas nesse dia havia um grande problema. Compramos um ônibus para Arequipa às 21:30 e se não chegássemos a tempo a gente ia perder dinheiro e ter que achar um lugar pra dormir, já que a reserva do Pirwa tinha acabado e as nossas mochilas estavam na agência, que inclusive fechava 20:30. Para nossa alegria o passeio terminou às 17:30 e como até Cusco seriam apenas 2 horas, teríamos tempo de sobra pra chegar na rodoviária. Mas, como já disse aqui antes, duas horas de antecedência não são suficientes pros lados de lá.

Pro nosso desespero geral o guia foi ao microfone e disse que estávamos indo a mais uma ruína, Chinchero. Perguntamos pra ele que horas chegaríamos em Cusco e ele respondeu tranquilamente: “Duas horas até Chinchero, depois uma hora de visita e mais 40 minutos até Cusco… 21:40 ok?” Não, não estava ok. Pânico!! Ficamos falando na cabeça dele que tinham nos falado que 18:30 estaríamos em Cusco e que ele tinha que dar um jeito de fazer isso funcionar. Pra nossa sorte ele era um amor e saiu correndo com a gente pela estrada imediatamente. Começamos a correr pela cidade escura até chegar na rodovia. Ele parou o primeiro ônibus que passou, perguntou se ia para Cusco, quando o motorista disse que sim, nos enfiou lá dentro. Graças a ele pegamos as mochilas e chegamos a tempo para o ônibus.

Despedida dos novos amigos
Entrei no ônibus sem nem acreditar no nosso azar e sorte, tudo ao mesmo tempo. Respirei fundo e um rapazinho que carregava um apanhador de sonhos gigante começou a conversar comigo. Ele era chileno e estava muito interessado na minha história, eu já não estava muito a fim de conversa e não rendi muito papo. Sá ficou incomodadíssima com ele que não parava de me olhar e alguns minutos depois ele me entregou um pequeno pássaro de dobradura que acabara de fazer. Achei fofo, guardei o pássaro e fui dormir tranquila, enquanto ele me olhava bizarramente.

Dia 14- 03/01: A última cidade do Peru

Walking city tour
Chegamos em Arequipa pela manhã meio moídas da noite do ônibus. Meu pequeno admirador não deu mais trabalho e acabamos encontrando dois brasileiros que estavam na mesma van do terror que a gente em Machu Picchu e eram do interior de São Paulo. Fomos para o nosso hostel e como eles não iriam dormir na cidade, deixaram as mochilas com a gente.

Resolvemos passear e encontramos um city tour de graça e a pé. Nossa guia era uma fofa e a cidade uma gracinha. Pra falar a verdade quase não vi influência inca no lugar, Arequipa parece ter sido mais influenciada pelos espanhóis do que pela própria cultura peruana. É uma cidade tranquila e bem organizada. É também MUITO quente, tanto que foi a primeira vez que usamos shorts e sapatilhas na viagem.

O tour passa por igrejas, pontes, uma fabrica de tecido com pelo de alpaca/lhama e outros pontos da cidade. A melhor parte foi a parada final, quando entramos em um restaurante e provamos algumas bebidinhas peruanas.

Depois fomos passear sozinhos, mas nada foi muito promissor. Primeiro fomos ao mercado municipal. Eu amo mercados, por mim eu passaria horas ali só olhando as coisas bizarras que eram vendidas, mas acho que o resto do grupo não curtiu muito o lugar. Durante o  curto passeio, Bruno, um dos meninos que estavam com a gente, pegou uma garrafa pet cheia de lagartinhos e começou a olhar bem de perto, os lagartinhos estavam paralisados e pareciam pra decoração, mas de repente o bichinho deu um pulo e nós tomamos o maior susto. A dona da loja não curtiu muito a cena, e, pela cara dela e pelos fetos de lhama empalhados que ela vendia, não devia ser a vendinha mais amigável do lugar. Partimos logo em seguida.
O "mirante"

Por fim decidimos ir ao mirante do lugar, não achei grandes coisas, estava meio nublado e a vista não foi das melhores, o melhor a fazer era mesmo sentar e beber uma cervejinha.

Sentamos em um bar e provamos a cerveja da cidade e o pisco sour que é uma bebida típica dos lados de lá. Foi bacana conhecer melhor os meninos e rir muito das histórias de cada um tinha pra contar dessa aventura maluca. Eles logo partiram e nós voltamos para o hostel para dormir.

O dia seguinte seria a travessia para o Chile e sabíamos que ia ser bem puxado, mas mal sabia eu que depois da travessia é que o meu maior perrengue me esperava.