quinta-feira, 28 de julho de 2016

Três dias em Chiang Mai - Thailândia



Chiang Mai foi, pra mim, o melhor da Tailândia. A cidade tem tudo que a Tailândia pode oferecer, culturalmente falando, mas de um jeito bem mais simples, mais barato, menos abarrotado de turistas e mais calmo, além de umas coisinhas que só o norte da Tailândia tem.

Não bastasse isso, chegamos de Xangai e Hong Kong, duas cidades que estavam MUITO frias e MUITO chuvosas, e eram super caras, então chegar em um lugar que eu podia usar apenas saias e chinelos e comer um mega prato de pad thai por 6 reais, fez a sensação de chegar em Chiang Mai ser a mesma de chegar num paraíso.

Ficamos num hostel que eu sinceramente não recomento, o Nature's Hostel. Não recomendo por ser bem precário e mal cuidado, com chuveiros que não funcionam e portas que não fecham, mas considerando que pagamos apenas 15 reais a noite e que os funcionários eram os mais atenciosos e prestativos que já conheci, não me arrependo da experiência.

Chegamos na cidade bem tarde e foi o tempo de colocarmos nossas saias e ir jantar. Além das cervejinhas maravilhosas, comemos o famoso pad thai e curtimos uma música ao vivo. Em Chiang Mai há diversos bares e pubs com música boa, mas que só ficam abertos até meia noite.

Discutindo sobre os passeios que gostaríamos de fazer, de cara percebemos que 3 dias em Chiang Mai era muito pouco, a cidade precisa de uns 4 dias para ser aproveitada, mas íamos fazer dar certo mesmo assim.

Dia 1:

O thai fofinho do hostel contratou um taxi que ficaria por nossa conta o dia todo. Ele cobrou 110 reais ao todo, o que foi dividido por nós três, mas que pode ser dividido por mais já que os carros lá são adaptados para levar várias pessoas.

Saímos bem cedo e começamos nosso dia indo na tribo das mulheres girafa, que eu já falei sobre no post anterior. Caso esteja pensando ir, sugiro ler o que escrevi aqui, além depesquisar muito. É um passeio muito interessante, mas bem controverso. Se decidir que vale a pena, a entrada custa por volta de 50 reais.

A traseira do táxi
Depois nosso taxista nos levou ao Tiger Kingdom. Esse é outro passeio bem controverso, mas que nesse caso eu não recomendo. Veja bem, não acho que os animais sejam dopados no Tiger Kingdom, acho que são bem tratados de verdade e pelo que me contaram lá, todos já nasceram no cárcere, ou seja, não foram capturados, nem nada do tipo. Mas não deixa de ser anti natural manter esse bichos gigantes aprisionados, simplesmente para o prazer do turista, por isso não acho legal dar corda pra esse tipo de turismo que explora, mas vai da consciência de cada um.

Segundo os cuidadores, eles domem
durante o dia e são ativos de noite
Mas sim, eu fui. Fui por curiosidade na época, mas não iria se tivesse a mentalidade que tenho hoje sobre o assunto.

Chegando lá podemos optar pelo tamanho do tigre que queremos ver. Baby, small, medium ou big cats. Os babies e os grandes são os mais procurados e consequentemente mais caros, por volta de 100 reais cada, os pequenos eu não sei quanto custam, mas é um pouco mais barato, e os médios são os mais baratos, custam 50 reais. Como eu não estava fazendo muita questão de nada, peguei os médios, mas que na verdade eram bem grandinhos. É legal, você pode tirar fotos e passar a mão nos tigres, da medinho e é bem emocionante, mas eu fiquei com uma sensação estranha o tempo todo. Como eu disse, vai de cada um, né?

O terceiro passeio foi o Doi Suthep, o templo mais famoso de Chiang Mai com a sua pagoda gigante e dourada. Coisa mais linda e imperdível! Para chegar ao templo precisamos subir uma mega escadaria, também linda, e pagar uma entrada no valor de 30 reais. Depois disso, tire seus sapatos e aproveite tudo, as imagens, os odores, os sons, a energia. É uma experiencia e tanto.


Mesmo depois de tantos passeios, ainda eram 13 horas da tarde e pedimos para o taxista nos deixar no centro da cidade. Almoçamos, mais uma vez maravilhadas com os preços de Chiang Mai, passeamos por alguns templos (existem dezenas espalhados por toda parte) e fomos experimentar a famosa Thai Massage em um lugar bem especial.
Era um centro que emprega apenas detentas em regime aberto ou ex detentas, garantindo uma vida digna para essas mulheres que provavelmente teriam poucas oportunidades por ai. A maravilhosa massagem custou apenas 20 reais para uma hora, com direito a lavagem de pés e chazinho no final. Amei tudo e recomendo sempre.

Depois fomos caminhar pela cidade e passamos pelo maior mercado de comidas da cidade, mas sem coragem de comer nada, tendo em vista o trauma que tivemos na China. Depois fomos andando em direção ao famoso night market, mas erramos o mapa e acabamos passeando por um mercado qualquer sem saber, só descobrimos no último dia, quando era tarde demais.

Dia 2:

Contratamos um passeio de van de um dia todo, com almoço e guia, para cidade de Chiang Rai. Reservamos pelo nosso hostel e pagamos 110 reais por pessoa.

A rota foi: Outra tribo de mulheres girafa, um pequeno parque de águas termais, o famoso Templo Branco, um templo que eu não lembro qualéquie e o Golden Triangle.

Não achei que valeu a pena pelo preço e tempo gasto. Não fomos na tribo porque era paga a parte e era menor do que a que nós já tínhamos ido. O parque das águas termais era bem pequeno e não tinha muita coisa além de uns turistas cozinhando uns ovos nas águas naturalmente quentes. O outro templo era bem bonito, mas nada mais espetacular do que os que existem em Chiang Mai.

Entrando no Templo Branco
Já o Golden Triangle é até legal, mas também tinha que pagar à parte e achamos meio caro pela proposta. Trata-se de um passeio de barco em uma pequena ilha na divisa entre Miammar, Laos e Tailândia. Acho que você chega a descer no Laos, mas nada demais. O interessante disso tudo é que a pequena porção de terra não está sob o comando de qualquer um dos países, sendo uma zona neutra e de muito contrabando. Mas do lugar que ficamos esperando o grupo fazer o passeio dava pra ver a ilha e achamos mais legal passear pela região e nos entupir das gostosas e baratas frutas do lugar.

Agora o Wat Rong Khun, o famoso Templo Branco, esse sim vale MUITO a pena. É um templo moderno, que ainda está em construção, e pertence a um artista local chamado Chalermchai Kositpipat. Vendo de longe é um templo imponente e imaculadamente branco, lindíssimo, mas ao nos aproximarmos podemos ver todo o simbolismo da obra que representa a jornada ao paraíso. Desde às mãos de pedra que surgem do chão na entrada, até às pinturas super modernas no interior do templo, tudo tem um significado.

A dica aqui é não deixar de ir no Templo branco, mas fechar um pacote mais direcionado à atração, já que o nosso foi cheio de horas de van e pequenos passeios dispensáveis.

Dia 3:

O terceiro dia era o mais esperado por mim em toda a viagem, passaríamos o dia no Elephant Retirement Park.

Calma, sem atirar pedras ainda! Sei que escrevi ser contra a exploração animal para o turismo, mas nesse caso é o turismo que mantêm os animais vivos. Explico: Eu AMO elefantes, acho que é o bicho mais maravilhoso do mundo, e quando vi a quantidade de atrações na Tailândia que exploram esses seres lindos fiquei muito desanimada. Ver turistas montados em elefantes, elefantes que pintam quadros, jogam bola, fazem truques e tudo de anti natural, só pela diversão dos estrangeiros, me deixou muito decepcionada. Acontece que, lendo o guia do Lonely Planet, vi a recomendação para um lugar que resgata esses elefantes e os recupera, dando-lhes uma vida mais digna. A partir daí descobri vários locais que faziam o mesmo e usavam do dinheiro do turismo para proteger esse animais.

Vai um banho de lama aí?
Foi assim que encontramos o Elephant Retirement Park, uma pequena vila, com poucos elefantes resgatados, mas que vivem livres e bem cuidados. O passeio que fechamos custava 150 reais e durava meio dia. Tem a opção de um dia inteiro, mas nós iríamos pegar um trem para Bangcoc no fim da tarde e não daria tempo, mas parece que não muda muita coisa para o passeio de um dia inteiro.

O passeio inclui transporte, água, toalhas, roupas extras, chá e frutas. Passamos uma manhã deliciosa, em um lugar maravilhoso, com pessoas incríveis de vários países, dando comida aos animais, banho de lama, nadando no lago, dando remédio e aprendendo a respeitar ainda mais aqueles seres incríveis.

Depois de um dia cheio, e com o coração mais cheio ainda, pegamos o trem pra Bangcoc, mas com uma vontade quase incontrolável de ficar.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Baan Tong Luang: A Tribo das Mulheres Girafa

Pesquisando sobre a Tailândia me deparei com a tribo Baan Tong Luang, mais conhecida como a tribo das mulheres girafa, aquelas que usam argolas douradas em volta do pescoço para alongá-lo.

Sempre alimentei um fascínio e curiosidade por essas mulheres, mas lendo relatos sobre o assunto não consegui me decidir se bom visitá-las quando estivéssemos por lá.

Essa tribo é original do Miammar, mas, devido a perseguição sofrida em seu país, essas mulheres foram obrigadas a se refugiar na Tailândia. Até aí me parecia que visita-las seria, sim, uma boa ideia. Imaginava uma tribo vivendo em paz, como em sua terra natal, preservando seus costumes, sem perseguição e por vontade própria. Acontece que a maneira em que são tratadas pelo governo Tailandês não é muito clara.

Na realidade elas vivem em uma espécie de vila, perto da cidade de Chiang Mai, criada pelo Estado para abriga-las. Alguns dizem que elas são impedidas de trabalhar e que são obrigadas a permanecer nos locais designados para as visitações, sem qualquer liberdade. Já outras pessoas dizem que elas vivem felizes e protegidas, que apenas usam do turismo para venderem seus artesanatos. Há também os que acreditam que elas não são obrigadas a nada, mas que também não tem outra perspectiva além de permanecer na realidade em que estão.

Confesso que até hoje não sei se vale a pena ou não fazer esse passeio, mas o que venceu foi a minha curiosidade e a vontade de ver com meus próprios olhos a realidade dessas mulheres.



Na verdade o passeio conta com várias tribos. Você caminha livremente por um campo com diversas casas que abriga as mais diferentes tribos, cada uma com seus próprios produtos, vestimentas e enfeites. Trata-se de um pequeno vilarejo, com escolas, plantações  e etc.

O lugar é assustadoramente calmo e nós nos sentimos muito desconfortáveis com a situação. A impressão era que estávamos invadindo a vida daquelas pessoas para observa-las. Elas, por sua vez, apenas nos observavam passar, todas vendiam vários produtos, mas não falavam nada.

Tudo melhorou um pouco quando nosso taxista chegou e começou a conversar com as tribos. Elas pareciam mais confortáveis na presença dele e conversaram com a gente também. Só nesse momento, e com a anuência de todas elas, que arrisquei tirar algumas fotos, mas mesmo assim aquilo me parecia estranho.


A última tribo era a tão esperada Baan Tong Luang. De longe vi algumas menininhas com as argolas douradas e meu coração deu um salto. Como eram lindas! Indescritível a beleza desse povo! Conversei um pouco com uma senhora que parecia a mais velha da tribo e ela contou que aos 5 anos de idade elas recebem as primeiras argolas e que a cada ano um anel é adicionado até que a mulher se case. Ela me mostrou uma foto dela sem as argolas e explicou que na verdade seus ombros foram empurrados para baixo, o pescoço permanecia do mesmo tamanho. Ela quis colocar algumas argolas no meu pescoço e pude sentir o grande peso daquilo.

Mais adiante algumas crianças vieram conversar, muito brincalhonas e animadas, como qualquer criança do mundo. No meio das brincadeiras nos contaram que aquilo em seu pescoço era muito pesado, mas que não precisávamos de nos preocupar porque não enforcava. Muito inteligentes, com apenas 10 anos de idade, falavam inglês e arriscavam algumas palavras em espanhol.

Saímos de lá sem saber o que estávamos sentindo, e se me perguntarem até hoje não sei dizer o que penso daquilo tudo. A impressão que deu é que elas estão seguras, que são felizes, mas eu sinceramente não sei até que ponto. Será que elas tem alguma alternativa fora dali? Será que elas mantêm essa prática tão agressiva como deformar o próprio corpo por amor à sua tradição/história ou apenas para alimentar o turismo? Será que ao ir visitá-las estou incentivando sua exploração, ou proporcionando seu único meio de sobrevivência? Muitas perguntas que eu achei que seriam respondidas, mas que na verdade só aumentaram.

Não escrevo isso para recomendar a visita, mas para propor uma reflexão e quem sabe impulsionar uma pesquisa mais profunda do assunto, já que pouco se sabe sobre a vida dessas mulheres. 

Saí com o coração pesado, e de todas as dúvidas, só permaneceu uma única certeza: o ser humano é maravilhoso em qualquer parte do mundo e todos merecem respeito.