segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Roteiro Final - Bolívia, Peru e Chile - 26 dias



Para variar um pouco, não terminei o relato do mochilão da America do Sul, mas isso já nem é novidade por aqui. Acontece que agora estou a 5 dias da próxima viagem e ainda não cumpri a promessa de passar o roteiro completo pra vocês, por isso, aqui está!! Bem resumido e sem erro. Agora só falta você fazer a sua mochila e partir!

21/12 - BH/SP/Assunção 

22/12 - Assunção/Santa Cruz/La Paz
23/12 - La Paz
24/12 - La Paz
25/12 - La Paz/Copacabana
26/12 - Copacabana/Isla del Sol/Copacabana
27/12 - Copacabana/Puno/Cusco
28/12 - Cusco
29/12 - Cusco/Águas Calientes
30/12 - Águas Calientes/Machu Picchu/Cusco
31/12 - Cusco
01/01 - Cusco
02/01 - Cusco/Valle Sagrado
Ônibus noturno Cusco/Arequipa
03/01 - Arequipa
04/01 - Arequipa/Tacna/Arica
Ônibus noturno Arica/Callama
05/01 - Callama/San Pedro de Atacama
06/01 - San Pedro de Atacama
07/01 - San Pedro de Atacama
08/01 - San Pedro de Atacama
09/01 - Tour do Salar de Uyuni
10/01 - Tour do Salar de Uyuni
11/01 - Tour do Salar de Uyuni/Uyuni/Sucre
12/01 - Sucre
13/01 - Sucre/Santa Cruz
14/01 - Santa Cruz
16/01 - Santa Cruz/Assunção/SP/BH

Já de cara aconselho ficar mais um dia em La Paz e um a menos em Cusco.
Aconselho também a fazer a viagem do Valle Sagrado no Peru antes de Macchu Picchu, depois perde um pouco a graça.
Outra coisa que eu faria diferente é o trajeto Copacabana/Cusco, fizemos de manhã, foi mega cansativo e perdemos um dia inteiro, sem contar que de noite sempre rola de economizar uma diária né? 
O final ficou meio bagunçado, mas a gente foi viajando de acordo com a vontade, e por mim, foi ótimo

A beleza desse tipo de viagem é exatamente isso, nunca vai ser perfeito, mas com certeza vai ser uma experiência sem igual.

Quanto aos gastos 
Eu não sou nada organizada, mas o que posso garantir é que levei exatos 2.000 dólares pra absolutamente TUDO, hostel, passagens internas, alimentação, passeios e sobrou 500 dólares. Deixando claro que pegamos hostels medianos, nem os mais caros nem mais baratinhos, não passamos fome e fizemos absolutamente TUDO que queríamos. Além disso, os únicos gastos fixos que tivemos foi passagem e seguro saúde e isso depende da pesquisa de cada um.



terça-feira, 17 de março de 2015

O maior tombo da minha vida

Dia 16 – 05/01: Parte 2- Valle de La Muerte



 Marcamos de ir para o Vale às 15:00 e nesse horário lá estávamos nós na agência. Tudo começou a conspirar pra eu desistir daquela ideia. Primeiro de tudo: O lugar chama Vale da Morte! Segundo: teríamos que chegar lá de bicicleta e sem guia, por nossa conta mesmo. Terceiro: levaríamos as pranchas nas costas e elas eram enormes. Quarto: vi umas meninas chegando do passeio todas esfoladas e com cara de poucos amigos. Mesmo com tudo isso, meu espírito de aventureira falou mais alto e lá fomos nós.

O início
Eu, Bruno, Lyncoln e Fafá ficamos responsáveis por levar as pranchas (Ps.: eu e Fafá éramos as menos atletas do grupo). O passeio começou lindo. Era paisagem maravilhosa, o deserto parecia infinito e pedalar na rodovia era bem fácil, mesmo com aquele trambolho no lombo. O problema foi quando entramos na estrada de terra. Tinha muita areia, muita pedra e era subida, de maneira que estava muito pesado pedalar. As rodas atolavam e a prancha me tirava o equilíbrio. Sem contar que o sol estava a pino e nem preciso dizer que estava pelando, afinal, estávamos no meio de um deserto.
Morta com Farofa

Eu comecei a me cansar de verdade. O sol judiava muito e eu sentia minha pele pegando fogo. Tive que parar diversas vezes pra me recompor porque nem todo o protetor solar e água do mundo estavam me ajudando mais. Depois de MUITO custo, chegamos às dunas.

Essa parte foi muito divertida. Tínhamos que subir as dunas andando, o que cansava, mas descer de board era super legal. Nunca tinha feito nada do tipo e foi uma experiência e tanto. Sem contar que do alto das dunas a vista era surreal! Imagina, eu, ali do meio do deserto do Atacama, com duas grandes amigas e três novos amigos, experimentando um esporte novo, com um visual inacreditável e sem a menos preocupação na cabeça. Pra mim, isso que é paraíso!

Ficamos lá umas boas horas curtindo o sandboard e esperando o sol melhorar um pouco. Por volta de 18:30 resolvemos voltar para a cidade. Como a volta era toda descida e o sol estava baixo, meus problemas pareciam ter acabado.

Eu estava super animada descendo pelas pedras quando tive a brilhante ideia de tirar uma foto do momento e fui pegar minha GoPro no bolso. Parece uma péssima ideia, claro, mas eu estava me achando a fodona dos pedais e já tinha feito isso diversas vezes na ida. Acontece que dessa vez era uma descida considerável, minha bike estava bem embicada pra baixo e quando inclinei pra pegar a câmera não deu outra: o peso da prancha foi pra frente, eu passei por cima da bicicleta, me soltei dela e pronto!! Não lembro de mais nada!

Acordei com um berro da Samantha e uma dor imensa por todo lado direito do corpo. Eu tinha caído no chão, e feio, bem em cima de uma pedra. Eu não consegui me virar por causa da prancha e fiquei ali, imóvel de cara na terra até alguém tirou meu board e me virou. Pro meu desespero eu não conseguia falar nada, pior, eu não conseguia respirar. Da minha boca só saíam gemidos e meus pulmões pareciam estar esmagados.

Fiquei ali não sei quanto tempo. Tiraram meu capacete e Fernandinha falou que meu olhar estava vidrado e eu não falava nada com nada. Finalmente voltei a respirar normalmente e voltei a mim. Senti uma dor enorme na costela direita, percebi que minhas pernas e braços estavam sangrando e minha mão direita doía muito.

Meu primeiro impulso foi levantar na mesma hora e voltar pras bicicletas pra chegar logo em casa, mas todo mundo me segurou e logo Fafá chegou berrando em uma caminhonete. Segundo ela, assim que me viu cair, saiu correndo feito uma louca atrás de ajuda e achou um Austríaco super gracinha pra me levar pra cidade.

Já dentro do carro, eu sentia uma dor constante na costela e a cada lombada da estrada era um sofrimento maior. Eu tentava ser simpática com o meu salvador, mas falar inglês enquanto tentava não gritar de dor estava muito difícil. Ele nos deixou na agência e um dos funcionários nos levou até o hospital, ele ainda carregou minha mochila nas costas, um fofo.

O hospital era, na verdade, um postinho de saúde. Eu estava com medo de ter quebrado alguma coisa, minha mão e minha costela não estavam normais. Uma senhora me examinou e disse que não havia quebrado nada, mas que minha costela estava trincada. Disse que não havia nada a ser feito, eu só não podia fazer nada com muito movimento e nem levantar peso. Beleza né, eu tinha uma mochila de 10 quilos pra carregar e 10 dias de viagem pela frente, incompatível com o prognóstico dela.

Uma homenagem que os meninos fizeram ao meu tombinho
Fui pro hostel com uma vontade de vomitar incontrolável e ainda toda suja de terra. Repousei pelo resto do dia pensando se eu ia conseguir chegar no Brasil inteira.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Chile é para os fortes

Dia 15 – 04/01- Rumo ao Chile





Acordamos cedo para viajar para Arica, no Chile, mas claro que não era necessário porque, como sempre, o ônibus demorou mais de uma hora e meia para sair. Foi uma viagem meio tensa, além de muito longa, o ar condicionado não funcionava e colocaram o filme “As Branquelas” na TV. Eu amo esse filme do fundo do meu coração, mas quando colocam na maior altura, em uma caixa de som estourada e dublado em espanhol, perde toda a graça e só serve pra te irritar ainda mais.

Estradas e mais estradas
Tirando isso, tudo corria normalmente, até que o ônibus parou no meio do nada e pediram para todos descerem. Era uma espécie de alfândega, o que era muito estanho porque ainda estávamos bem longe da fronteira. Quando descemos vimos um monte de fotos de frutas cheias de moscas e uma placa gigantesca que dizia “Montegua, a cidade livre de moscas de fruta”. Desciam nossas malas e os oficiais começaram a examinar nossas bagagens e nos perguntaram se tínhamos alguma fruta conosco, bizarro! Gostaria de explicar o que era aquilo, mas até agora não sabemos o motivo daquela obsessão.

Chegamos em Tacna, ainda no Peru, onde pegamos um Taxi que cruzaria a fronteira para o Chile. É o jeito mais comum de se fazer a travessia e os taxistas estão super acostumados com o processo todo e foi tudo muito tranquilo. Quando chegamos na aduana do Chile, o cão farejador ficou atrás da Samantha. O oficial logo veio ver o que acontecia e perguntou se estávamos levando alguma fruta (de novo essa história). Sá disse que não, que na verdade levava folhas de coca. Ele disse tranquilamente “Folha de coca tudo bem, mas fruta vocês não podem levar”. Ok né?

Chegamos em Arica super animadas, achando que dava pra pegar uma prainha porque ainda eram três da tarde, mas imaginem nossa decepção quando lembramos que o fuso horário era 2 horas à frente do Peru e já estava quase no fim do dia. Não dos deixamos abater, guardamos as mochilas na rodoviária e fomos pra praia. Comemos crepes com os pés na areia vendo o pôr do sol.
Praia de Arica

Às 23:00 pegamos o ônibus em direção a Callama. Ônibus mais ou menos e, claro, minha poltrona estava quebrada.

Dia 16 – 05/01: Parte 1- Conhecendo San Pedro de Atacama

Chegamos em Callama junto com o sol e o ônibus no largou, literalmente, no meio da rua. Por sorte um senhor nos ofereceu uma carona por um preço camarada até a rodoviária da cidade.

Eu estava passando muito mal por conta da falta de comida de verdade do dia anterior. Nossos dias de viagem eram sempre sustentados à água e Pringles e depois de um certo ponto não há estômago que aguente. Pelo menos não demorou muito pro ônibus para San Pedro de Atacama sair.

A viagem para San Pedro demorava apenas duas horas, mas o ônibus era tão confortável que eu bem que aceitaria umas 5 horinhas a mais pra dormir.

Chegando lá tomamos um sustinho com o lugar. Ela uma vilinha no meio do deserto com casas de barro e estrada de terra batida. Até a rodoviária era de terra. Fafá achou um camarada com uma caminhonete que nos levou até o hostel. Chegando no hostel encontramos com Lyncoln e Bruno, os meninos de Arequipa, que coincidentemente reservaram o mesmo lugar que a gente.

Quando fomos deixar as mochilas no quarto vimos que tinha um gringo deitado na cama que ficou muito sem graça quando chegamos. Não entendemos bem o porquê. Resolvemos, então, tomar banho e etc. O gringo não saia da cama de jeito nenhum, mesmo com a moça do hostel gritando que ele tinha apenas alguns minutos para o check out. Eu achei tudo muito estranho, mas fui dar uma volta pelo lugar. Quando voltei pro quarto as meninas me contaram “ele não queria sair porque estava completamente pelado”. Gente! Sem noção!

San Pedro de Atacama
Eu, Sá e Fafá fomos comer e tivemos uma ingrata surpresa ao descobrir que tudo naquela cidade era ridiculamente caro. Acabamos por comer um cachorro quente com abacate. A ideia parece meio nojenta, mas ele é MUITO bom. É chamado de “completo” e é muito comum no Chile. Foi a primeira refeição do dia, e já passava de uma hora da tarde.


Depois do almoço encontramos com Fernandinha e os meninos que estavam todos animados. Eles nos contaram que conseguiram um passeio para andar de board nas dunas do Valle de La Muerte por um preço bem camarada. Apesar de ter passado o dia anterior inteiro na estrada, a noite sem dormir e aquele dia sem comer direito, topamos a aventura achando que ia ser tranquilo. Ai, se eu soubesse...

quinta-feira, 5 de março de 2015

Últimos dias no Peru


Dia 12-01/01: Programação do dia: sobreviver


Esse dia tínhamos reservado pra não fazer nada da vida, apenas nos recuperar. Foi um dia cheio de pequenos passeios, comida e um ou outro mal estar pelo caminho.

Compramos o resto das lembrancinhas e eu comi o famoso porquinho da índia peruano que há tempos queria provar. Foi muito caro, mas valeu a pena! Uma delícia.

De noite até pensamos em sair, mas cada uma estava com as suas complicações pessoais e o melhor a fazer era dormir.

Dia 13- 02/01: Vale Sagrado

Fechamos o passeio do Vale Sagrado junto com os brasileiros do nosso hostel e logo de manhã partimos. O Vale Sagrado é chamado assim devido à grande quantidade de diferentes tipos de milho que ali era plantado, o que era muito valorizado antigamente e hoje o milho é muito importante para o Peru.

O passeio começa em Pisaq, uma cidadezinha com ruínas incas, mas nada muito diferente do que estávamos vendo há dias e o passeio foi bem rápido porque estávamos atrasados. Eu recomendo fazer esse passeio antes de Machu Picchu pra não perder a graça. Depois fomos a uma loja de prataria onde aprendemos como diferenciar a prata real da imitação, muito útil nas lojinhas peruanas. Eu comprei um anel lindo com a pedra de Machu Picchu e paguei R$ 40,00, barato pra ser prata e pedra.

A próxima parada era o almoço. Nós fechamos o pacote com almoço e isso nos custou R$ 30,00 a mais. Aceitamos pagar porque segundo a mulher da agência não se come por menos que isso no Vale e estávamos comprando um buffet incrível. Se o buffet era incrível mesmo não dá pra saber porque chegamos tão tarde que quase não tinha mais nada. Mesmo assim eu consegui comer pra caramba e quase passar mal, cada um com seus talentos né. Mas a dica é não cair nessa, os meninos que estavam com a gente não fecharam nada e pagaram uns 9 reais numa refeição também meia boca.

Ollantaytambo era o próximo local a ser visitado. O lugar é lindo e bem no meio do Vale, de maneira que surgia um corredor de vento super forte e gelado. As ruínas dos incas, sempre incríveis, completavam a vista linda do lugar.

E esse vento?
Mas nesse dia havia um grande problema. Compramos um ônibus para Arequipa às 21:30 e se não chegássemos a tempo a gente ia perder dinheiro e ter que achar um lugar pra dormir, já que a reserva do Pirwa tinha acabado e as nossas mochilas estavam na agência, que inclusive fechava 20:30. Para nossa alegria o passeio terminou às 17:30 e como até Cusco seriam apenas 2 horas, teríamos tempo de sobra pra chegar na rodoviária. Mas, como já disse aqui antes, duas horas de antecedência não são suficientes pros lados de lá.

Pro nosso desespero geral o guia foi ao microfone e disse que estávamos indo a mais uma ruína, Chinchero. Perguntamos pra ele que horas chegaríamos em Cusco e ele respondeu tranquilamente: “Duas horas até Chinchero, depois uma hora de visita e mais 40 minutos até Cusco… 21:40 ok?” Não, não estava ok. Pânico!! Ficamos falando na cabeça dele que tinham nos falado que 18:30 estaríamos em Cusco e que ele tinha que dar um jeito de fazer isso funcionar. Pra nossa sorte ele era um amor e saiu correndo com a gente pela estrada imediatamente. Começamos a correr pela cidade escura até chegar na rodovia. Ele parou o primeiro ônibus que passou, perguntou se ia para Cusco, quando o motorista disse que sim, nos enfiou lá dentro. Graças a ele pegamos as mochilas e chegamos a tempo para o ônibus.

Despedida dos novos amigos
Entrei no ônibus sem nem acreditar no nosso azar e sorte, tudo ao mesmo tempo. Respirei fundo e um rapazinho que carregava um apanhador de sonhos gigante começou a conversar comigo. Ele era chileno e estava muito interessado na minha história, eu já não estava muito a fim de conversa e não rendi muito papo. Sá ficou incomodadíssima com ele que não parava de me olhar e alguns minutos depois ele me entregou um pequeno pássaro de dobradura que acabara de fazer. Achei fofo, guardei o pássaro e fui dormir tranquila, enquanto ele me olhava bizarramente.

Dia 14- 03/01: A última cidade do Peru

Walking city tour
Chegamos em Arequipa pela manhã meio moídas da noite do ônibus. Meu pequeno admirador não deu mais trabalho e acabamos encontrando dois brasileiros que estavam na mesma van do terror que a gente em Machu Picchu e eram do interior de São Paulo. Fomos para o nosso hostel e como eles não iriam dormir na cidade, deixaram as mochilas com a gente.

Resolvemos passear e encontramos um city tour de graça e a pé. Nossa guia era uma fofa e a cidade uma gracinha. Pra falar a verdade quase não vi influência inca no lugar, Arequipa parece ter sido mais influenciada pelos espanhóis do que pela própria cultura peruana. É uma cidade tranquila e bem organizada. É também MUITO quente, tanto que foi a primeira vez que usamos shorts e sapatilhas na viagem.

O tour passa por igrejas, pontes, uma fabrica de tecido com pelo de alpaca/lhama e outros pontos da cidade. A melhor parte foi a parada final, quando entramos em um restaurante e provamos algumas bebidinhas peruanas.

Depois fomos passear sozinhos, mas nada foi muito promissor. Primeiro fomos ao mercado municipal. Eu amo mercados, por mim eu passaria horas ali só olhando as coisas bizarras que eram vendidas, mas acho que o resto do grupo não curtiu muito o lugar. Durante o  curto passeio, Bruno, um dos meninos que estavam com a gente, pegou uma garrafa pet cheia de lagartinhos e começou a olhar bem de perto, os lagartinhos estavam paralisados e pareciam pra decoração, mas de repente o bichinho deu um pulo e nós tomamos o maior susto. A dona da loja não curtiu muito a cena, e, pela cara dela e pelos fetos de lhama empalhados que ela vendia, não devia ser a vendinha mais amigável do lugar. Partimos logo em seguida.
O "mirante"

Por fim decidimos ir ao mirante do lugar, não achei grandes coisas, estava meio nublado e a vista não foi das melhores, o melhor a fazer era mesmo sentar e beber uma cervejinha.

Sentamos em um bar e provamos a cerveja da cidade e o pisco sour que é uma bebida típica dos lados de lá. Foi bacana conhecer melhor os meninos e rir muito das histórias de cada um tinha pra contar dessa aventura maluca. Eles logo partiram e nós voltamos para o hostel para dormir.

O dia seguinte seria a travessia para o Chile e sabíamos que ia ser bem puxado, mas mal sabia eu que depois da travessia é que o meu maior perrengue me esperava.


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Machu Picchu e Ano Novo

Dia 10-30/12- Finalmente, Machu Picchu!

Acordamos às 5:00 da manhã para pegar o ônibus. Para subir para Machu Picchu há duas opções, ou ir de ônibus (19 dólares ida e volta) ou a pé, subindo um milhão de degraus. Se fossem circunstâncias comuns,  eu animaria ir andando, mas como dali a poucas horas teríamos que encarar 12 km de caminhada e 5 horas de van da morte, resolvemos ir de busão mesmo.

O primeiro ônibus sairia às 6:00, mas nos recomendaram chegar meia hora antes. Chegamos às 5:30 da manhã e a fila já estava gigantesca, não quero nem pensar que horas aquela galera acordou. Por volta de 6:20 chegamos em Machu Picchu.

Entrada da cidade
De cara já rolou uma emoção.Llá estava eu, naquele lugar que já vi tantas fotos e já ouvi tantas histórias. Refletindo agora parece um sonho que eu realmente estive lá, de cara com aquela montanha linda e as ruínas tão famosas.

Encontramos o guia da nossa van e começamos a explorar as ruínas. O conhecimento que os incas tinham sobre arquitetura, astronomia, natureza e outras tantas coisas é quase inacreditável e isso reflete nas construções que vi e as histórias que o guia contava. Ele nos contou que na época da invasão espanhola os habitantes de Machu Picchu abandonaram o lugar para proteger a cidade e se esconderam na floresta. A ideia era voltar para lá quando tudo se acalmasse, mas não conseguiram sobreviver, a cidade se perdeu no tempo e só foi redescoberta muitos anos depois.

Depois do passeio guiado tivemos um tempo para passear e tirar as fotos típicas de cartão-postal. Na volta para o ônibus demos uma última parada na saída do parque para carimbar nossos passaportes com o selo do local. Sim, estivemos ali! Pegamos o ônibus e recomeçamos a caminhada pelos trilhos.

Nas ruínas de Machu Picchu
A volta foi muito mais tranquila. O ônibus nos deixa em um local que economiza uns 40 minutos de caminhada, sem contar que já estávamos acostumadas com o caminho, não tirávamos tantas fotos e as mochilas estavam mais leves (na ida eu carreguei 4 litros de água nas costas). Andamos tão rápido que tivemos tempo de sobra para almoçar à beira da estrada com dois paulistas que conhecemos no caminho.

Depois do almoço voltamos para a van do terror. Eu adoraria dizer que o retorno de carro também foi mais tranquilo, mas infelizmente foi ainda mais medonho. Nosso motorista estava claramente com um sono incontrolável e a cada minuto dava uma longa pescada. Não bastasse isso, a neblina estava muito mais pesada, estava muito escuro e nosso farol parecia não funcionar direito. Quase beijei o chão quando cheguei no hostel.

Depois de tanto andar, sofrer, comer mal e etc, tudo que mais queríamos era cama. Então tomamos um banho e fomos dormir…só que não! As doidas aqui resolveram sair. Começamos a noite no Loki Cusco e descobrimos que não é nem um terço da diversão do de La Paz. Lá fechou às 2 da manhã e fomos pra Plaza de Las Armas. Rodamos muito, entramos em umas boates zoadas e quando estávamos prestes a desistir achamos um grupo de 4 brasileiros que logo descobrimos que estavam no nosso hostel. Voltamos para o hostel e ficamos conversando até 5 da manhã (24 horas acordada).

Dia 11- 31/12: Feliz Año Nuevo!!

Acho desnecessário explicar o tanto que eu estava cansada nesse dia não é? Depois de dois dias de emoções mil, eu só queria não fazer nada. Dormimos, lavamos roupas, dormimos, comemos e as meninas jogaram cartas enquanto eu dormia mais.

O único compromisso era a festa de ano novo, que eu ainda não sabia onde a gente ia passar. Compramos umas cervejas com os meninos e ficamos um tempo no hostel onde estava tendo uma festa de ano novo que foi invadida por argentinos. Quase meia noite fomos à Plaza de las Armas onde todos da cidade pareciam estar.

O lugar estava uma loucura. Não havia um espacinho sequer sem uma pessoa e todos carregavam foguetes. A praça em si já é linda, mas estava mais linda ainda com aquela alegria toda. Ficamos cantando e pulando até que a multidão começou a gritar “cinco, cuatro, tres, dos, UNO!” Feliz año nuevo meu povo!

Os foguetes começaram a estourar e nos abraçamos. De repente a multidão começou a se mover, todos para a mesma direção, estava começando a famosa volta na praça das Armas. No Brasil nos pulamos ondas, lá eles não voltas na praça. Foi lindo, mas acabamos nos perdendo dos meninos.
Praça das Armas pegando fogo

Depois de dar voltas, resolvemos esperar para achar os meninos, mas começou a ficar meio perigoso.Tinha muita gente bêbada com foguete e eles começaram a jogar uns nos outros. Um mané teve a brilhante ideia de colocar uma garrafa de vidro bem na boca de um rojão e ascender. Eu e as meninas nos abaixamos imediatamente quando vimos aquilo, mas o inglês que estava com a gente não percebeu o perigo e acabou queimando a testa. Depois dessa resolvi sair dali, mas não sem antes quase ser roubada por uma mulher imensa. Por sorte a Fernandinha, a justiceira, deu um tapa na safada e espantou a folgada.

Fomos para a festa do Loki e o que aconteceu depois ficou entre quatro meninas e a cidade de Cusco.


domingo, 1 de fevereiro de 2015

A rota "alternativa"

Dia 9-29/01: A caminhada

"These boots are made for walking"
E o dia de ir a Machu Picchu finalmente chegou! Na verdade só visitaríamos o lugar no dia seguinte, mas a jornada começaria ali, bem cedo, na van que nos esperava na saída de Cusco. Logo de cara, a moça da agência veio conversar com a gente avisando que não poderíamos nos atrasar porque ainda não tinham comprado os ingressos para Machu Picchu e nem as passagens do trem de volta. Já comecei a ficar meio nervosa.

A viagem começou: foram 5 infinitas horas de van, na pior estrada da minha vida. As curvas eram muito fechadas, a estrada era muito estreita e estávamos, literalmente, a beira do precipício. Pra piorar a situação, chovia muito, a neblina estava pesada e os rios estavam tão cheios que transbordavam por cima do asfalto. Agora, se você acha que nosso motorista estava sendo cuidadoso devido às condições, enganou-se, ele estava tacando o pau nas curvas, buzinando loucamente e entrando nos rios sem dó. Fernandinha e Fafá foram pedindo a todos os santos pra não morrerem e cada curva era um ataque do coração. Eu e Samanta estávamos rindo pra não chorar.
Depois de muita emoção, finalmente paramos pra almoçar. O almoço foi uma loucura! Era um restaurantezinho bem simples, tinha um bebê (de verdade) pendurado no meio do salão por um lençol, dormindo tranquilamente, enquanto a única garçonete do lugar corria de um lado para o outro carregando mil pratos de sopa, com o dedão enfiado em todas elas, e empurrando o bebê vez ou outra. Comemos uma sopa de quinoa com, apenas, uma batata dentro e depois arroz com um frango que ainda não sabemos como foi preparado.

Depois desse almoço, digamos, interessante, fomos rumo à hidroelétrica onde começaria a nossa caminhada. Andaríamos 12 km sobre os trilhos do trem e isso demoraria mais ou menos umas 3 horas. Confesso que estava um pouco insegura. Não tínhamos guias para caminhar, se não fizéssemos no tempo certo iria escurecer e eu definitivamente não queria me perder ali no escuro

A caminhada começou com um pouco de chuva, mas logo o tempo ruim foi embora junto com todos os meus medos. Percebi que a caminhada, na verdade, era bem tranquila, e que aquele lugar era realmente MARAVILHOSO. As montanhas, as árvores, o rio, os trilhos do trem, tudo fazia parte de uma das paisagens mais sensacionais que já vi, sem contar que caminhar ali, no meio daquela natureza toda, era relaxante e energizante. Saímos em disparada na frente de todo mundo da van, nosso objetivo era chegar primeiro e em menos de 3 horas.

Certa hora eu estava andando em cima dos trilhos, com um paredão de pedra de um lado e um precipício de outro, discutindo com Fernandinha se era perigoso andar por ali, já que o trem que ia para Águas Calientes poderia passar a qualquer momento. Conversando com ela chegamos à conclusão de que as agências não seriam loucas de fazer uma caminhada naquele lugar se o trem passasse, e que provavelmente elas organizavam caminhadas fora do horário de trens. Sá entrou na conversa e disse que achava improvável que passasse um trem ali, que na verdade os trilhos deveriam estar desativados. Fafá então finalizou com: “Se passasse, o que a gente ia fazer? Abraçar a parede e rezar?”

Foi só ela terminar essa frase que começamos a escutar um barulho de trem e uma buzina bem alta. Olhamos umas pras outras e falamos “Não é possível, deve ser em outro lugar!”. Mas o barulho ficava cada vez mais alto e a buzina cada vez mais frequente. Foi ai que de repente vimos um trem enorme vindo bem em nossa direção. Não conseguíamos acreditar que aquilo estava acontecendo, só nos restou pular pra parede de pedra e rir sem parar. Por fim, deu tudo certo, mas… VALEU DEMAIS QUEM AVISOU QUE PASSAVA TREM EIN!

Passado o susto continuamos a caminhada e finalmente chegamos ao povoado de Águas Calientes, logo quando começou a escurecer (ufa!). Como fizemos em menos de três horas e não vimos ninguém passando por nós no caminho, estávamos super animadas achando que éramos as primeiras a chegar. Pra nossa surpresa, quando finalmente chegamos na praça principal, vimos TODOS da nossa van, sentados tranquilamente, tomando cerveja e fumando cigarros. Ficamos indignadas e já pensando que eles tinham pago um taxi ou pego uma lhama pra montar, mas depois descobrimos que nós erramos o caminho e acabamos fazendo o trajeto mais longo. Parabéns pra gente!

Fomos para o hostel (fulerinha) e descobrimos que tinham conseguido ingressos de Machu Picchu, mas não as passagens de trem. Eu fiquei extremamente desanimada, estava bem cansada e não podia acreditar que teríamos que voltar tudo de novo andando. Ficamos chateadas com nossa agência, mas descobrimos que ela foi a menos pior de todas porque alguns tiveram que pagar a mais pelo ingresso de Machu Picchu, outros até tiveram que ficar na fila pra compra-lo. Pelo menos não pagamos mais nada e nos devolveram o preço do trem.

Jantamos um macarrão supostamente à bolonhesa, mas que era doce e tinha umas três bolinhas de carne, e eu pedi um chá de folha de coca. O garçom veio trazer o chá e gritou:
-Chá!
-Eu!
-De cocaína?
-Ah…
Ele ficou rindo da minha cara de espanto e entregou o chá, era o de coca normal, ele estava só fazendo hora comigo.


Apagamos na cama, nem ligamos para o cheiro de mofo das cobertas ou para o esgoto do banheiro que tinha subido, afinal, o outro dia seria ainda mais longo.







quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Muito sol e cuspida de lhama


Dia 5- 25/12: Copacabana pra relaxar

Fui dormir às 3 da manhã e às 5:00 já estava de pé tentando arrumar minha mochila sem acordar os dois rapazes que dormiam no nosso quarto. As meninas chegaram às 5:30 como dois furacões, arrumando e jogando as coisas na mala (provavelmente a Fernandinha começou a perder roupas a partir daí). Na Bolívia comemora-se o natal apenas no dia 25 e o único ônibus que conseguimos para aquele dia foi às 6 da matina.

Samanta, que viajava sozinha, decidiu se juntar ao nosso grupinho e lá fomos nós, quatro menininhas sonolentas, rumo ao Lago Titicaca. A viagem foi longa, mas muito agradável graças à vista linda.

Chegamos em Copacabana por volta de 13:00 e fomos procurar um hostel. Acabamos achando o La Cupula que era meio caro, mas sem dúvida foi o melhor da viagem em termos de conforto.

Estávamos tão mortas que não nos dignamos a sair da cama até a noite, e só saímos porque a fome pegou pesado. Achamos um barzinho aconchegante e pedimos hambúrgueres e cervejas artesanais da região. Eu tomei uma de mel (nada doce), que foi a melhor da viagem. Na volta pra casa estava muito escuro e deserto. Com muito medo de ficar andando por alí, Fernandinha, a encantadora de cães, conseguiu juntar uma matilha de uns 7 cachorros que foram nos acompanhando até a porta do hostel. Isso que é proteção!
A melhor cerveja da viagem

Dia 6- 26/12: Isla del Sol, do sol MESMO

Saímos às nove do porto de Copacabana ruma à Isla del Sol. Durante a viagem haviam duas temperaturas: quando tinha sol era temperatura de pelar porco, quando tinha vento era de gelar a alma. Foram 2 horas de trajeto com essa variação térmica bizarra.

A Isla Del Sol está dentro do Lago Titicaca e podemos visitar a parte norte e sul do lugar. Começamos pelo norte com uma caminhada bem longa rumo às ruínas incas. A ilha em si é uma gracinha, as casas parecem de filme, as cholitas passam pelas estradinhas de terra carregando suas trouxas coloridas, podemos ver burros, ovelhas, lhamas e porcos por todos os cantos e a vista do lago é incrivelmente linda, parece até mentira, é como se o lugar tivesse parado no tempo.

Chegamos às ruínas incas e foi uma experiência incrível. Estava tudo lá, a pedra de sacrifício, a pedra sagrada e os templos. As portas desses templos foram construídas com o pé direito bem baixo, assim somos obrigados a entrar nos recintos nos abaixando, em sinal de reverência. No fim do passeio pudemos beber água da fonte sagrada. Fafá e Fernandinha ficaram com medo de ter uma diarreia, mas eu e Samanta só queríamos a energia, mesmo que isso nos custasse uma complicação estomacal.

Tínhamos que estar no lado sul da ilha às 16:30 para o retorno ao porto e havia a opção de ir a pé ou de balsa. Desde da desventura no Chacaltaya, Fernandinha queria fazer qualquer caminhada possível pra compensar, então decidimos que iriamos andando, mas a caminhada demorava mais de 3 horas e nós tínhamos menos de duas. Graças a papai do céu não deu tempo porque a volta de 45 minutinhos até a balsa já foi bem tensa.

No lado sul da ilha comemos uma pizza, e eu fiquei atazanando todos os bichos que via pela frente. A minha obra-prima foi quanto convenci Fernandinha a tirar foto com uma lhama. Ela se aproximou um pouco e eu encorajei a ir mais perto, até que o bicho olhou pra ela e mandou uma senhora cuspida de lhama. Eu chorei de rir e fiquei muito satisfeita, afinal, cuspe de lhama é um ponto turístico importantíssimo!!
A lhama que cuspiu na Fernandinha
Mesmo praticamente bebendo protetor solar peguei uma insolação daquelas.

De noite comemos hambúrguer e fomos a um PUB maluco que devia ter umas 10 pessoas (contando com a gente). Acabei me divertindo muito, dancei forró com um brasileiro e gastei meus últimos bolivianos em cerveja.

Dia 7- 27/12: Holla Peru!

Pegamos o ônibus de Copacabana de manhã cedo rumo a Puno. A dez minutos de Copacabana tivemos que passar pela imigração e vi um oficial boliviano pedindo propina na cara dura pra um italiano. Já tinha ouvido falar nisso, mas não acreditei que acontecia de verdade. A entrada no Peru foi bem mais tranquila.Algumas horas depois chegamos em Puno.

Eu estava meio sonolenta quando o ônibus parou e tomei um susto gigantesco quando vi uma boliviana rechonchuda em cima de mim berrando que era pra sair do ônibus naquela hora. Saímos correndo para fazer a troca de ônibus e só eu consegui trocar dinheiro para Nuevos Soles. Compramos uma batata e a taxa de embarque e saímos correndo. Entramos no segundo ônibus e levamos um xingo geral por estarmos atrasando o ônibus. Mas o ônibus não saiu, ainda faltavam 4 argentinos que não levaram xingo nenhum quando entraram. Achei chato.

Pé na estrada
Durante a viagem os argentinos estavam fazendo uma algazarra sem noção, tocando violinha irritante e cantando, mas depois de muito tempo, eu finalmente consegui dormir. Acordei sentindo um cheiro muito forte e com a voz de uma menina que não parava de gritar “Pan! Queso! Pan!”. Tomei um susto quando vi que três mulheres tinham entrado no ônibus e estavam fazendo dele uma verdadeira feira. Uma menina corria de um lado pro outro vendendo pão e queijo enquanto a outra ajudava uma chola que estava cortando um leitão inteiro com uma machadinha, e sim, em pleno ônibus em movimento. Do mesmo jeito inexplicável que a aquilo tudo começou, logo terminou. O ônibus parou e elas desceram na estrada, no meio do nada.

Finalmente chegamos em Cusco, às 21:00, mortas de cansaço. Eu ainda era a única que tinha soles e paguei um taxi até o hostel Pirwa. Nossa reserva era só para o dia seguinte pois adiantamos um dia de viagem, se quiséssemos ficar ali naquela noite teríamos que pagar um rim pra dormir, resolvemos, então, procurar um novo local. Rodamos um bocado e estava difícil encontrar algo graças ao ano novo que lotou a cidade. A mochila pesou e a fome bateu, paramos em um hostel meia boca, mas que era barato e tinha café da manhã incluso (comida de graça é sempre a minha favorita). Resolvemos ficar por ali, mesmo com o banheiro único para o hostel inteiro.

Só faltava agora achar comida. Como eu disse, só eu troquei dinheiro e depois de tanta coisa eu estava com o equivalente a 12 reais no bolso e isso deveria dar para todas nós. Estávamos famintas e fomos perguntar na recepção sobre um lugar aberto e (mega) barato. O cara logo nos disse que nada estaria aberto, ainda mais pelo preço que queríamos pagar. Enquanto discutíamos o que fazer uma chuva torrencial começou a cair, olhamos umas pras outras, suspiramos e fomos comer a bolacha água e sal que estava a três dias em nossas mochilas.

Dia 8- 28/12: Tranquilas em Cusco.

Acordamos bem animadas repetindo o mantra “Hoje descansaremos, nada de ter insolação, de ficar 12 horas sem comer e nem escalar montanhas!”. O café da manhã de graça do hostel foi a alegria do dia e estávamos parecendo retirantes que nunca viram comida.

Saímos do hostel em que estávamos e fizemos check in no Pirwa. Depois fomos passear pela cidade. Na Plaza de Las Armas, a praça principal de Cusco, vimos duas peruanas com roupas típicas, bem coloridas, acompanhadas de uma menininha linda vestida a caráter e três bebês ovelha de chapéu (a gente ficou achando que eram alpacas até uns 3 dias depois disso). Achamos a coisa mais linda do mundo e piramos o cabeção correndo pra encontrá-las. Para nossa surpresa elas ficaram super animadas, já chegaram dizendo “Holla!” e jogando os bebês ovelha em cima da gente. Elas nos abraçaram, fizeram mil poses para foto e a menininha bateu altos papos com a gente. De repente, fecharam a cara, recolheram as ovelhas e começaram a pedir dinheiro, aí eu finalmente entendi o porquê de tanta simpatia. Mas tudo bem, dei uns 4 soles (R$ 4,00) para cada uma, inclusive a criança, e as meninas também deram alguma coisa. Pro meu espanto elas ficaram muito bravas e disseram que era pra cada uma de nós dar 10 soles para cada uma delas, elas queriam 90 soles só pela brincadeira que durou uns 5 minutos. Eu sou super bobona, se estivesse sozinha ia chorar e dar o dinheiro, mas por sorte a Fernandinha e Fafá não caíram nessa e saímos de lá sob o olhar de ódio delas.


Depois de finalmente nos livrar das peruanas, resolvemos fechar o pacote de Machu Picchu. Acho que nem preciso dizer que Machu Picchu é uma das atrações mais importantes desse roteiro né? E, particularmente, sempre foi um sonho meu conhecer esse lugar, acontece que na volta de barco da Isla del Sol conhecemos dois casais de brasileiros que nos apavoraram falando que só tinha como chegar lá de trem, que todos esses trens estavam esgotados e que se conseguíssemos algum, só o trajeto de ida e volta sairia a mais de 200 dólares. Pra ser bem sincera eu era meio burra em relação a esse caminho. Eu sabia que teria que sair de Cusco para Águas Calientes e de lá ir a Machu Picchu, mas na minha cabeça (oca) era só pegar um busão pra Águas Calientes e de lá ir de boa à Machu Picchu. Mas não é assim. Realmente a única estrada para o povoado de Água Calientes é uma linha de trem, e esse trem sai apenas de Ollantaytambo, então teríamos que ir de Cusco de taxi pra Ollantaytambo, depois pegar o trem pra Águas Calientes e só depois ir a Machu Picchu! Praticamente uma jornada épica.

Não bastasse essa complicação para chegar lá, de fato os trens estavam todos cheios e os únicos disponíveis custariam meu corpo inteiro, fora a entrada do parque, alimentação e o resto todo. Eu iria falir ali mesmo, antes do meio da viagem. Pra nossa sorte encontramos pessoas pobres como nós pelo caminho que nos contaram sobre uma trilha “alternativa” que incluía uma van de Cusco até uma certa hidroelétrica e depois uma caminhada até Águas Calientes, e a volta seria trem e van apenas. Achamos um pacote de 107 dólares com alimentação, transporte, hospedagem e entrada do parque. Parecia muito bom, bom demais pra ser verdade.


Tudo resolvido, passeamos mais um pouco e fomos tentar achar um lugar bacana pra festar, mas só achamos lugares bizarros e quando nos vimos em um PUB, com um senhor bem velho, vestindo calça social e tamancos de holandesa amarelos, decidimos que o melhor a fazer era dormir.

domingo, 25 de janeiro de 2015

La Paz: Muito perrengue pra uma cidade só


Dia 3- 23/12: Pelas ruas de La Paz

Acordamos satisfeitíssimas com a soneca de 13 horas e fomos tomar café no próprio Hostel. Ainda no elevador conhecemos três meninas, uma da Bahia, uma americana e uma de Floripa e elas estavam fazendo mais ou menos o mesmo roteiro que a gente. Tomamos café da manhã juntas: ovos mexidos e chá de folha de coca para aguentar a altitude.

Então fomos passear. Estava chovendo muito, usei minha jaqueta impermeável pela primeira vez e descobri que era a melhor coisa que poderia ter levado (usei muitas e muitas vezes depois). Não dava pra andar de sombrinha naquela loucura de cidade, tinha muita barraca, muita chola carregando o mundo nas costas, muita gente! Então fica a dica: jaquetinha impermeável salva vidas, não precisa se importar em ficar feia de capuz (meu caso).

Nossa ideia era ir ao Mercado das Bruxas fazer umas compras, a Fafá inclusive queria comprar uma jaqueta impermeável porque ela usava uma sombrinha que era uma ameaça pras outras pessoas. Saímos do hostel com algumas direções na cabeça e um mapa na mão, o que logo percebemos que não adiantava em nada porque a cidade não fazia sentido nenhum. O pior era o trânsito, uma bagunça! Semáforo é uma coisa que não existe, preferência e faixa de pedestre então nem se fala! O item mais importante do carro de um boliviano, inclusive, é a buzina, sem ela eles não saber dirigir, o cinto de segurança é um mero acessório decorativo (quando existe).

Enfim, fomos passeando pelas ruas lotadas e molhadas de La Paz, perguntando direções e tomando um safanão de uma trouxa de chola vez ou outra. Rodamos muito, subimos, descemos, entramos em mercados de rua que vendiam de tudo, andamos sem parar, até que chegamos... no Loki! Isso mesmo, andamos uma vida pra voltar pro mesmo lugar que partimos! Constatamos então que 1) não entendiamos nada de espanhol e 2) os bolivianos não sabiam dar direções.
Com a cholita que me vendeu um creme suspeito

Acabamos encontrando o tal mercado e de fato valeu muito a pena. Os preços estavam muito bons e as coisas eram lindas demais, bem coloridas e tradicionais. Compramos muito, mais que deveríamos na verdade, mas ainda bem que era só o início da viagem e pensamos que não poderíamos encher nossas mochilas assim de cara. E aqui vai uma dica, nunca aceite o primeiro preço que eles te dão, os vendedores sempre jogam o preço lá no alto e estão acostumados com pechincha. As meninas eram boas pra negociar preço, eu era mais tímida, mas a estratégia de perguntar o preço e fazer cara feia me servia bem também.

Depois das compras fomos fechar o passeio para o dia seguinte. Era um pacote, a montanha Chacaltaya e Valle de La Luna no mesmo dia. Pesquisamos muito, em várias agências de turismo e acabamos escolhendo uma que dizia que as entradas dos parques estavam inclusas, além de um lanchinho, mas, na verdade, era uma mentira bem gorda, só tinha transporte e guia. Aliás, nunca acreditem quando falam em comida na Bolívia e Peru, é mais seguro levar a sua própria porque é uma ilusão, o melhor é pegar a mais barata e mais arrumadinha e pronto. Pagamos 90 bolivianos (30 reais), enquanto os outros que conhecemos depois pagaram 60 (22 reais)

O último passeio do dia foi para o teleférico. Sabe esses teleféricos que tem em algumas favelas do Rio? Então, era exatamente isso, inclusive é um meio de transporte importante para os paceños. Custa 3 bolivianos (R$1,10) cada trecho e escolhemos a linha amarela que era a maior e tinha um suposto mirante no fim. Foi uma experiência bem bacana, mas os nativos não estavam curtindo muito a nossa presença. Mas também, era como se eu estivesse no meu ônibus de todo dia, morta depois do trabalho, e um tanto de gringo entrasse fazendo algazarra, tirando fotos e vestidos de araras dos pés à cabeça (no nosso caso, vestíamos Lhamas dos pés à cabeça). O tal mirante finalmente chegou e descobrimos que na verdade era um espaço entre duas casas no alto de um morro bem feio, bacana né?

O "mirante"
A volta foi uma das coisas mais tensas da nossa viagem. Já estava escuro e todos os taxistas se recusavam a nos levar ao Loki porque era longe demais. Quando finalmente conseguimos um taxi ele nos deixou no lugar errado, uma ruazinha escura e sem ninguém. Falamos na hora que estava errado e ele ficou visivelmente irritado, arrancando o carro logo em seguida. O que se passou então foram quase duas horas dentro do taxi sem a menor ideia de onde estávamos. Não fazia sentido demorar tanto, estava muito escuro e ele passava por ruas muito escuras e estranhas. As meninas nem respiravam e eu tentava formar uma frase em espanhol na minha cabeça que dizia “pode me roubar, mas não me mata!”. De repente vimos uma praça familiar e pulamos pra fora do taxi, falando que a ali estava perfeito, ele cobrou a mais, mas eu juro que nem me importei. Foi bom respirar de novo.

De noite fomos para o bar comemorar o aniversário da Fernandinha. Muita cerveja (quente), muita gente diferente e uma noite sensacional. Eu me lembro de parar por um momento e pensar “Ok, não tem como ser mais feliz que isso”.

Dia 4- 24/12: Um natal diferente

Na véspera de natal acordamos cedinho pra pegar a van às 7:30, mas depois de esperar 1 hora na recepção do hostel descobrimos que todos do passeio foram avisados que sairíamos às 8:30, menos, claro, as três patetas aqui. Quando finalmente entramos na van percebemos que éramos todos brasileiros, a menina de floripa que havíamos conhecido na manhã anterior, Samanta, inclusive.

O caminho para o Chacaltaya foi tenso, muitas curvas em uma estradinha chinfrim, que cabia apenas algo bem menor do que a van em que estávamos. Subimos MUITO. Meu corpo começou a ficar estranho por conta da altitude e a Fernandinha começou a passar mal de imediato. Quando chegamos no pé da montanha ela foi direto vomitar.

Começou, então, a temida caminhada. O lugar era maravilhoso! Branquinho de neve (lembrando que era verão) e com umas montanhas sensacionais ao redor. Logo na primeira subida senti que aquilo não seria nada fácil, eu não conseguia respirar, mesmo com os quilos de folha de coca que tinha mascado pelo caminho, era como se o ar não entrasse nos meus pulmões. A cada 5 passos eu era obrigada a dar uma pausa. Fernandinha, Samanta e outro rapaz do nosso grupo não deram conta e ficaram no pé da montanha. Eu e Fafá seguimos firme, ou quase...pra falar a verdade eu só continuei andando porque estava cagada de medo de ficar sozinha naquela imensidão de neve e me perder.

Então continuamos. A visão ficava escura, a cabeça doía, o enjoo era terrível, mas a gente não parava de subir. Depois de muito custo, a recompensa: uma das vistas mais lindas da minha vida. Havia uma lagoa bem verdinha lá em baixo e ao redor as montanhas das Cordilheiras Real. Lá estava eu, a 5.400 metros de altitude, feliz da vida por ter conseguido conquistar aquilo. Eu fui a primeira a chegar, junto com o guia, e assim que cheguei e vi aquela cena, tudo começou a ser coberto por uma neblina grossa, não deu tempo de fotografar e os outros do grupo não conseguiram ver nada, triste.
A descida: sambando na cara da sociedade











A descida pareceu brincadeira de criança, desci sambando na cara da altitude e durou bem menos tempo que a ida. Resgatamos os enfermos e fomos para o Valle de La Luna.

Eu sinceramente não entendi porque eles fazem esses dois passeios juntos, eles são completamente opostos um do outro. Chacaltaya tem 5.400 metros de altitude enquanto o vale não passa de 3.000. Sem contar que a montanha tinha temperaturas negativas enquanto o vale estava um calor infinito. Meu corpo não entendeu que bagunça era aquela.
O Valle de La Luna é um sítio arqueológico que se assemelha com a superfície lunar. Foi uma caminha de apenas 45 minutos, mas o lugar é bem impressionante. Logo depois retornamos ao Loki.

A turma da van do Chacaltaya,,,
e no Valle de la Luna
Por mais que não parecesse, era véspera de natal, e no hostel iria rola uma festa chamada “Nightmare Before Christmas”, ou pesadelo antes do natal, e foi basicamente isso. As pessoas estavam com os rostos pintados como caveiras, drinks foram incendiados, as pessoas subiam em cima do balcão...nada parecido com as minhas preces de natal em família de todo ano.


Após a festa as meninas foram pra uma boate com o resto do hostel (inclusive funcionários), eu resolvi dormir porque dali a apenas 2 horas teríamos que tomar o ônibus para um novo destino.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Mochilão pela América do Sul- O começo


Eis que, depois de tanto tempo sem passar por aqui, achando que esse espaço ia existir apenas como depósito de memórias, aqui estou eu! Mas dessa vez por utilidade pública ok? (e porque eu gosto de escrever também, mas é segredo). Acontece que acabo de voltar do meu primeiro mochilão e desde que voltei tenho recebido milhões de perguntas sobre a viagem, algumas pessoas pediram, inclusive, o roteiro inteiro que fizemos, portanto, como acho que todo mundo deveria embarcar numa aventura dessas pelo menos uma vez na vida, vou contar tudo que rolou e colocar umas dicas pra quem quer fazer as malas logo. (Ao final de tudo vou fazer um resumo de hostels, gastos e outras coisas práticas).

Tudo começou em julho do ano passado, quando eu estava planejando um mini intercâmbio pra Índia. Eu vi que a passagem estava passando de 5.000 reais e logo percebi que meu salário modesto de estagiária não me levaria tão longe. O sonho de ir pra Índia afundou, mas logo a Fernandinha, minha amiga de faculdade, veio com a ideia de fazer um mochilão pela América do Sul e com a promessa animadora de ser bem barato. Pronto! Topei na hora. Eu já sabia que queria ir ao Peru e achamos um roteirinho bem tradicional, quase batido, mas que seria perfeito pra mochileiras inexperientes como nós: Bolívia, Peru e Chile. Algumas semanas depois, uma outra colega nossa, Ana Flávia (vulgo Fafá), chamou Fernandinha para uma viagem pelo Peru e ao ficar sabendo dos nosso planos se jogou de cabeça na ideia.

Conseguimos planejar toda a viagem em menos de 5 meses, o que nos custou passagens aéreas mais caras, e no dia 21 de dezembro de 2014 partimos com um frio na barriga sem nem ideia do que nos esperaria. 

Dia 1- 21/12/2014: Maratona de aeroportos

Como compramos as passagens bem em cima da hora, tentamos fazer de tudo pra deixa-las mais baratas, o que acabou não adiantando muito. Fomos de Belo Horizonte para Congonhas/SP bem cedo e tivemos que pegar um ônibus até Guarulhos (estávamos de TAM e o transfer era de graça, primeira economia da viagem!!).

Como somos bobonas e medrosas e não sabíamos quanto tempo levaria de um aeroporto ao outro, compramos os vôos com doze horas (!!!!!) de intervalo entre eles. Grande erro, todo o processo entre os aeroportos demorou no máximo duas horas, isso contando pegar malas, esperar uma hora pro ônibus chegar e trajeto, que é de apenas meia hora. Enfim, vivendo e aprendendo. Passamos mais de 10 horas presas em Guarulhos e posso dizer que quebramos tudo. Sabe essas crianças que ficam com energia acumulada por ficarem o dia todo presas no apartamento? Nós estávamos exatamente assim, fazendo corrida de carrinho, comendo bobagem, dançando por ai...Pelo menos deu tempo de comprar a passagem de avião de Santa Cruz pra La paz, não queríamos ir de ônibus porque nos disseram que as estradas eram mortais, só recomendo comprar com antecedência e com muitas horas de intervalo entre vôos, a Bolívia não é tão simples como o trajeto Congonhas-Guarulhos, logo saberão porque.

Dormindo no aeroporto
Finalmente o voo saiu, mas se você pensa que nossa espera acabou, está enganadíssimo. Dez horas e meia de espera em Assunção estavam pela frente, só que dessa vez teríamos que passar a noite. Estávamos com muito medo disso, mas fomos para o segundo andar e vimos que não tinha absolutamente NADA lá, só um grupo de mochileiros dormindo. Fizemos nosso puxadinho e boa noite! Claro que não foi nenhum Spa, acordávamos toda hora com medo de estarem nos roubando ou algo assim, mas nada aconteceu.

Dia 2- 22/12: Finalmente, Bolívia!

O voo até Santa Cruz foi tranquilo, mas a imigração foi uma loucura, que lerdeza meeeeu deus! E pra nada! Nem olharam meu cartão de vacinação que me deu tanto trabalho conseguir. Quando finalmente passamos da imigração veio a surpresa: a receita federal de lá estava fazendo vista grossa. A gente tinha que passar por um portão e apertar um botão, se desse verde poderíamos passar, se desse vermelho toda nossa bagagem seria revistada. A maioria estava saindo vermelho, o que fazia o processo ser ainda demorado. Fernandinha passou: Verde, ufa! Fafá passou: Verde, viva! Minha vez: vermelho, CLARO! Tive minha mala toda revistada e o oficial ficou especialmente intrigado pelos potes de chicletes que eu levava (cada um com seu vício),

Nosso tempo entre vôos era de apenas 2 horas e essa ladainha nos tomou mais de uma hora. Saímos feito loucas pelo aeroporto, equilibrando nossas mochilas gigantes e tentando não matar ninguém pelo caminho, isso tudo pra chegar no check in da Boa airlines e encontrá-lo coalhado de gente em uma fila que não saía do lugar. Graças a papai do céu a à Boa incompetente o nosso voo para La Paz estava incrivelmente atrasado, e ainda esperamos muito na sala de embarque. O aeroporto era um caos e uma de nós três teve a sorte de sentar em uma poltrona que estava molhada de xixi (claro que fui eu).
La Paz

Chegamos em La Paz e percebemos que éramos três antas pantaneiras que conseguiram gastar quase 48 horas para ir a um país da América do Sul, mas o que pegou mesmo foi a tal da altitude. La Paz está a 3.660 metros acima do nível do mar, pra você ter uma ideia do que é isso, BH está a 852 metros de altitude e o ponto mais alto do Brasil está a 2.994 metros, ou seja, La Paz é alto pra burro. Eu sinceramente achei que era balela essa história de sentir mal na altitude, mas assim que pisamos na cidade senti uma enorme dificuldade de respirar, a cabeça parecia mais leve e a mochila parecia mais pesada. Ficamos até mais caladas nos primeiros momentos. Trocamos dinheiro e fomos comer, só aí melhorei um pouco.

A ideia era pegar uma van até nosso hostel, mas fomos avisadas que as vans não iriam até lá, por sorte um motorista super fofo, Hugo, disse que nos levaria por um preço bem camarada e a van seria só nossa.

Pelo caminho a surpresa: La Paz era inacreditável! É literalmente um buraco com MUITAS casas, mas muitas mesmo, e a maior parte delas não tem reboco. Segundo Fernandinha, e ela não parava de falar isso, é porque parece que eles pagam menos imposto assim, já que a casa não é considerada por inteiro. Enfim, além desse mar de casas da mesma cor, ainda tinha uma montanha maravilhosa ao fundo branquinha de neve. Um cenário impensável!
A primeira chola paceña da viagem

Outra surpresa foi encontrar cholas por todos os lugares logo de cara. As cholas são mulheres que se vestem de maneira bem tradicional, conservando suas tradições indígenas. Logo percebemos que cada região tem sua cholita, e as de La Paz são bem características. Saias cheias de babados até os pés, sapatinhos, chale por cima da blusa, tranças e chapéu coco. Eu achava que elas se vestiam para turistas, mas não, elas vivem assim! Se vocês estiver passando pelas estradas da Bolívia e observar as pequenas fazendas, verão as cholas com suas vestimentas coloridas trabalhando no pasto.

Chegamos mortas no nosso hostel, Loki, e ainda tivemos que esperar duas horas pro quarto ficar pronto. Quando finalmente entramos no quarto a ideia era tomar um banho, tirar um cochilo e ir pro bar do hostel. Tomei meu banho, coloquei meu relógio pra despertar às 22:00...e acordei às 8:00 da manhã seguinte.

A vista do nosso Hostel