terça-feira, 21 de junho de 2016

Três dias em Hong Kong

Hong Kong foi mais um bônus maravilhoso dessa nossa viagem. A princípio era só uma maneira de deixar o trajeto China/Tailândia mais barato, mas foi um dos pontos mais altos da viagem.

Chegamos em Hong Kong tarde da noite, muito cansadas, e só deu tempo de pegar o ônibus do aeroporto até o hostel e apagar.

O nosso hostel foi o Golden Island, era na verdade uma Guest House num prédio bem antigo e bem bizarro, com funcionários que não falavam nada de inglês e de quartos bem apertados, mas que foi uma ótima escolha pelo preço. O preço de hospedagem em HK é meio absurdo, e pela segurança, preço e limpeza do lugar, recomento muito o Golden Island.
Chuva chuva chuva

Dia 1:
Acordamos com uma chuva horrorosa, e pra piorar eu estava MUITO gripada.O jeito foi colocar minha jaqueta maravilhosa salvadora de vidas na chuva e tomar coragem. Pra gripe eu parei na primeira farmácia que vi, e são muitas, e resolvi experimentar algo da medicina oriental pra melhorar meu estado. Comprei o famoso tiger balm e fui bater perna.

Andamos muito, sem rumo mesmo, tudo era motivo para ficarmos encantadas, principalmente os supermercados e as lojas de cosméticos. Fizemos um super turismo de mercado, mesmo não comprando nada, mas é incrível conhecer os produtos do dia a dia de pessoas do outro lado do mundo.

Primeira parada foi o Ladie's Market, uma feira a céu aberto que acontece todos os dias e vende de tudo um pouco, desde souvenires até relógios falsificados e fantasias de panda. Os preços são bem bons e os vendedores são menos agressivos que em Xangai, o que não quer dizer que eles são fáceis de dispensar

Segunda parada foi o Mc Donald's do futuro que na verdade é um novo modelo da loja batizado de McDonald’s Next. O lugar é bem diferente das lojas que estamos acostumados. O visual é mais moderno, você pode fazer seu pedido através de telas touch e a cozinha é toda aberta, de maneira que vemos como todos os alimentos são preparados. Além disso é possível criar seu próprio sandwich com os ingredientes de sua preferência. Depois de certo horário tem até garçom!
E ai? parece um Mac?

Depois fomos até o The Peak, que teoricamente é a melhor vista da cidade, mas que pra gente de nada serviu, porque além de estar chovendo, a serração estava bem baixa, de maneira que a melhor vista de Hong Kong pra nós foi um lugar bem branco e molhado. Se o tempo não tiver bom nem preciso ir pra lá, é um passeio de bondinho bem legal, mas não tem nada além de um pequeno shopping além do mirante que pra gente foi furada. Além disso é meio caro subir de bondinho, por volta de 30 reais. Mesmo se o tempo tiver bom, meu conselho é subir de bondinho e descer andando pelo parque.

O Hong Kong Park, ao lado do The Peak, é um lugar bem interessante e tem um viveiro de pássaros enorme com entrada gratuita, mas não conseguimos ir porque fica aberto até 17:00. Mas o parque em si já é um passeio imperdível.

Que tal essa bela vista?
Passeamos mais um pouco pela principal rua de comprar de HK e terminamos o dia no porto onde todos os dias há um show de luzes e música. Na verdade é um show que envolve várias partes da cidade, com vários prédios que acendem luzes coloridas sincronizados com música, mas é do porto que se tem uma melhor vista. Dependendo do dia o show é em inglês, mandarim ou cantonês. Assistimos em cantonês, o que não atrapalhou em nada já que o mais legal era ver os prédios dando um show de tecnologia ao som da música.

Dia 2:
Acordamos bem cedo e fomos direto pegar o cable car para Lantau Island onde fica o Big Budha. O bonde que nos leva até a ilha é um dos maiores do mundo e você tem a opção de pegar cabine de cristal ou normal, a de cristal tem o chão transparente que dá uma emoção bem legal, mas é um pouco mais cara, por volta de 65 reais. Pegamos a de cristal e só essa parte do passeio já foi extremamente emocionante porque além de ser um lugar lindo, dá pra ver o Big Budha sentado do alto de sua montanha e eu juro que quase chorei de tão lindo.

Chegando na ilha há diversas coisas pra conhecer, inclusive um mosteiro lindo, mas como o dia estava corrido fomos direto para a atração principal. Chorei, muito, quando cheguei aos pés do Buddha. A emoção de estar ali, cercada de uma natureza exuberante e de dezenas de pessoas cantando e prestando homenagens é indescritível, me senti a menina mais sortuda desse mundo. Pra minha surpresa a grande maioria das pessoas que estavam lá eram budistas que foram prestar homenagens, turistas como nós eram minoria, o que deixou a experiência ainda mais rica.

Depois fomos direto pra Disney de Hong Kong, sim, foi um dia metade oriental e metade ocidental, mas somos Disney Freaks, o que podíamos fazer? A entrada custa 90 dólares americanos. A Disney de lá não é grande como a da Flórida, por isso deu para visitar praticamento todos os brinquedos mais legais em meio dia. A disposição do parque é bem parecida com qualquer Magic Kingdom, mas é interessante ver a diferença no estilo dos shows, os personagens preferidos, entre outras coisas. Era a Disney de sempre, mas o público dá uma cara diferente ao lugar. Uma diferença desse parque é que existe uma área separada para Toy Story e o melhor brinquedo fica lá.

Após o tradicional show de luzes, e depois dos fogos no Castelo, voltamos mortas com farofa para o hostel.



Dia 3:
Nosso planejamento era ir ao Ladie's Market nesse último dia e deixar o big budha no primeiro para poder aproveitar melhor, mas como o primeiro dia foi todo de baixo de chuva, tivemos que fazer as coisas mais urbanas primeiro.

Nosso voo era de tarde e o dia acordou ainda mais chuvoso que o primeiro, a única coisa que conseguimos fazer foi comprar umas lembrancinhas, almoçar e tomar MUITA chuva. Resolvemos ir de metrô para o aeroporto, o que se mostrou um pouco mais complicado que imaginávamos então foi bom reservar um tempo extra para isso.

Hong Kong é um lugar que eu voltaria sem pensar duas vezes, de prefência com mais tempo. É uma mistura maravilhosa de China e Nova York com um charme que é só deles, e tudo valeu muito a pena.
Chuva e peso


segunda-feira, 6 de junho de 2016

Cinco dias em Xangai - Passeios e preços

Definitivamente não estava nos nossos planos conhecer a China, mas devido à confusão das passagens, que já contei aqui, fomos parar no país mais populoso do mundo, e acabou sendo uma das experiências mais enriquecedores e desafiadoras da minha vida.

O maior desafio foi sem dúvida acostumar com o fuso horário, um jetlag que eu nunca tinha experimentado nos derrubava durante o dia e não nos deixava dormir durante a noite. A temperatura perto dos 0º C só aumentava a dificuldade de acostumar com o lugar.  Além disso a comida chinesa foi muito difícil de aguentar, e olha que não sou fresca, mas nosso organismo não estava nada preparado para os principais ingredientes do país. A língua também nos atrapalhou um pouco, todas falamos inglês bem, mas de nada adiantou pra um país em que ninguém fala nada além de mandarim. 

Eu sinceramente acho que 5 dias em Xangai é muita coisa, mas no nosso caso foi importante pra acostumar com tudo e pra perceber que aquela não seria uma viagem tão fácil quanto imaginávamos.

Dia 1:
Saímos do aeroporto de Xangai de Maglev, um trem que chega a 300km por hora. É bem mais caro que um metro, mas indiscutivelmente mais rápido, e valeu a experiência. Sem contar que a esse ponto a gente ainda não sabia que o metro chegava até o aeroporto.
Foi bem fácil achar o hostel, a dica aqui é reservar um hostel perto de uma estação de metro porque é super fácil ir pra qualquer lugar de metrô, além de barato, eliminando a necessidade de tentar se comunicar com os chineses pra achar os lugares.
Apesar de ter viajado por mais de 48h, e ter acabado de sair de um voo de 14h, fomo direto passear.
Nanjing Road: principal rua de Xangai, passeamos por lojas, ruas, mercados, andamos sem rumo completamente maravilhadas com tudo aquilo, realmente estávamos do outro lado do mundo.
The Bund: onde a cidade velha e a cidade nova se encontram, dividas por um rio e é onde podemos ver o famoso skyline de Xangai, com os gigantes e modernos prédios.
Dormimos bem cedo, mortas pela jornada épica.


Dia 2:
Yu Yuan Ganden: De manhã fomos no maior jardim tradicional chinês da cidade. Pagamos mais ou menos R$ 15,00, estudante paga meia. Além do jardim, em si, a região ao redor é um passeio a parte. É um bairro bem tradicional, com muitos restaurantes e lojas frequentados em sua maioria por locais.


Passeando por esse lugar resolvemos ousar e comer em um restaurante chinês hardcore. No geral é muito difícil encontrar ocidentais pelas ruas de Xangai, mas nesse lugar não havia o menor sinal de qualquer coisa ocidental, tudo escrito em chinês, com muitos chineses e todos olhando torto pras três meninas estranhas que estavam lá.
Pegamos as coisas mais estranhas que vimos, uma rã no espeto (que depois de comer localizei um bico e percebi que se tratava de um pombo), uma massa com sopa de peixe dentro que se tomava de canudo, muito óleo, muita carne sem identificação, muuuuito tempero. Resultado? Três meninas passando muito mal!
O próximo programa seria subir em uma dos arranha-céus de Xangai, mas isso se mostrou caro demais. A visita mais barata custava em torno de R$ 360,00, nosso orçamento de mochileiras não nos permitia tal peripécia e a viagem estava apenas começando.
Passeamos no Shopping de Luxo IFC Mall, do lado moderno da cidade, e passamos o resto do dia tentando evitar mais ousadias.

Dia 3:
Pegamos um trem intermunicipal até a cidade de Suzhou. É uma viagem de menos de 2 horas, com passagem de por volta de 60 reais  que vale muito a pena para conhecer uma cidade bem chinesa. O problema que enfrentamos nesse passeio foi que a cidade estava ainda mais fria que Xangai, ainda mais poluída e era ainda menos preparada para estrangeiros, então a sugestão mais importante aqui é se programar bem com mapas e informações antes de ir. Nós fomos de mãos vazias e nem um mapa conseguimos, funcionários de hotel não sabiam falar Hello em inglês.
Rodamos bastante e achamos alguns templos, vários jardins, ruas lindas, rios e vendedores de frutas por toda parte, mas também perdemos muito tempo perdidas.
Esse foi o dia do Ano Novo, e o que nós fizemos? Isso mesmo, NADA! Os chineses não comemoram o ano novo na mesma época que a gente, e em Xangai qualquer tipo de comemoração foi proibida devido a um acidente que matou várias pessoas há três anos. Todos os três pararam de rodar às 20h e taxis ultrapassavam os 300 DÓLARES para ir pra cidade, ou seja, não tinha pra onde ir.
A minha virada do ano foi passada no hostel, com um punhado de japoneses bêbados, assistindo uma espécie de show da virada ao reverso, e à 00:02 estava na minha cama, dormindo feliz.




Dia 4:
O primeiro passeio foi visitar o lindo bairro Tianzifang. São várias ruas só para pedestres com lojas e restaurantes de todo tipo, vale MUITO a pena visitar, mesmo se não quiser comprar nada.

Nesse mesmo lugar fomos ao Modern Toilette Restaurant, um restaurante com a temática de banheiro, onde você senta em privadas, com chuveiros, pias, e até uns cocozinhos espalhados por ai. Os pratos também são temáticos, mas muito caros e nada de especiais quanto ao sabor. Recomendo mais pela experiência.
Pelas ruas de Tianzifang e uma figura de papel do meu rosto
O bar do cocô

Depois fomos ao Han City, shopping de falsificados, os famosos made in China. Foi uma experiência INTENSA. Não se veem chineses lá dentro, apenas turistas desavisados. Os vendedores são realmente incisivos ao vender, quase agressivos na verdade. Perguntei o preço de um óculos a título de curiosidade e a vendedora disse que era R$ 780,00. Com a minha recusa ela começou a reduzir o preço. Chegou aos R$ 90,00,mas eu realmente não queria o óculos e saímos da loja. Para o nosso horror, vinte minutos depois essa mesma vendedora apareceu desesperada com um bebê no colo, nos seguindo pelos corredores, oferecendo o que eu quisesse pagar pelo óculos.
Em outra ocasião um vendedor mandou a Ana ir pra aquele lugar porque ela não quis um conjunto de pincéis. Foi uma experiência exaustiva, mas não posso dizer que não foi uma história e tanto pra contar.

Dia 5:
Nosso último dia em Xangai passamos na People's Square. Era um domingo e como todo domingo estava acontecendo a tradicional e muito controversa feira de casamentos de Xangai. É uma espécie de Tinder involuntário. Os pais com filhos em idade mais avançada, leia-se 25 anos pra cima, pegam fotos e informações pessoais de seus filhos e vão para praça tentar arrumar um casamento. Informações como altura, emprego, idade e peso são expostas enquanto os pais de possíveis pretendentes ficam circulando pela praça e olhando as opções. É inacreditável! Quando fiquei sabendo disso achei que era uma coisa pequena, mas é ENORME e meio assustador. Dizem que muitos fazem isso sem o consentimento de seus filhos e atualmente está rolando um movimento das chinesas pelo direito de não casar. Loucura!
A People's Square tem várias coisas legais e é onde está o Shanghai Museum, mas como tínhamos que pegar um voo pra Hong Kong dali a algumas horas, deixamos esse passeio de lado.

Esses foram nossos dias na imensa Xangai. Além do que foi contado aqui, passamos muito tempo andando pelas ruas e mercados, sem rumo mesmo, o que nos fez sentir muito a vontade naquela loucura de cidade.

Eu confesso que não foram só flores, em alguns momentos eu me achei muito maluca por estar tão longe da minha zona de conforto, mas sinto que cresci como pessoa e o meu respeito por aquele povo cresceu muito mais.