domingo, 10 de março de 2013

Adeus Dinamarca





Ok, esse post está bastante atrasado, afinal, cheguei aqui há 3 semanas e muito já aconteceu. Fiquei pensando se depois de tanto tempo valeria a pena ainda escrever aqui, mas eu sou a rainha das coisas mal acabadas e não queria deixar os relatos de uma viagem pela metade, como aconteceu das duas vezes anteriores que fui pra Dinamarca e escrevi aqui.

Pois então, sim, estou no Brasil, e não parece que faz tanto tempo assim porque tudo anda tão suspenso no ar e confuso como o primeiro dia que cheguei aqui, ainda não consegui entrar na rotina, sequer definir que rumo tomarei esse semestre, mas se o blog fosse pra esse assunto se chamaria O Cansativo Destino de Luiza Padovezi e não O Fabuloso né? Então vou contar apenas dos meus últimos dias na Dinamarca:

A segunda feira já começou com jeito de despedida, todos do trabalho estavam me tratando super bem, e olha que normalmente eles já são uns fofos comigo, me deram um presente, um cartão e me chamaram para um jantar mais tarde. O meu supervisor não parava de falar que a neve chegou quando eu cheguei só porque eu amo quando neva e ele falava pra todo mundo que ia parar de nevar quando eu voltasse para o Brasil, achei uma graça. De noite fomos eu, Ole, Trine, Stine e Camilla, para um restaurante lindo na frente do porto de Svendborg e eu, como sempre, não entendi nada do cardápio e acabei pedindo a maior e pior coisa da casa, mas foi super agradável.Camilla me levou para casa e só tinha elogios a me fazer, uma fofa.

Inga, a mulher do meu conselheiro
Terça o dia foi normal, mas de tarde o meu antigo conselheiro, Arne, veio me buscar. Para quem não sabe, todos os intercambistas do Rotary tem um conselheiro para todo o ano que o ajuda para qualquer coisa que precise. O meu foi super especial, me ajudou muito e não perdemos contato durante todo esse tempo e por isso ele estava me buscando para ir na casa dele e passar a tarde com ele e sua mulher, que eu também adoro. Passamos o dia bebendo chá, comendo bolo de maça com creme e biscoitos e vendo fotos das mil viagens que eles fizeram no mês anterior. Depois Arne me levou para a reunião do Rotary que foi boa, mas longa demais, tanto que cheguei em casa morta de dor de cabeça de tanto falar e escutar dinamarquês.

Quarta de noite coloquei meus pais do Brasil no Skype com os meus pais da Dinamarca. Foi super divertido! Minha queria falar muito mais que o inglês dela permite e eu servi de intérprete, mas mesmo assim eles conversaram bastante. Birgitte chorou, Jorgen riu terrores e ambos amaram conhecer meus pais do Brasil. E pra mim foi ótimo porque as duas famílias sabem muito um do outro pelas coisas que conto, mas pela primeira vez puderam conversar de fato, cara a cara.

Ainda na quarta de noite tive a brilhante ideia de fazer brigadeiro e beijinho para levar pra empresa no dia seguinte. Ai, pra que né, eu deveria era ter ido dormir! Comecei pelo brigadeiro e das três, super difíceis de encontrar, latas de leite condensado eu usei duas. Coloquei o todos os ingredientes e na hora que fui dar aquela provadinha quase morri, que coisa HORRÍVEL! Gente, eu sou ruim de cozinha, mas não a ponto de estragar um brigadeiro do jeito que eu estraguei, aquilo tava muito errado! Quando fui ver o meu dinamarquês fanfarrão tinha me trolado mais uma vez, no lugar de achocolatado em pó eu coloquei cacau em pó, e acreditem, faz MUITA diferença. O negócio ficou com um gosto super forte e doce, tanto que fiquei arrepiando só de lembrar do gosto pelos próximos 30 minutos. Aí fiz o beijinho e deu certo. Na hora de enrolar, enrolei o beijinho e quando chegou o brigadeira cocozão já eram meia noite. Eu queria era jogar aquilo tudo fora, tava com vergonha de servir aquela coisa insuportável, mas como fiquei com fora de desperdiçar o valioso leite condensado, enrolei um terço do que fiz e joguei o resto na privada, onde era seu lugar.

O brigadeiro
A manhã do meu último dia de trabalho chegou e acordei com um aperto no coração. Achei que eu estaria aliviada, afinal, eu não teria mais que acordar as 6:00 com as estrelas ainda no céu e trabalhar 8 horas por dia sem ganhar nada, mas não foi o que aconteceu, eu percebi que ia sentir falta de verdade de tudo aquilo. No caminho da minha casa para o trabalho o dia estava lindo, como há tempos eu não via, o sol nascia e pintava o céu de laranja, tudo estava branquinho, os cataventos estavam girando e a água congelada como um espelho. Birgitte quebrou o silêncio e disse "Det er en god hukommelse af Danmark". Eu não sabia o que hukommelse significava, mas nem precisava, eu entendia, afinal, eu também estava pensando assim: "é uma boa memória da Dinamarca".

Cheguei no trabalho e deixei os doces na famosa mesa de guloseimas da Mac Baren. Todos vieram provar e, pra minha surpresa, acharam o brigadeiro a coisa mais deliciosa do mundo, ele acabou antes do almiço enquanto o beijinho mal foi tocado. Quando estava acabando tinha gente até escondendo o doce para mais tarde, eles até pediram a receita, claro que eu tive que passar a receita errada, como eu fiz, porque vai que esse povo estranho não gosta do brigadeiro de verdade né?
Nossa salinha, Ole, Stine e Trine

O dia foi cheio de fotos e despedidas. O RH da empresa, Peter, me chamou para a reunião final. Conversamos por muito tempo, ele disse que todos ali me adoraram e que o pessoal da fábrica (eu trabalhava no escritório) já estava pedindo uma "Luiza" para eles também. Disse que foi muito bom me ter ali, que eu fui a primeira intercambista deles, mas agora eles queriam receber mais, me perguntou se todos os brasileiros eram tão positivos como eu e por fim me fez o melhor elogio que já recebi "você tem uma personalidade muito dinamarquesa". Mais tarde ele passou na minha sala para me entregar o certificado de conclusão do estágio e eu comecei a ler logo em seguida. Amei tudo que ele escreveu, me elogiou muito, falou de tudo que eu fiz e até exagerou um pouco, eu fiquei muito feliz, até ler a última linha que estava escrita em letras enormes e em negrito: "Mas tomem cuidado! Ela come demais! Principalmente porco frito e pode sair muito caro!" O QUE? COMO ASSIM? Eles realmente esperam que eu coloquei ISSO no meu currículo? Já comecei a pensar no que fazer e achar que aquilo tinha sido uma perda de tempo, até que vi Peter do outro lado da sala chorando de rir da minha cara. Ele veio até mim até sem ar e me entregou o envelope com o certificado correto, com os mesmos elogios, mas sem o comentário que sou uma faminta por porcos fritos.

O dia foi terminando e um a um se despediu de mim com muito carinho. Eu fui a última a sair da sala, limpei meu computador, desliguei meu telefone, fechei minha pasta que eu montei com tanto carinho, roubei minha última bala da mesa de café e fui embora. 

Voltando pra casa tentei começar a arrumar a mala, mas logo escutei uma batida na porta e um "HEJ!" escandaloso, só poderia ser meu vizinho. Ele e a mulher vieram despedir de mim, parramos um tempo rindo muito e tomando cachaça.

Quando eles saíram começou o ritual que eu já enfrentei 2 vezes antes, mas o aperto no coração só cresceu. Birgitte fez um super jantar, com sobremesa deliciosa, conversamos por horas, rimos, Jorgen deu suas fortes opiniões sobre tudo e todos fingimos que era só mais um dia normal, até que ou Birgitte ou Jorgen perguntou:  "E aí? Pronta para voltar para casa? " E como em 2010 e em 2012, lá estava eu em 2013 respondendo "nem um pouco, quero ficar". Enrolei até o último minuto para arrumar a mala e dormi com um nó na garganta.
Meus amados host parents

Pra falar a verdade, dessa vez eu estava sim com vontade de voltar, não aguentava mais o frio e a falta de sol estava acabando comigo, também a constante falta de dinheiro e o fato de morar tão longe de tudo não me animava muito, mas não queria deixar aquilo para trás, minha família, meus amigos, minha paixonite, aquela neve, aquele mar...não queria dizer adeus mais uma vez para o país que cuidou tão bem de mim, que me ensinou tanto.

Na sexta feira, dia 15 de fevereiro, deixei a casinha amarela mais uma vez, Birgitte chorou, Jorgen mandou eu me cuidar e peguei meu último trem. Maya estava esperando por mim no aeroporto e ficou comigo até a hora do voo.  
E 32 horas e 3 voos depois, lá estava eu, em Belo Horizonte, mas ainda sem saber se onde minha cabeça ficou, muito menos meu coração. Deu vontade de chorar ao abraçar minha família e vontade de chorar ao lembrar do que deixei pra trás. "Deixa de ser boba mulher, já fez isso tantas vezes!" Mas isso só torna as coisas mais difíceis. Nunca deixarei de sentir por aqueles que estão longe, agora tenho duas vidas, e é tarde demais para me desligar de qualquer uma delas; Já aceitei a minha sina, aceitei que sempre estarei com saudades de algo ou alguém, mas agora tenho a certeza que, não importa onde eu estiver, eu nunca estarei sozinha.






quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Curiosidades da Dinamarca 2

Mais algumas coisinhas para contar para vocês, mas já vou avisando que vai sair uma bagunça porque estou sem tempo pra mim, imagina pra esse blog né? Afinal, amanhã já volto pro Brasil!!! Então bora lá né:

Não é normal pedir uma pizza para duas pessoas, normalmente se pede uma pizza média para cada, na verdade é muito mais comum pedir uma grande para cada do que uma para dividir.

As motos daqui não andam nas mesmas ruas que os carros, andam na pista de bicicleta (tem ciclovias em todos os lugares aqui) e em velocidade reduzida. Bem mais seguro para todos né?


Falando em bicicleta, muita gente e eu disse MUITA MESMO, anda de bicicleta aqui, homens de terno, mulheres de salto alto, pais levando até 2 filhos num carrinho adicional, crianças indo pra escola, até pra boate! Na saída das boates normalmente tem um estacionamento de bikes e por volta de 5 da manhã você não vê carro nenhum na rua, mas um monte de gente pedalando. Eu ando muito de bicicleta na minha cidade porque não tem ônibus, mas em Copenhague eu andei só três vezes, mas foram TENSAS! A primeira vez eu achei que ia morrer porque é muita bicicleta e carro junto, você tem que seguir as regras de trânsito e não rola de andar devagar demais, como eu estava andando, cagando de medo. Mas o pior pra mim é que a bike daqui é muito diferente, o freio não é na mão, mas sim pedalando para trás, e elas são muito altas, de modo que não dá pra simplesmente colocar os pés no chão quando você está parado e dar aquele empurrãozinho maroto na hora de sair de novo, o esquema é outro, e como eu não entendi até hoje não consigo explicar, mas o que eles fazem é ficar de pé nos pedais pra sair e depois sentar, e na hora de parar eles ficam de pé nos pedais de novo e meio que dão um pulo pra frente...ah, sei lá, só sei que é difícil! A segunda vez que pedalei em Cope foi ás 5:30 da manhã, num frio sem fim e com 3 garrafas de vinho na cabeça e a terceira foi a pior, com as mesmas complicações da primeira, as mesmas da segunda e com o problema adicional de estar com um salto enorme voltando da boate, delícia ein!

A famosa pontualidade britânica devia se chamar dinamarquesa, porque aqui o bixo pega de verdade. Se você chega no ponto de ônibus e vê que ele deve passar às 16:47, ele vai passar às 16:47, e eles levam isso tão à sério que se você chegar meio minuto atrasado no ponto e bater na porta já fechada, eles simplesmente não abrem, tem hora contada para tudo. Uma bosta porque eu estou SEMPRE atrasada. Mesma coisa em festas, se a festa está marcada para às 14:00 TODOS os convidados chegarão juntos às 14:00, é inacreditável! Até a galera da minha idade tem dessa. Na festa de ano novo que fui ano passado com pessoas entre 19 e 23 anos, o jantar antes da festa estava marcado para às 20:00 e às 20:15 estávamos nos lugares (marcados, com nome) comendo. Dinamarca é um país de velhos cricris, mesmo jovens, se é que isso fez algum sentido.


Os dias anteriores ao natal são mais importantes e legais que o dia 24 em si, na minha humilde opinião. O natal tem início no dia 1 de dezembro, sendo que nesse dia eles já começam a te desejar feliz natal. Desde esse dia eles começam a comer as famosas, deliciosas e principalmente gordurosas comidas de natal, e olha que a lista de comidas tradicionais é enooooorme. Desde a carne, até o chá, da sobremesa aos biscoitinhos, tudo é completamente diferente do que se come nas outras épocas do ano. A coisa que eu mais curto é a contagem regressiva, e há várias maneiras de se fazer isso, quase todas as pessoas fazem todas. Tem o calendário na TV, uma história que é dividida em partes e contada do dia 1 ao dia 24 de dezembro, tem o calendário de papel também, para os adultos cada dia uma raspadinha da loteria, para as crianças, cada um dia um doce, com um upgrade nos finais de semanas em ambos os casos. Outra maneira de contar os dias é queimar uma vela enumerada de 1 a 24, você deve queimar um número por dia. Pra mim essa é a mais trabalhosa, já quase botei fogo na casa dua vezes porque queria queimar de uma vez uns 3 dias que esqueci. A outra tradição, pra mim, é a mais legal: você ganha 24 PRESENTES, sim, um por dia! Olha que coisa linda! Claro que não são super presentes, são lembrancinhas, mas é super bacana. O dia 24 mesmo é uma reunião de todas as tradições anteriores, mas com muito mais presentes, muito mais comida e dança de mãos dadas em volta da árvore de verdade com velas de verdade. Aqui eu contei tudo há alguns aninhos atrás, da época que eu não gostava de vinho: http://luizapadovezi.blogspot.com.br/2009/12/natal-na-dinamarca_01.html

Aniversário é outra coisa cheia de tradições. O aniversariante é acordado com bandeiras e cantoria. O "parabéns pra você" deles é enoooorme, dá até raiva de ter que ficar lá em pé, olhando para a cara de todo mundo enquanto eles cantam aquela coisa gigantesca, e eles ainda falam um HURRA HURRA HURRA no meio que é de assustar qualquer um. Quando se faz aniversário há bandeiras por todos os lados, no mastro da sua casa (sim, cada casa tem um mastro para estiar bandeira em dias especiais), na mesa do restaurante que você vai comer, no trabalho, na escola...e como não pode faltar, também tem um bolo tradicional e você tem levar bolo para todas as pessoas da sua escola/trabalho no dia do seu aniversário e distribuir.
Meu aniversário de 2010 com os meus bolos na minha saudosa escola

Uma das coisa que percebi só dessa terceira vez aqui foi como eles conseguem ficar calados com outras pessoas por perto. Eles podem passar um tempão ao lado de uma pessoa que conhecem sem falar nada de nada por um bom tempo. Comecei a reparar isso nos almoços da empresa. Na minha mesa sempre sentam umas 6 pessoas e muitas vezes eles ficam completamente calados e eu achei a coisa mais biazarra, porque no Brasil a gente não para de falar com gente conhecida por perto assim. Mas tudo bem, tentei relevar porque eles estavam sempre comendo, até que uma noite minha host family inteira foi para nossa casa jantar, 12 pessoas, e eles agiam do mesmo jeito, com longas pausas sem ninguém falar nada, inclusive quando não estava comendo! Vocês tem noção do que são 12 pessoas, da mesma família, em uma mesma mesa, sentadas, caladas, sem fazer nada? Na minha família podemos estar em 3 pessoas que lutamos pra falar, minha mãe fala até sozinha se precisar. Achei estranhíssimo, e mesmo falando dinamarquês super mal e sendo super tímida, eu fui a que mais falei a noite toda, porque aquele silêncio me incomodava. Pra mim o pior dessa história toda é que eles ficaram umas 5 horas lá, sentados na mesa, parecia que eles estavam gostando disso, vai entender.

Então, essas são mais algumas coisas soltas que me chamam atenção nesse país, tudo mal escrito, tudo mal arrumado, mas são meus últimos momentos aqui, então tem que ser tudo corrido mesmo.


quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

O terceiro último fim de semana

Agora sim, o último fim de semana se foi, que loucura!
Desde o início do intercâmbio que ando fissurada com essa data, meu último fim de semana na Dinamarca tinha que ser épico, como sempre foi, da primeira vez passei uma das noites mais loucas da minha vida no A-bar, fiz coisas que até hoje não tenho coragem de contar para as minhas amigas, e da segunda vez eu passei o meu último fim se semana não exatamente na Dinamarca, mas sim nos alpes da França, em Les Arcs, um dos lugares mais lindos que já vi na vida, esquiando com o meu namorado da época.

E dessa vez? O que eu poderia fazer? Estava super pobre e morando no meio do nada, mesmo, então sair iria envolver um dinheiro que eu não tinha e eu precisaria de arrumar algum jeito de voltar para casa, naquelas 5 km finais em que ônibus nenhum passa. A minha brilhante solução? Ficar em casa, a decisão mais de velho que já tomei na minha vida, mas foi o que aconteceu.

Sexta de noite fui com meus host parents para um restaurante muito charmosinho e comi até estourar. Conversamos muito e a medida que o tempo passava eu sentia mais e mais o quanto eu iria sentir saudades daquilo, que mesmo já estando acostumada a dizer adeus, já fiz isso 3 vezes, eles nunca deixarão de fazer falta na minha vida e nunca vai ser fácil me despedir da minha segunda família.

Sábado acordei cedo e fui para Odense com o meu host pai. Passamos pelos campos cobertos de neve, pelos chalezinhos antigos e por um castelo maravilhoso, coisas que você vê na Dinamarca mesmo. Fomos a um shopping que para eles aqui é um dos maiores da escandinávia, mas que para mim não é nem metade do BH Shopping, mas valeu a boa vontade. Comi cachorro quente, vi um desfile breguinha, passeei bastante e no fim encontrei com minha amiga Maya que iria passar o resto do fim de semana comigo.

Voltamos para casa, mostrei a nossa casinha que mais parece de bonecas pra ela, caminhamos pela praia, jantamos pizza de kebab e passamos o resto da noite assistindo Girls e tomando vinho direto da garrafa. Nada de glamour, mas tudo que eu adoro nessa vida.

Acordei antes da Maya e tomei café, li meu livro, tomei chá com minha família, depois mais leitura e depois tomei café de novo com a Maya, e ainda me pergunto porque estou engordando né? Passamos o dia em um ritmo muito relaxado, lendo, conversando, comendo...ela me ajudou a começar a minha mala, já que eu me recusava a aceitar que em 4 dias eu estaria de volta ao Brasil e se fosse para fazer sozinha eu ficaria por ali mesmo.

No fim da noite fomos deixar Maya na estacão e trem. Eu, como o bixo preguiça que sou, não quis tirar o pijama e, me convencendo que não sairia do carro, só coloquei minhas botas cumpridas e meu casaco e saí, de blusa rosa rasgada, calca xadrez larga e cabelo desgrenhado. Chegando na estacão resolvi levar a Maya até a plataforma e fui andando com ela por um bom tempo até que ela disse: Vamos tirar uma foto juntas?
Enquanto eu pensava na possibilidade resolvi olhar para baixo e finalmente percebi: NÃO! Eu tô de pijama!!
Entrei em pânico e comecei a perceber que todo mundo olhava para mim rindo sem parar. Claro que isso não impediu que ela tirasse a foto, mas eu dei um abraco rápido nela e sai correndo pro carro onde o meu host pai estava chorando de tanto rir: Ai Luiza, você deve ser a pessoa mais devagar que eu conheço!
Que honra ein!

Voltei para casa e meu host pai, claro, teve que contar a hostória toda para minha mãe que riu até ficar sem ar. Ela serviu o jantar delicioso, depois chá e bolinhos. Passamos o resto da noite empoleirados no sofá, vendo TV, rindo e tomando chá.

O meu último fim de semana na Dinamarca não foi super maluco, não foi épico, mas foi sem dúvida o mais doce de todos.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Vester Skerninge

Eu não sei ao certo se já contei sobre o lugar que eu moro aqui, mas se contei provavelmente foi há uns 3 anos atrás, então se nem eu lembro, quem dirá vocês né? Então preparem-se para um post lotado de fotos de um dos meus lugares favoritos no mundo.

Fundo da casinha
Para quem não sabe, essa família com que moro agora é a mesma que morei nos meus primeiros meses aqui na Dinamarca, em 2009. Eles foram a minha família favorita por vários motivos, e mesmo sendo meio rígidos e paradinhos e morando MUITO longe, eles são as pessoas mais fofas e queridas que já conheci nesse país, sinto como se fossem minha família de verdade, e eles de fato me tratam assim.

Mas hoje não vou falar deles, mas sim de onde eles moram. É um vilarejo chamado Vester Skerninge, com apenas 1.000 habitantes, e apesar de se minúsculo e longe de tudo, é uma gracinha e posso dizer que um dos lugares mais lindos que eu já vi na vida, e olha que eu já rodei esse mundinho ein.

Como se não bastasse V. Skerninge ser longe de tudo e de todos, eu ainda moro fora do vilarejo, numa área afastada, com menos movimento ainda e com pouquíssimas casas espalhadas pela planície super espaçosa. A minha rua é com certeza a mais lotada de todas e ela tem 4 casas, e olha que as ruas são grandes. Moro tão longe de tudo que para chegar até a cidade que trabalho, que é a maior cidade da região (27.000 habitantes), preciso pedalar 4km para pegar um ônibus e ir com ele por quase 30 minutos até Svendborg, preguicinha né.

Apesar de morar super longe da cidade, moro a alguns passos do mar, e nesse momento eu gostaria de chamar aquilo de praia, mas na verdade a nossa prainha consiste em algumas pedras grandes e MUITAS algas pretas, mas a água é a mais cristalina que já vi. O mar é a coisa mais linda de se ver pois não tem ondas, é super limpo e como a Dinamarca é muito plana, o ponto mais alto fica a 170m, a vista da água é maravilhosa e infinita.

Praia?
O que mais se vê por aqui são vastos campos planos e sem nada, pelo menos não no inverno, mas no verão os campos verdinhos dão lugar a uma plantação dourada de trigo e no fim do verão são tomados por rolos gigantescos de trigo que serão estocados. Há também vacas e cavalos por aqui, vacas de franjinha e cavalos lindos, mas a periferia de Vester Skerninge é basicamente um lugar plano, com algumas casinhas espalhadas e o mar ao fundo. Parece chato, mas é maravilhoso e como disse a Lú quando veio me visitar "é um paraíso escondido".

Meu quarto
A minha casa orna perfeitamente com a fofura do lugar. Ela é amarela com o telhado triangular estilo chalé com o mar ao fundo, coisa linda. Dentro não é diferente, minha mãe é louca por arte e ambos são loucos por livros, então o que mais se vê por aqui são quadros por todo o canto, até no banheiro, e livros em todo lugar que você imaginar. A casa é toda de madeira clara, com o teto bem baixo e uma escada relativamente perigosa que leva ao segundo andar.

Agora, o segundo andar é sem dúvida o meu lugar favorito, e por sorte é onde fica o meu quarto. Ele tem uma salinha com sofás cobertos por peles, estantes longas cheias de livros e janelas grandes encaixadas no teto triangular. A sala tem três portas, uma obscura que eu nunca soube onde dá, uma pro quarto da minha host irmã e uma pro meu quarto, o único com vista pro jardim e consequentemente, pro mar. Meu quarto é bem grande, com o teto baixo onde eu vivo batendo a cabeça e os armários recortados para caber no quarto de formato diferente.

Desnecessário dizer que eu já me sinto em casa né? Eu morei aqui por 5 meses, sempre os visitava no meu ano de intercâmbio, os visitei ano passado e estou há um mês e meio com eles de novo, conheço cada cantinho daquela casa (menos a pota obscura) como se fosse a minha e a amo como amo a minha também.


Vester Skerninge com neve
Só de bicicleta para chegar em algum lugar
2009
Meu lugar favorito
Os rolões de trigo
2012 e a bicicleta sempre comigo
2013 e a vaca de franja

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Åhus - primeiro adeus

E o penúltimo fim de semana aqui se foi, rápido né? Lembro como se fosse ontem, eu sentada nessa mesma cadeira escrevendo sobre a minha segunda semana, com o cabelo menos seco e a cara menos redonda (amo comida dinamarquesa, fazer o que né?)

Fato é que as coisas andam mais devagar agora, não sei se é a falta de sol ou a falta de dinheiro, mas ando meio desanimada e sem muitas perspectivas para os próximos dias (tirando a degustação de narguille que vai rolar amanhã na empresa). Acho que é falta de dinheiro mesmo, queria ir para Copenhagen ou Odense, ou até mesmo ficar por aqui, mas SAIR de casa um pouco, fazer umas compras, tomar uma cerveja, sei lá, mas graças às minhas estripulias das últimas semanas eu estou pobre pobre marré deci. O jeito é visitar a minha vovó, tomar um chá com o vizinho de 70 anos, assistir as notícias com os meus host parents, ler, escrever e descansar, porque isso é de graça né galera?


Eu achei que fim de semana passado eu ia ficar presa na minha vilinha o tempo todo porque eu tinha que sossegar e parar de gastar um pouco, já estava preparando meu pijama e meu livro, mas Daniel, meu amigo de minha antiga escola, me lembrou que ele ia mudar para Åhus naquele fim de semana e eu tinha dito que iria ajudá-lo.


Dei a notícia para a minha mãe e ela disse:

-Eita! Quando que você tem paciência para isso aqui em casa ein? Eu que tenho que fazer tido sozinha! Quê que eu faco pra você ter essa vontade aqui menina?
E o pior é que é verdade, odeio arrumar, carregar e montar coisas, mas gosto demais do Daniel, ele fez tanto por mim quando eu era intercambista, sem contar que é sempre divertido passar tempo com ele. 
Aceitei o convite sem pensar, gastei mais algumas preciosas coroinhas dinamarquesas e encontrei com ele, Mathias e Lauge em Åhus. 

Foi uma noite, digamos, diferente, para se dizer o mínimo. Eu era a única menina entre os três garotões e segundo Daniel eu já era "one of the guys", não sei se isso é bom ou ruim ou até agora. Eles colocaram um heavy metal, começaram a beber cerveja e a martelar coisas, mais machão impossível né? E eu lá, toda mocinha no meio de tudo, tentando limpar as coisas e sofrendo para montar os móveis com minha força de formiga. Nem para cozinhar eu servi porque Lauge é mil vezes melhor que eu no fogão. Mas foi super divertido.


Montamos a mesa e as cadeiras, os meninos colocaram as luzes, e já era mais do que o suficiente para jantar e depois beber a noite toda. Daniel surgiu com uma cachaça Germana de mil anos atrás, de quando ele foi me visitar no Brasil, e eu fiz a festa. Jogamos uns jogos estranhos de tabuleiros e conversamos bastante.


Uma coisa curiosa que conversamos foi a diferença entre os meninos daqui e os do Brasil. Os meninos aqui não usam camiseta polo "mamãe tô forte" como alguns boys por ai, nem regata, só se forem "roqueirinhos" e ela for larga, não ligam muito para o corpo, cabelo, rosto, mas se preocupam com a roupa estilosa, tipo calça skinny e camisa social. Você nunca vai achar um dinamarquês bombado, no máximo em forma porque faz algum esporte, mas monstro de músculos não, eles são bem magrinhos. Eles são amigos de verdade e falam que se amam sem medo de parecer menos homem por isso, falam quando um homem é bonito de verdade, sem falar que é só "boa pinta". Eles são muito mais sensíveis, não falam baixarias sobre mulher e você pode sim dormir no mesmo quarto de um cara, ou até na mesma cama, que ele não vai tentar nada, eles respeitam as meninas e não tomam nenhum tipo de iniciativa sem antes perceber algum sinal dela. Um brasileiro cabeça fechada pode ler isso e falar "viadagem pura", mas isso nem passa pela cabeça deles, eles não duvidam da sexualidade de um cara assim.


Mas, em compensação, um cara que vai para a academia, usa camisa/camiseta colada, gosta de ter músculos, depila/raspa o peito, faz questão de mostrar o tanto que é pegador e se preocupa demais com a aparência das meninas, para eles, é gay enrustido, eles o chamam de "pretty boy".


Eu achei a coisa mais hilária do mundo como eles pensam diferente. Eu sempre achei que os dinamarqueses agiam da maneira que agem porque nem pensam se estão sendo femininos ou não, mas na verdade eles pensam sim, o que acontece é que os famosos playboys que são os afeminados no mundo deles, vai entender.


Não prefiro nem um nem outro. Do mesmo jeito que odeio homem machão que se acha pegador e se preocupa mais com o meu corpo e o dele do que eu, também não curto muito o jeito que alguns dinamarqueses se vestem, e nem é a coisa mais agrádavel do mundo ouvir certos elogios que os caras direcionam ao seus amigos, muito menos ver um selinho ou outro entre eles de brincadeira. Não dá pra juntas os dois não gente?


Anyways, vivendo e aprendendo né? Viajando e se assustando também.


Dormimos depois das 4 da manhã e acordamos às 10 porque os meninos tinham que terminar de montar as coisas, eu não porque estava com um mal humor do cão, sei lá porque... aliás, sei, mas não posso contar. 


Por volta de 14:00 tivemos que nos despedir de Daniel. Ele me deu um abraço rápido e pela primeira vez na minha história com a Dinamarca eu não fiquei com vontade de chorar por um despedida. Não porque não vou sentir saudades dele, vou e muita, mas porque tenho a certeza que logo o verei de novo e sei que nossa amizade vai continuar a mesma. Ele é do tipo de amigo que posso passar 5 anos sem vê-lo, mas quando eu o encontrar de novo ele vai estar do mesmo jeitinho, me sacudindo, me zoando sem parar e me protegendo ao mesmo tempo . 


Por fim eu, Mathias e Lauge pegamos a van de mudança e caímos na estrada, coisa mais estranha, mas foi divertido até. Chegando em Odense mais despedida, Lauge me deu um abraço carinhoso e apertado e disse "vi ses" como se fossemos encontrar logo no dia seguinte. Mathias me deu um abraço e um beijo amigo e disse que tinha sido ótimo passar esse tempo comigo. Saí a passos rápidos sem olhar para trés e fingindo que eles já não estavam mais ali, me convencendo que tinha acabado e pronto.


Ai que aperto no coração, ai como eu odeio me despedir das pessoas que amo. Eu devia ter pensado nisso antes de me meter nessa vida dupla, mas agora já era. Independente de onde eu estiver, vou estar sempre longe de muitas pessoas que amo, vou estar sempre com saudade de alguém que está muito longe. A vontade é de arrumar uma ilha e colocar todos os meus amigos e famílias, mas como isso não é possível, sigo assim, dizendo olá, dizendo adeus e sentindo saudades sem parar.



quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Curiosidades da Dinamarca

Quem me conhece sabe que eu estou sempre falando de certas curiosidades e peculiaridades da vida aqui na Dinamarca, mas a cada dia descubro uma nova e percebo como esse país é especial e estranho ao mesmo tempo. Algumas das coisas que vou colocar aqui eu já falei e outras eu descobri há pouco tempo.

A Dinamarca é um país com menos de 5 milhões de habitantes e tão pequenininha que é possível cruzar o país em menos de 5 horas. E eu viajando 12 horas todo ano para visitar minha vó em Macaubal (SP) ein! O engraçado é que por toda a Dinamarca as tradições são exatamente as mesmas e o comportamento do pessoal também, mas, não sei como, eles conseguiram ter sotaques e dialetos diferentes em cada região, só para complicar a vida da intercambista aqui...

Foto muito antiga com a hostsister. Se você perguntar a
cor do cabelo dela, te responderão: castanho
Todos são loiros? Olha, pra mim, a grande maioria sim, mas pra eles não. Eles acham que poucos são loiros de verdade aqui e que é na Suécia que tem loiro mesmo. Explico, loiro para eles é quase platinado, o que a gente chama de loiro no Brasil aqui chama "leverpostej faver", ou seja, cor de um patê de fígado que eles tem aqui, olha que terror!

Todos tem olhos azuis? Sim, isso sim, se eu vi 3 pessoas com olhos escuros aqui foi muito e essas pessoas eram meu ex namorado que é filho de americano, uma amiga que é filha de africanos e um amigo filho de brasileira, então sim, TODOS tem olhos claros.

Todos tem cabelo liso? Sim! E muito! É hilário ver as meninas tacando mousse no cabelo de cabeça para baixo tentando ter algum voluminho.
Agora me imagine, de cabelo quase preto, enrolado e olhos castanhos no meio dessa galera? Já me perguntaram mais de uma vez se eu tive algum avô ou avó que veio da África, e olha eu sou italiana, então imagina como eles estão mal acostumados né.

         Algumas das várias maneiras de comer Rugbrød
A comida aqui é uma das coisas mais importantes do país, eles só falam de comida, tem uma comida especial para cada época do ano e o jeito que eles comem as coisa é bem definido, por exemplo: todo dia, e eu digo TODO dia mesmo, eles comem um pão bem preto e duro com muitas sementes e colocam alguma  coisa por cima. A regra é: 1 pão, manteiga, alguma proteína e um complemento, mas se você acha que pode combinar qualquer coisa está enganado. Se você quer ovo tem que ser com maionese sal e pimenta, se quer salame também, mas se você quer peixe tem que ser com remoulade (uma coisa amarela daqui) e cebola, mas não é todo peixe que tem cebola e nem todo peixe que pode ser com remoulade, tem um que é com salada de curry...tudo muito complexo, mas você aprende rápido com os olhares de reprovação quando você coloca remoulade no salame.

Exposição do corpo tem outro significado aqui, você nunca vai à praia com biquínis pequenos, mas pode andar pela casa de roupa de baixo, e olha que as calcinhas daqui não são das maiores não! E eles não dormem de pijama, só de cueca ou calcinha, eles falam que não veem o sentido em colocar roupa para dormir. Como eu tive muitos amigos homens aqui e não tem problema dormir no mesmo quarto que eles (taí outra diferença), já perdi a conta de quantas vezes eu me assustei com eles tirando a roupa na minha frente, e eu acho que nunca vou me acostumar, mesmo passando uma semana em um quarto de hotel com outros 5 meninos que dormiam só de cueca todos os dias.

Todo mundo fala inglês aqui, você consegue ter uma conversa fluente com desde um menino de 10 anos até uma senhora de 60, de garis a pedreiros, motoristas de ônibus e caixas de supermercado, todos falam inglês bem.

Abacate se come na salada com sal. Erva doce é para salada, não para o chá. Chá de camomila é coisa de gente doente, nunca tomam esse chá normalmente. A sobremesa é muitas vezes queijo. Cerveja se toma à "temperatura ambiente", nunca gelada. Tomar mais de 5 caneconas de chá em um dia é normal. Tomar uma mega caneca de café logo antes de dormir, também. Eles acham estranho colocar sal na salada.


Por enquanto é só, caso tenham dúvidas é só mandar por aqui ou pelo face :)

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Vi elsker København


(antes de começar a escrever já vou avisando que se eu ando confundindo Copenhague com Copenhagen esses dias, sei lá porque, e se sair errado aqui não me crucifiquem)

E o quarto fim de semana se foi, aliás, mais da metade dessa minha aventura já está para trás. Não sei se passou rápido ou devagar, só sei em que estou entre a vontade de voltar para o Brasil e vontade de fazer muito mais aqui, ver mais gente, aprender mais, aproveitar o que já tenho...


A semana em si foi normal, como todas que ando tendo por aqui, muitas horas na frente de um computador, muito inglês e dinamarquês, visitas à vovó fofa, cinema com os host pais, jantares, chás, chocolates...o de sempre.
O fim de semana foi anormal e cansativo, como sempre também. Era o último fim de semana da Lú aqui e fui encontrar com ela em Copenhagen e visitar os meus lugares favoritos.

Logo quando cheguei fomos fazer umas compras no supermercado local e quando estava pegando o meu amado Mokai (se você não sabe o que é, não sabe o que está perdendo) encontrei com Awiti, uma antiga colega de sala que mora com a Maya hoje em dia. Resolvemos passar na casa delas e depois as duas foram para o nosso hotel. Ficamos todas sentadas na cama jogando conversa fora, elas tentando me convencer a mudar para a Dinamarca, eu chamando-as para o Brasil.
Só na entrada que pode tirar fotos

Depois fomos até à Christiania. Não sei se já falei desse lugar aqui, mas sempre vale contar mais. Uma espécie de comunidade criada nos anos 70, se eu não me engano, quando algumas pessoas ocuparam uma área abandonada da cidade. A Christiania é considerada uma cidade livre, não é controlada pelo governo dinamarquês e quem administra o local são os próprios moradores em um espécie de anarquia. Eles tem escolas, lojas, restaurantes e tudo mais e vivem muito bem em harmonia, decidindo juntos sobre o futuro da comunidade, respeitando a todos e sem hierarquias. As autoridades dinamarquesas já tentaram acabar com a Christiania diversas vezes, mas sem sucesso, eles são muito organizados e tem muito apoio. Os motivos pelos quais querem acabar com a Christiania são vários, mas principalmente porque eles não pagam impostos e lá dentro a venda e uso da maconha são liberados. No Green Light District você vê as bancas de ervas e cigarros prontos de todos os tipos, vê também pessoas sentadas ao redor de latões cheios de fogo fumando, vê turistas comprando lembrancinhas e os moradores simplesmente indo para suas casas em bicicletas. Há diversos cafés por lá onde é permitido fumar, mas eles não vendem nada com álcool. Outras regras são a de não tirar fotos, não correr (causa pânico) e não é permitido usar e vender certas drogas mais pesadas.

Enfim, fui com a Lú lá porque independente de ser contra ou a favor da maconha eu acho a Christiania um lugar super interessante por sua história e ideologia que vão muito além das drogas. Passeamos um pouco por lá. É um lugar feio e bonito ao mesmo tempo, feio por conta dos latões negros cheio de fogo espalhandos pela praça, da grama meio sem cortar, pelos prédios velhos e escuros, mas muito bonito pelo lago, pela floresta, pelas casa únicas e interessantes, pelas artes nas paredes e muros e principalmente pelas pessoas agradáveis que lá vivem.

Quem não ama esses guardinhas?

Ainda em Copenhague, visitamos Amalienborg, o castelo de inverno da Rainha Margrethe, ou Margarida, como falam no Brasil, ou Dona Margarete, como eu e Lú gostamos de chamar, porque fica parecendo que ela é nossa comadre. A dona Margarete é a rainha mais legal de todos os tempos, não vou falar que ela é simples, nem humilde, porque isso deve ser impossível para uma rainha, mas acho que ela é muito mais próxima do povo do que muita rainha por ai. Ela não anda com muita segurança, visita escolas, está sempre fumando, anda com roupas normais e dizem que ela as vezes atende a porta da própria casa. Eu já a vi 2 vezes nessas minhas vindas à Dinamarca, uma vez, no ano passado, em seu jubileu de 40 anos em que ela apareceu na sacada de Amalienborg com sua família linda e a outra vez, há 3 anos, foi quando eu estava esperando para assistir um ballet no teatro de Copenhagen e todos levantaram de repente e quando vi, era a rainha acenando e sorrindo, indo se sentar no seu lugar para ver o ballet também. Detalhe que na porta não se via nada demais de segurança. 

De volta ao castelo, tiramos muitas fotos, fizemos hora com os guardinhas, a Lú levou um chega pra lá de um quando ela estava em seu caminho e partimos de novo para ver a Igreja de Frederiks, The Opena House e o charmosinho Nyhavn.

Os pontinhos pretos perto da outra ponte são as bicicletas

Outra coisa que fizemos em Copenhague não foi bem em Copenhague, pois resolvemos ir para Malmö, na Suécia, cerca de 25 minutos de trem de Copenhague, mais perto que a cidade que moro agora né! Custou por volta de 40 reais, ida e volta, razoável quando você pensa que é uma viagem para outro país. Eu já tinha ido lá há algumas semanas com a Maya, mas o lugar estava bem diferente. Tinha nevado e o frio estava INSUPORTÁVEL! Tão frio, mas tão frio que o rio da cidade congelou e vimos, não uma, mas duas bicicletas em cima do rio, lá, paradonas, como se fosse em um chão duro e não água. Passeamos um pouco e comemos, mas não aguentamos muito e voltamos para a Dinamarca e seus agradáveis e suportáveis 0 graus.


De noite fomos para um lugar chamado Club Mambo com a minha amiga Camilla. Eu também já estive lá, mas há muito tempo atrás. Cheguei e achei tudo meio estranho porque todo mundo só falava inglês, inclusive os funcionários, mesmo com os dinamarqueses. Logo descobri o porque, devia ter mais latino americano do que qualquer outra coisa naquele lugar. Uma loucura! Uma brasileirada sem fim, coisa que nunca vi igual aqui na Dinamarca. O lugar era tão latino que em uma das pistas de dança só tocava salsa, reggaeton, sertanejo e funk, bizarro. O pior é que dessa vez nem me destaquei com meu rebolado porque tinha gente que dançava mil vezes melhor que eu. Na outra pista de dança estava rolando uma batalha de Hip Hop e foi super bacana de assistir, a galera dançava bem demaaaaaais! Então perceberam que não foi o melhor dia para mostrar os meus talentos né?


O fim de semana acabou rápido demais e acordei na segunda feira às 4:30 da manhã sem acreditar que teria que pegar um trem e estaria na minha cidade dalí a algumas horinhas trabalhando. O dia no trabalho foi longo demais e quando o relógio finalmente marcou 16:00 eu recebi uma mensagem da minha host mãe falando que eu teria que voltar de bicicleta. E lá fui eu, coloquei minha mochilinha de 9kg nas costas, minhas luvas, destranquei minha bike muito magrelinha e parti para os 4km até a minha casa num vento danado. Enquanto estava no meio do caminho, morta, com o rosto gelado, a parte de dentro do casaco pegando fogo, tentando me equilibrar nos bolos de neve, quase caindo com o vendo no sentido oposto e minha mochila pesada, reclamando do meu azar e com pior o humor do mundo, vi um cervo, ainda jovem, pulando assustado do meu lado. Ele me acompanhou por poucos segundos, mas a imagem daquele animal tão lindo e tão gracioso, saltando pela neve até sumir de novo pela floresta me acompanhou até em casa e enquanto trancava a minha magrelinha eu pensava "Eu sou a pessoa mais sortuda do mundo".



segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Lá estava eu na cantina, sentada na mesa de almoço, conversando com os únicos dois caras jovens ( e muito bonitinhos) da empresa. Uma conversa super animada sobre boates, cervejas e noitadas começou a se desenvolver e eu, sem nem preceber as pessoas que se sentavam em nossa mesa, comecei a contar mil histórias sobre porres federais e festas loucas. De repente o velhinho sentado ao meu lado começa a rir e eu decido ver quem era..ai, pra que? Era nada mais nada menos que o precidente de toda a Companhia...



quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Loucura em Londres


Quinta feira passada:
-Oi mamãe! Tudo bem?
-Oi Luiza, o que foi?
-Nossa, tem mais de uma semana que não nos falamos e você me trata assim?
-Anda minha filha, tô trabalhando!
-Tá! É só pra avisar que esse semana eu vou estar meio incomunicável...é que eu vou pra Londres...
-O QUE? É sério isso Luiza? Não acredito que você vai fazer uma coisa dessa! Você nunca me escuta! Você é muito sem juízo! Você...
-Também te amo mommy, até segunda.
Minha mochila inseparável e euzinha, ainda inteira

E assim, como se fosse uma viagem para a cidade ao lado, eu fui para Londres, ou pelo menos decidi que iria, porque o caminho Copenhage/Londres se mostrou muito mais difícil do que eu imaginava.

Na sexta feira fui com a Lú para o aeroporto e assim que chegamos lá recebemos a notícia de que todos os voos da British Airways estavam cancelados. Muito babado, confusão e gritaria depois, conseguimos um hotel mara (beijos, Hilton) e um voo para a manhã seguinte. Acordamos às 4 da manhã e partimos.

The Houses of Parliament e Big Ben
Eu já tinha ido há londres no ano passado, passei uma semana lá e vi bastante coisa, mas dessa vez eu estava com uma bailarina e não com um jogador de futebol, como da outra vez. No lugar de ir para o estádio do Arsenal, fomos para a Royal Academy of Dance e no lugar de assistir rugby em um Pub cheio de homens, assistimos Onegin no Royal Opera House com nada mais nada menos que o Royal Ballet e Alina Cojocaru. Foi um sonho realizado! O teatro é maravilhoso e tudo é arte pura. Casa LOTADA, com gente de todas as idades e estilos, estava tão cheia que os únicos 2 lugares livres eram em pé, o que não nos impediu de ver o ballet, claro. Foi a coisa mais linda e emocionante que já vi na vida. Eu já assisti o Kirov, o Bolshoi, Ballet nacional de cuba e até o próprio Royal Ballet, mas nunca assim, nunca naquele lugar em que eu sempre via nos DVD's, com as cadeirinhas vermelhas, a orquestra, a cortina gigantesca e os bailarinos maravilhosos. Meu coração assistiu a tudo em capotes e nem percebi que ficara quase 3 horas de pé. 

No domingo acordamos cedinho com a ideia de aproveitar o nosso último dia ao máximo. Saí já com a minha mochila nas costas para não precisar perder tempo voltando no hotel.

Frio na fila
Fomos ao Parlamento, ao Big Ben, Tower of London, Tower Brigde...Enfim, tudo bem turistão e tranquilo. O bixo começou a pegar quando resolvemos ir para a Londo Eye, aquela super roda gigante de Londres. Da última vez que fui a Londres ela estava parada e a Lú queria ir de qualquer jeito, então animei enfrentar a fila. E que fila...Eu odeio esperar, mas odeio mais ainda esperar debaixo de neve com chuva, no frio sem fim, com a mochila nas costas e as meias mais molhadas que o Thames River (isso que dá não ter bota própria para a neve). O que pareceu uma eternidade depois, finalmente conseguimos entrar na London Eye.

Eu não aguentava mais o frio nos pés e, farofeira como sempre, tirei as botas e troquei as meias, alí mesmo, no meio de mais um tanto de turistas, mas não antes sem colocar um plástico para me proteger das próximas poças super gelatas. Sinto muito gente, mas tentem andar com o pé ensopado em um frio de 2 graus nagativos e vocês me entenderão! A volta na roda gigante foi muito bacana e realmente é algo que deve ser feito em Londres, mas nada que eu faria mais de uma vez em minha vida.

London Eye
Depois fomos à Oxford Street fazer compras,mas não aguentamos muito e resolvi que já era hora de ir para o aeroporto, Luiza voltou para o hotel, ela só iria embora no dia seguinte. 

Depois de uma pequena luta para ordenhar 20 librazinhas do meu cartão problemático, finalmente consegui pegar um trem para o aeroporto, mas tive a capacidade de descer no terminal errado, o problema é que o aeroporto Heathrow é gigantesco e não dava para simplesmente andar até o terminal 5, eu teria que pegar um ônibus.

Consegui chegar no terminale fiz o check in, não sei bem que anjinho da guarda que fez isso, mas acabei caindo na primeira classe e poderia aproveitar do lounge executivo da British Airways.

Eu, sempre comprando as passagens mais baratinhas, nunca tinha visto a área VIP do aeroporto e fui correndo dar uma olhada no tal Louge. Não acreditei quando vi. Era um lugar enorme com um monte de computadores, TVs, Video Games, almofadas em um canto, um bar enoooorme como todos os tipos de bebida finas que você pode imaginar em outro, uma super maquina de cafés, chás, chocolate quente e tudo mais e bem no meio um buffet super rico com saladas, massas, sandwiches, queijos, pães, bebidas e muuuuitos vinhos. Eu fiquei até meio receosa de aproveitar tudo, meio jeca da minha parte, mas não acreditava que TUDO aquilo era "de graça". Não conseguia acreditar na minha sorte e relaxei achando, ingenuamente, que os meus problemas estavam no fim, mas não foi bem assim.


Esperei um tempo ali e fui pra sala de embarque, fiquei quase uma hora esperando a chamada do voo, até que finalmente ouço a voz no microfone, mas ao invés do convite para o embarque o que ouvi foi: Boa noite senhoras e senhores, a aeronave já está em solo e os comissários estão à postos para o voo, mas não temos pilotos disponíveis para o momento e não sabemos quando teremos.


Como assim? Isso existe? Sem previsão de partida? Dei a notícia para os meus Host pais e logo veio a mensagem "acho que você terá que dormir em Copenhagen hoje, não tem mais trens para Fyn essa noite" Maaaaaravilha ein!


Fiquei revoltada! Voltei para o louge e comi/bebi tudo que podia e ainda roubei altas batatinhas e cookies, como se eu estivesse dando uma lição na fanfarrona da British Airways que me deixara na mão pela segunda vez em um mesmo fim de semana. A medida que as horas passaram a raiva se transformou em desespero, primeiro porque eu não sabia onde dormir aquela noite e segundo por ter que trabalhar bem cedo no dia seguinte e terceiro por estar tão cansada. Chorei feito um neném, sozinha, sem rumo, sem lugar para dormir, sem dinheiro, com frio e num país em que ninguém falava a minha língua.

Derrotada

Conversei com alguns amigos pela internet e eles me acalmaram, Daniel, meu antigo colega de sala, disse que eu poderia dormir na casa dele e eu me acalmei mais um pouco, mas me acalmei de vez quando percebi que o desespero só ia piorar a minha situação, que eu não podia fazer mais nada e que a única coisa que eu tinha pra fazer ela relaxar e esperar.

O voo finalmente saiu e eu finalmente cheguei à Copenhague, com 5 horas de atraso. Já eram 3 da manhã e como eu teria que pegar o trem às 5:30 do dia seguinte resolvi tirar um cochilo nos bancos do aeroporto mesmo. 

Acordei toda amassada, lavei o rosto, peguei o trem e parti para mais um dia de trabalho, como se nada tivesse acontecido.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Um pouco de Brasil na minha Dinamarca


Meu segundo fim de semana passou voando, mas trouxe um pouquinho do Brasil para mim, não me deixando tão imersa nessa minha segunda vida e me lembrando do que deixei pra trás. Minha amiga Luiza chegou no sábado de tarde para me visitar e fui buscá-la no aeroporto. Foi a coisa mais esquisita do mundo poder falar minha própria língua depois de mais de uma semana falando tudo, menos português. Perdi a conta do número de vezes que comecei uma frase em inglês e ela olhou pra mim sem entender porque eu estava estranha.
Depois de comer, pegamos o trem para Valby, onde uma amiga minha mora, e andamos MUITO pra chegar, porque eu estava perdida e não sabia chegar no bendito prédio. Neve demais e peso demais, quase matei a pobre coitada da Luiza, mas chegamos. Essa minha amiga é a Camilla, ela era minha vizinha na segunda família do meu tempo de intercambista, e além de ser um amor de pessoa, ela tem uma paciência de Jó porque animava passar chapinha no meu cabelo (super volumoso e super duro) toda vez que a gente saía, como não amar né?

Íamos sair para uma boate mais tarde e começamos a beber. Eu já sabia que os dinamarqueses bebem mais que a gente, mas fiquei chocada quando resolvi medir o quanto a mais que eles bebem. Comecei a comparar o que eu bebia com a Camilla, a Lú não podia entrar na competição porque tava sofrendo com o jetlag, coitada. Eu bebi uma latinha de cidra, depois 3 de cerveja e um copo de Bacardi com suco. Ela bebeu Uma garrafa de champagne inteira, 2 cidras, 3 copos de Bacardi com suco, mais o resto quando eu parei de contar. Fígado viking, ou o que? E quero deixar bem claro que eu não sou mulherzinha pra bebida não ein!


Saímos e eu tive a brilhante ideia de ir de short, camiseta de alcinha, casaco e mais nada... Só retardo mental explica! Devia estar uns 2 graus negativos e eu juro que nunca senti tanto frio em toda minha vida, parabéns pra mim.


A boate era ok, eu já ido lá, pagamos pouco mais de 50 reais e era open bar, o que foi bom e ruim ao mesmo tempo. Bom porque open bar é sempre bom, e ruim porque a bebida de graça foi uma arma e tanto para as meninas que detestaram a ideia de ter duas brasileiras no território delas. Parece que todo mundo meio que se conhecia naquele lugar, era uma boate pequena, e a notícia da chegada das intrusas se espalhou rápido demais. Todas as meninas olhavam meio torto pra gente, e AI do menino que olhasse também, ou ele levava um empurrão ou eu. Se ele viesse conversar então eu era alvo de ódio mortal, teve até uma hora que um menino que já estava ficando com uma menina veio falar comigo e que me rendeu um drink inteirinho jogado no meu cabelo. Biscates alto nível né? Pelo menos a vodka era Absolut.


A boate não rendeu muita coisa boa, mas mesmo assim chegamos em casa depois das 5 da mnhã. Acordamos destruídas no dia seguinte e eu e Lú fomos encontrar com um amigo (ou O amigo :p), porque ele tinha marcado de me mostrar algumas coisas da cidade já há algum tempo. Andamos muito, MUITO mesmo, e olha que eu gosto de andar, mas foi meio demais pra mim. Ele nos levou na casa da orquestra real onde assistimos uma apresentação de piano e voz, depois passeamos pelo parque, pelas ruas do bairro dele, tomamos um chocolate quente delicioso, fomos a um museu, compramos comida italiana e terminamos o dia na casa dele comendo o melhor macarrão que eu já comi na vida, bebendo vinho e conversando. 


Segunda acordamos cedo, guardamos as malas na Estação Central e fomos às compraaaaas! Quase nada estava aberto, as coisas abrem por volta de 10:00, se não mais tarde, e fecham super cedo, uma tristeza. Ficamos andando pelas ruas vazias até que ví uma mocinha perguntando alguma coisa para as pessoas na rua. Quando ela me viu, para o meu pânico, veio em minha direção e eu fiz cara feia porque detesto esse povo que fica tentando te enfiar alguma coisa doida para você comprar, mas ela abriu um sorriso e disse:


-Quer nos ajudar a abrir a loja da Disney?

Minha cabeça super adulta e centrada falou que aquilo era uma bobeira sem fim, mas como eu nunca escuto essa chata eu respondi com o maior sorriso do mundo:
-Claaaaaro!

Fizeram o maior teatro, as arvores começaram a piscar, a música começou a tocar, falaram da magia da loja, dos personagens, da minha princesa favorita (Bela, sempre), bateram palmas, fizeram UHUL e me deram uma chave verde enoooooorme para que, no final da contagem regressiva super animada, eu pudesse abrir a loja. Bando de doidos, mas eu amei!


Passamos o resto da manhã pelas ruas e de tarde voltamos para a minha cidade, onde a Luiza pode ver como moro no meio do nada e como é o nada mais lindo desse mundo.


terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Legítima dinamarquesa

Nem acredito que esse foi apenas a minha segunda semana aqui, me sinto como se já estivesse aqui há meses, as coisas que acontecem e aconteceram no Brasil me parecem tão distantes que é como se a única vida que eu tivesse fosse essa aqui, nesse frio, comendo essa comida deliciosa, conversando com essas pessoas maravilhosas e sendo nada além de mim mesma. Sim, porque eu sou diferente aqui do que eu sou no Brasil, não sei explicar bem porque, mas parece que as tradições, os costumes e o modo de agir dos dinamarqueses já me sõ tão familiares que eu me sinto parte disso tudo e acabo agindo como eles.

Passei a semana passada toda imersa nesse mundo dinamarquês. Trabalhei o dia todo e convivi com pessoas bem mais velhas que eu, bem diferentes, mas que me faziam sentir parte da empresa, como nunca imaginei que seria possível. Conversei com pessoas do Peru, Chile, Argentina, Uruguay e Brasil, almocei todos os dias em uma mesa lotada de executivos super sérios, mas que pareciam crianças quando ouviam as minhas histórias sobre o Brasil, fui meu supervisor foi sempre muito rígido, mas também fez uma pausa do trabalho duro para tirar fotos minhas na neve, falei inglês, dinamarquês e espanhol, aprendi sobre taxas, tributos, leis do mundo todo e contactei importadoras...será que virei gente grande?


Também passei muito tempo na companhia da minha família nos jantares deliciosos e os chás de sempre. Eu não sou mais a intercambista que estava alí perguntando tudo sobre a Dinamarca, agora sou parte da família, e peço conselhos de trabalho para o meu pai, conto das minhas angústias para minha mãe e converso sobre garotos com a minha irmã.


Além da minha vidinha cotidiana e rotineira, tive o meu primeiro encontro dinamarquês de verdade. Tomei um susto quando o menino disse que iria despencar de uma outra cidade, há mais de uma hora da minha casa, só para me buscar, me levar pra jantar, me deixar em casa de novo e voltar dirigindo para no meio da noite. Achei bizarro, de um jeito fofo, claro, um cara viajar para ter algumas só algumas horinhas comigo, que não sou nada dele, e nem vou ser porque em breve volto pro meu país. Contei a história para minha irmã, chocada, e ela não me pareceu muito assustada, disse que os meninos daqui fazem isso mesmo, se não mais, por uma menina com quem quer conversar e mais nada. Chocada, e chateada que no Brasil as coisas não são bem assim, eu resolvi ir no encontro.


Ele veio direto do trabalho e saímos para um café muito charmoso. Passamos mais de 5 horas lá, conversando sobre tudo, rindo terrores e quase não comemos. Depois a volta pra casa, que deveria durar uns 20 minutos, durou mais de uma hora. Ele parava o carro o tempo para apreciar a neve hipnotizante que não parava de cair, parecíamos duas crianças, falando todo o tipo de bobagem enquanto aqueles flocos brancos enormes dançavam pela escuridão infinita.


No dia seguinte acordei destruída de sono, mas muito feliz, não apenas pelo encontro, pelo trabalho ou pela minha família, aquela felicidade toda era pela certeza que eu tenho uma nova vida, uma nova identidade que já me é muito confortável. Pros lados de cá não sou mais Luiza Padovezi, a estudante de direito e bailarina nas horas vagas, na verdade sou a segunda filha, a primeira estagiária, a intercâmbista que voltou, a única amiga estrangeira,  sou, na verdade, a brasileira mais dinamarquesa que eles já conheceram.