domingo, 21 de fevereiro de 2010

Uma semana diferente com Maya, Julie, Daniel e pessoas aleatórias de Oure

A semana começou normal, com o mau humor sem tamanho da segunda feira depois de uma noite mau dormida. Primeira aula de física, não que eu preste atenção, mas até aquelas continhas no quadro estavam me tirando do sério. O pessoal da sala estava me olhando meio torto por conta de uns acontecimentos do final de semana e gente que nunca olhou na minha cara veio falar comigo, vai entender...
Na hora do almoço Maya veio me perguntar se eu ia ver a apresentação de dança com o pessoal. Eu não estava nem um pouco afim de viajar duas horas, ver mais uma apresentação sem noção de dança moderna e depois voltar master tarde pra casa.
-Como não???? Você TEM que ir!!! É o ballet REAL da Dinamarca!
Meus olhos até brilharam
-Ballet? Ballet clássico?
-Sim! Les Silfides e Sinfonia IC do Balanchini!
-BALANCHINI??? EU VOU!
Mas como eu ia fazer? Meus hosts não sabiam de nada, era muito tarde para eles me buscarem e eu não tinha nada pra dormir lá, não tinha roupa de ballet pro dia seguinte... Mas ai aquele sonho(tava mais para pesadelo) me assombrou mais um vez, eu só tenho 4 MESES aqui!! Que se f*&%! Eu vou pra esse negócio e dou meu jeito.
E quer saber? Foi a melhor coisa que eu fiz! Eu não tinha noção do quanto ballet clássico me fazia falta, do quanto eu sentida saudades das sapatilhas de ponta, dos repertórios e afins. Sem contar que foi no teatro Real!!! Lindo! Todo dourado com acentos de veludo vermelho, um orquestra maravilhosa, um lustre que vale mais que eu mesma e pinturas maravilhosas no teto. Eu parecia uma criancinha deslumbrada no meio de tanto luxo e beleza, para completar, de repente, todos se levantam olhando para a cabine mais perto do palco: era a Rainha!!! Quase morri!
O ballet foi lindo e mesmo dormindo super tarde e ficando morta no dia seguinte valeu a pena cada segundo!!
A terça foi "normal", a diferença era a maneira que algumas pessoas estavam me tratando.
Quarta parecia ser um dia normal, mas logo no almoço Benjamin me perguntou se eu iria no aniversário que seria mais tarde. Eu tinha esquecido completamente sobre isso, e tipo, festa quarta feira? Mas mais uma vez o sonho maldito veio me assombrar e resolvi dar meu jeito. A Maya tinha sumido o dia todo e ela precisava de uma folga de mim, mas como iria fazer? Ela é a única com cama extra... por sorte a Julie veio me falar que a colega de quarto dela não estava lá e que eu era bem vinda. Liguei para meus pais e eles disseram que tudo bem. O plano era ir para casa, pegar minhas coisas e voltar as 21:00, mas quando estava no ponto de ônibus Christina me viu e gritou:
-Você vem mais tarde Luiza?
-Pro aniversário? Sim
-Não, pro workshop de dança
-WTF??
Me esqueci da droga do workshop com a professora suíça. Era às 19:00 e eu fiz milagre pra chegar a tempo, com direito a correr atrás de ônibus e tudo!
A dança foi ok e fui pra "festa" com Julie, Maya e umas meninas. Uma palavra: BROCHA! A tal festa não passava de uns meninos bebendo, outros conversando e a maioria vendo um jogo na TV, aliás, os dinamarqueses tem essa mania de venerar times de outros países. é muito mais fácil você achar um menino que torce fervorosamente para um time da Espanha, Inglaterra ou até EUA e não liga pros times locais do que o contrário, como acontece no Brasil.
Ficamos um pouco lá. A aniversariante já estava pra lá de Bagdá falando dinamarquês comigo e tentando me empurrar pra um garoto. Acabei saindo de lá e fui parar o quarto da Laura e Frederikke com a Julie. Meio estranho porque mal converso com essas meninas mas acabamos conversando por horas tomando chá, não sei porque eu não tinha vergonha alguma de falar dinamarquês com elas e elas amaram me ouvir. Fui dormir depois das 3 e no dia seguinte nem animei de ir pra escola, mais tarde recebi a notícia que todas as aulas haviam sido canceladas, sorte sem tamanho!
Na hora do almoço passei no quarto da Maya. Ela estava sozinha lendo com uma cara diferente.
-Ei, está tudo bem?
-Mais ou menos, ontem foi muito estranho...
-Por que?
-Eu fiquei com medo de perder você...
-Como assim?
-Por cauda da Julie, eu não fui na escola o dia todo e quando apareci você estava com ela e ia dormi no quarto dela, não acho ruim que vocês sejam amigas, mas é que eu tenho medo de você me deixar de lado pra conversar com ela...
Ai, nem acreditei! Nem acreditei que cativei alguém a esse ponto! Que alguém de fato me considerava importante, que tinha medo de me perder, que me considerava amiga de verdade. Fiquei tão feliz de ouvir aquilo que me deixou mais segura para seguir o final desse ano com tudo! Disse pra ela não se preocupar, que ela foi uma das primeiras pessoas que falou comigo e uma das únicas que se importa comigo verdadeiramente, que nunca deixaria de falar com ela por outra amiga porque ela era muito importante para mim, mas isso não significava que eu deixaria de falar com Julie. Ela ficou visivelmente aliviada e me abraçou.
A sexta foi um dia de merda. Desculpa a palavra, mas foi sim um dia de MERDA! Eu não estava com o melhor humor do mundo e o feriado que se aproximava estava me tirando do sério porque minha atual família iria viajar e eu iria voltar pra minha segunda família. Para ajudar Maya não estava se sentindo muito bem e mais tarde veio o golpe fatal: Daniel.
Perceberam que muita gente foi grande parte da minha semana? Pessoas que nunca havia conversado foram uns amores comigo e eu nem falei nele? Pelo simples fato de ele não estar mais falando comigo. Por que? Não faço a menor ideia. Só sei que ele foi se afastando gradativamente ao longo da semana, e estava na cara que ele evitava ficar comigo na frente de todo mundo e ainda me tratava mal quando outros estavam perto, mas eu já estou meio acostumada com essas oscilações de humor do senhor Daniel.
Mas na sexta foi de mais. Eu o comprimentei e ele fez uma cara de desprezo tão grande que me deixou até tonta. Se eu me aproximava ele saia, se eu o chamava ele virava o rosto descaradamente e depois escrevi pra ele que queria conversar e ele nem se deu o trabalho de me responder. Eu fiquei com uma master pulga atrás da orelha. Que raios estava rolando? De noite fui tentar falar com ele e ele fez o de sempre, deu um milhão de motivos para cada uma de suas ações, não me deu muita moral e logo parou de falar comigo. Fiquei mal... preciso explicar porque? Pelo simples fato de que ele sempre diz que eu posso contar com ele, que ele se importa comigo, ele me faz me apoiar nele em um dia e no outro simplesmente para de falar comigo e me trata com indiferença. Eu preciso mais do que tudo de alguém que me ofereça segurança, e que segurança uma pessoa volúvel assim passa? Nenhuma!!! Sem dúvida Daniel é(era?) uma das pessoas mais importantes para meu intercâmbio, mas ele não se importa com isso, não percebe como estou sensível e inconstante e como as coisas tomam proporções gritantes em um ano de intercâmbio. Essa simples ignorada pode resultar em um sofrimento tremendo e para evitar o mesmo sofrimento podemos acabar com a amizade. Se bem que ele já disse que me considera como qualquer um de Oure, então está mais do que na cara que eu dou muito mais importância do que ele, e se essa amizade acabar a úica que sentirá falta sou eu.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Luiza Padovezi pela visão da Maya

Maya, uma das minhas melhores amigas aqui, apareceu na tal festa de sábado bem rapindinho. Ela chegou bem tarde e saiu logo em seguida, mas ela me viu e eis o que ela me contou:
"Eu cheguei mais cedo em Oure do que o normal e me disseram que estava rolando uma festinha no café. Eu desci e tomei o maior susto: Todo mundo estava vestido com as fantasias mais estranhas possíveis mas agindo de maneira normal sentados em suas respectivas cadeiras bebendo. Quando andei mais um pouco vejo uma pessoa sem fantasia, a única pessoa sem fantasia da festa, e essa pessoa estava agindo feito louca, a única dançando e pulando. Achei a maior graça."
Adivinha quem era essa tresloucada?

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Fazendo valer a pena

Uma semana nessa nova família já se passou. Gosto muito deles, a casa é bem bonita e os pais me tratam super bem, mas me sinto totalmente fora de lugar, como se não fizesse parte daquilo ali, fico perdida sem saber o que fazer e acabo me excluindo no quarto. Meu pai trabalha muito e minha mãe não sei o que ela faz o dia inteiro, os dois irmão mais novos ficam o dia todo jogando vídeo game e jogos de computador e meu irmão mais velho fica o dia todo e TODOS os dias com a namorada dele. Sério, eu não sei como eles aguentam ficar tanto tempo juntos! A menina dorme aqui quase todo dia, passa o final de semana todo aqui, viaja com eles, vai com ele pra qualquer lugar(eles inclusive são da mesma sala!) e ela está aqui até quando ele não está. Poderia ser agradável se ela falasse feito gente e não com aquela voz de criança que me tira do sério, não ficasse dando pulinhos pela casa e não fosse tão irritante.
Fico perdida em uma família tão grande, tão perdida que quinta passada chorei horrores no refeitório da escola, assim, do nada! Eu estava meio pensativa, pensando no quanto estava me sentindo só, agora que mudei pra essa família. De repente uma menina me perguntou se estava tudo bem, eu disse que sim, ela disse que não parecia e eu abri o berreiro. Chorei litros, todo mundo viu e fiquei morrendo de vergonha.
Na sexta fui pro cinema com meu irmão e a namorada. Fui a maior velona, nem precisa de falar né? Mas meus pais queriam mesmo me ver interagindo com eles e pagaram meu ingresso. O filme foi uma bosta, mas foi legal sair com eles e acabei percebendo que a menina sempre quis muito conversar comigo mas tinha vergonha. Ao voltar pra casa ela veio no meu quarto e ficamos conversando durante horas. Longe de todo mundo ela não tinha vergonha e falava feito gente de 17 anos.
Mais tarde conversei com minha mãe no Skype e ela disse que queria que eu voltasse no dia 3 de julho. TRÊS DE JULHO!!!!! CEDO DE MAAAAAAAAAAAAAAAIS! Aquela data me tirou do sério e não conseguia tirar da cabeça o pouco de tempo que tenho aqui. Menos de 5 meses! Fiquei tão noiada com a história que inclusive sonhei que estava de volta ao Brasil e sem perceber o ano tinha passado e eu não tinha feito tudo que queria. Fazia muito tempo que eu não chorava. Chorei tanto no sonho que acordei com a ideia fixa de não deixar nenhuma oportunidade passar, mesmo que pareça uma furada.
No sábado fui pra Oure passar um tempo com Daniel. Assistimos filmes e conversamos bastante, super agradável, como sempre. Na hora do jantar me contaram que iria rolar uma festinha mais tarde. Eu queria ir mas eu não tinha combinado de dormir ali naquele dia, nenhuma das meninas estavam aqui e poucas pessoas do segundo ano iriam. Apesar de tudo eu não conseguia tirar o sonho da minha cabeça e resolvi que essa era uma oportunidade que eu deveria aproveitar. Daniel disse que eu poderia ficar no quarto dele e meu host pai disse que não tinha problema.
Fui pra tal festa, uma festa bem típica dinamarquesa em que o pessoal veste fantasias, acho que eu e Daniel éramos os únicos não de roupas normais alí. O início da festa foi um porre total, quase morri de tédio. Eu não conhecia quase ninguém, só Daniel, o menino que vai pro Brasil, umas quatro pessoas do segundo ano e um menino mais velho que sabe meu nome, super conversa comigo, mas eu não faço a menor ideia de quem seja e quase não tinha menina. E todo inicio de festa é a mesma coisa, todo mundo sentado em mesas jogando joguinhos para bêbados, como eu não estava afim fiquei só olhando e esperando as pessoas ficarem mais alegrinha por ai ia começar de verdade. A medida que foram ficando bêbadas vieram conversar mais comigo e dançar, cheguei a um ponto que eu estava sozinha em uma mesa com mais uns 7 meninos.
A noite acabou cedo, não dancei como normalmente danço porque minha companheiras de pista não estavam lá, mas foi legal conversar mais com o pessoal.
Mas agora estão acontecendo algumas coisas que não posso escrever aqui, mas que estão me deixando muito chateada e preocupada. Uma certa pessoa especial está mudando muito comigo e eu estou com muita vergonha...

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Terceira família

Sim, mudei, mais uma vez tive que colocar tudo na mala, limpar o quarto, jogar coisas que não precisava mais no lixo, devolver coisas emprestadas...tudo isso de novo. Mas dessa vez fui bem mais organizada, não deixei tudo pra última hora como da última vez, deve ser porque da primeira vez eu não queria deixar aquela família de jeito nenhum e agora eu nem ligava tanto.
No sábado antes da mudança minha host avó fez uma pequeno jantar de despedida, foi legal, eu gosto muito dela.
No domingo nem parecia que eu ia me mudar. Acordei normalmente, tomei café sozinha porque sempre acordo mais tarde, fui pro meu quarto terminar de arrumar, almocei e estava pronta pra ir. Da primeira vez todos me esperaram acordar para tomarmos café juntos, ganhei presentes e cartões. Sem contar que minha mãe ajudou em tudo pra arrumar mala.
Na hora de ir, os três meninos estavam vendo TV. Anthon se despediu normalmente, Sigfred nem levantou do sofá (acho que ele me detesta) e Carl-Emil foi o único que me deu um abraço de verdade, disse que ia sentir minha falta e que estava me esperando dali a duas semanas. Me surpreendeu porque eu achava que ele detestava me ter lá, já que eu estava dormindo em seu quarto.
Katja me levou de carro na nova casa. Casa grande, meio afastada da cidade. Chegamos e a porta se abriu, alí estava minha nova família, já fazendo piadinha com minha quantidade de malas e caixas. A mãe e o pai eu já tinha visto, tinha um menino de 17, um de10 e um de 14 mais ou menos.
O de 17 é meio arrumadinho de mais, do tipo, brinco de brilhante, roupas coloridas e cabelo duro de tanta pomada, mas é até bonitinho, sem contar que ele é muito legal e estou muito feliz por ter alguém da minha idade em casa.
O de 14 anda pela casa procurando algo para cortar, desmontar, destruir e construiur algo diferente, achei ele bem interessante, mas ele é meio vesgo e nunca sei pra onde ele está olhando.
O mais novo não fala muito comigo, ele é bem tímido, mas ele presta muita atenção pra casa coisinha que falo.
Levaram minhas coisas pro quarto e fomos tomar um chá.
Todos muito simpáticos.
Fui arrumar o meu quarto. Minúsculo, nem eu sei como consegui colocar todas minhas coisas lá dentro, mas é bem aconchegante e minha cama é uma delícia!
Por enquanto está tudo bem, mas nova família é sempre diferente, sempre fico sem saber o que fazer, como agir e interagir, mas espero muito que dê tudo certo e principalmente que eles gostem de mim.

ps: desculpa pelos desabafos no post anterior, era TPM mais inferno astral (falta um mês pro meu aniversário galera :D) mais o fato de ter lido o livrinho que meus amigos e familiares escreveram pra mim, me deu uma saudade...

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Sentindo falta...

Já mudei de família e agora aqui no meu novo quarto. De repente me deu uma saudade....saudade não só da minha família e amigos, mas do povo brasileiro em geral, daquele povo que é fácil de conversar e fazer amizade, que tem iniciativa, que é aberto, que dá aquele abraço na hora que você precisa, que dá carinho...
Sinto falta da minhas amigas que me conhecem bem, que sabem que quando eu estou triste eu não preciso de lição de moral, não preciso de nada complexo, que eu só preciso de um abraço e que me façam rir.

Sinto falta de ter com quem contar, sem a menor dúvida, de ter a certeza que aquela pessoa estará sempre lá pra mim e que é 100% sincera quanto a isso.
Eu tenho amigos aqui? Sim, mas não sinto que são verdadeiros, são muito inconstantes, talvez seja coisa de dinamarquês. Mas não consigo chorar todas minhas lamúrias com uma pessoa com a certeza de que ela quer me ajudar de verdade, de que ela se importa comigo. Tem dias que meus amigos aqui mal respondem minhas perguntas. Só posso pedir ajuda em dias que eles estão dispostos a me dar um pouco de atenção.
Alguns dizem que se importam, mas se importam tão pouco que são incapazes de perguntar como está minha nova família. Posso contar em uma mão os que fizeram isso.

Agora mesmo, estou no meu novo quarto, minha família já foi dormir, só gente da minha escola e alguns intercambistas online no msn....só me resta chorar silenciosamente e ir pra escola amanhã finjindo que está tudo bem.

O problemas é que todos que estão a minha volta eu conheço a apenas 6 meses e tímida e insegura como sou não consigo criar uma amizade verdadeira...me sinto só...

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Mudança de família

Me encontro no meio da minha bagunça, papéis em português, inglês, dinamarquês e espanhol, lembrancinhas, roupas, presentes, cartas, tudo que fez parte desses meus seis meses e devem resistir a mais cinco espalhados pelo pequeno quarto que nunca teve cara de meu. O motivo dessa bagunça? Arrumar as malas para mudar de novo. "Mas já?" Sim, já. Não fiquei nem 2 meses aqui enquanto na primeira fiquei quase cinco! Mas a divisão das minhas famílias ficou uma verdadeira bagunça e não me pergunte porque, cansei de tentar explicar.
A notícia também me pegou de surpresa, o combinado era ficar aqui dia 19, mas semana passada minha host mãe veio me falar que combinou com minha próxima mãe e eu deveria mudar no dia 7. Eu fiquei em choque "mas isso é daqui...uma semana?". Não é grande coisa, mas detestei saber tão emcima da hora assim.
Fato é que só lamento por duas coisas. A primeira é que vou sair de tão perto da cidade e a segunda é que não tive tempo o bastante para me apegar a eles (ou será que isso é bom?), não queria ser só uma estranha na vida deles, queria ser de fato filha e irmã, o que pude sentir bem na primeira família, mas aqui me senti como uma hóspede e meus olhos não enchem de lágrimas ao pensar em deixa-los como ocorreu antes. Eu gosto muito deles, são uns amores, mas não a ponto de me lamentar.
Vou sentir falta de pequenas coisas como as conversas com Anthon, as gracinhas de Sigfred, a curiosidade de Carl-Emil e a maneira que ele achava tudo que eu fazia e vestia lindo. Vou sentir falta do dia do doce nas sextas-feiras assistindo X-Factor, das risadas com a fofa da minha avó, das fofocas com minha host mãe e dos lanchinhos e caprichos que ela sempre me trazia quando eu ficava até tarde acordada.
Mas por outro lado as brigas sem fim dos meninos não vão me fazer falta, nem os pulos que davam no andar de cima, ou a bateria que tocavam na porta do meu quarto, ou o fato de me fazerem perder meu sábado a noite para tomar conta deles.
Foi uma boa família, mas foi muito rápido, espero que eu tenha marcado um pouco da vida deles porque eles marcaram a minha, pelo menos nessas frias semanas.


Só não reparem na minha super inteligência de filmar com a camêra em pé -.-', era 1 da manhã, eu mereço um desconto né?

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Neve, neve, mais neve e eu, presa em Oure

Quando cheguei aqui me disseram que o inverno da Dinamarca era só cinzento, frio, com pouca neve e muita chuva. Não animou nem um pouco. Mas foi uma surpresa quando ainda em novembro alguns flocos de neve começaram a cair. "Isso não é normal por aqui" meu host pai sempre dizia.
Depois no meio de dezembro nevou pra valer e depois de mais de uma década a Dinamarca teve um natal branco. Já estava me sentindo super sortuda e quando a neve derreteu nos últimos dias do ano já estava satisfeita e todo mundo contava que a neve tinha acabado.
Uma surpresa ainda mais agradável foi ver neve caindo nos primeiros dias do ano e deixando tudo branquinho mais uma vez. Dês de então a neve não derreteu mais.
Segunda passada nevou muito, mas muito mesmo, mas o que veio no dia seguinte eu nunca vi igual!
Ainda na segunda de noite minha host mãe me avisou "estão falando nos jornais que vira uma tempestade de neve amanhã. Coloque muita roupa quente e eu vou te levar na escola." Eu não dei tanta moral, mas assim que cheguei na escola começou a nevar sem parar, muita neve mesmo! E só parou quando eu estava saindo do ballet, 18:00. Resultado? Ônibus atrasados e minha host mãe com medo de sair de casa para me buscar. Sem contar que se eu fosse para casa corria o risco de não conseguir voltar pra escola na quarta. Eu poderia tentar ou dormir na escola.
Estava com medo de ficar sobrando na escola, então resolvemos tirar na moeda. Cara, ir pra casa, coroa, ficar em Oure. A moeda decidiu e eu fiquei.
E a moeda sempre sabe o que faz.
Jantar delicioso, salmão, meu favorito. Mas assim que entrei no refeitório um tanto de gente olhou pra mim,com uma cara que dizia claramente "que porra ela faz aqui?". Uma mesa inteira de garotos se virou para mim e começou a cochichar a apontar(oi, não sou cega!). Outros vieram me perguntar o que fazia ali, a resposta era a mesma "Estou presa por causa da neve". Me senti como um extra terrestre que acabava de chegar no mundinho de Oure.
Depois do jantar Maya, a menina que eu dormiria no quarto, tinha que fazer dever e eu fiquei num canto com meu computador. No msn mandei pro Benjamin, o menino que está indo pro Brasil, um video da Ivete Sangalo. Ele colocou na maior altura e estavamos no quarto bem ao lado. Eu e Maya rimos horrores. Depois fui pro quarto dele e ficamos conversando. Conheci o colega de quarto dele, muito simpático. Benjamin é um amor de pessoa e gosto muito de conversar com ele, mas acho que depois de um tempo ele ficou cansado de mim. Por sorte três amigas vieram me chamar para tomar um chá.
No caminho pro café uma emboscada: uns 5 meninos munidos de bolas de neve atirando na gente, injusto! Um dos meninos me abraçou e me levou em "segurança" até o café.
Conversei muito com as meninas sobre tudo, mas principalmente sobre o Brasil e as diferenças entre os meninos de lá e daqui. Elas piraram com a ideia de que os meninos no Brasil tomavam toda a iniciativa para beijar uma garota e concordaram comigo que o sistema brasileiro é bem melhor. Ficamos conversando até a hora que marquei de conversar com minha mãe no Skype.
Fui pra uma sala sozinha, mas assim que começamos a conversar uma amiga chegou, depois mais outra e outra...por fim haviam cinco meninas se espremendo na telinha do computador sando tchauzinho pra minha mãe e minha mãe mostrando a janela: a vista do meu amado e Belo Horizonte.
Quando desliguei ficamos conversando até quase meia noite. Depois fomos para o quarto com o intuito de dormir, mas por fim ficamos conversando até de madrugada.
Na manhã seguinte todos meus colegas tiveram a chance de conhecer meu péssimo humor matinal, principalmente depois de dormir tão pouco.

Oure *.*

Noite em Oure

Feito criança na neve

Mar congelado

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

6 MESES NA DINAMARCA!

OMG OMG! Já passou da metade galera (considerando que minha mãe não me deixou ficar aqui até o fim de julho)! Passou rápido? Não sei, as vezes penso que sim, que foi ontem que eu cheguei nesse país, perdi minhas malas e meu voo e chorei feito uma louca por achar que um ano era tempo de mais. Mas por outro lado parece que já estou aqui há uma vida! Que eu sempre vivi nesse frio e vento, que sempre peguei esses ônibus e trens para cruzar o país em um único final de semana, que sempre comi esse pão preto maldito, que sempre andei de bicicleta para ir pra escola,sempre usei leggins e blusinhas compridas e sempre tive essas pessoas maravilhosas ao meu lado.
O que mais me faz pensar que se passou muito tempo é o tanto que mudei. Mudei muito e aquela Luiza que saiu do Brasil não é a mesma que está aqui agora escrevendo pra vocês.
A antiga Luiza era extremamente tímida que quase morria para conversar com gente nova, ela tinha medo do novo, tinha medo da solidão, detestava e se sentia uma lesada quando estava sozinha, não tomava iniciativa alguma e esperava que os outros a ajudassem, não falava palavrão, pesava 56kg, seu armário consistia em calça jeans, camisetas e tênis e tentava ser o que não era.
A nova Luiza? Não vou dizer que ela é totalmente cara-de-pau e nada tímida, mas ela está a no caminho, tem facilidade de ficar sozinha, se divertir sozinha, viajar sozinha e principalmente tomar suas decisões sozinha, aprendeu um pouco de dinamarquês, mas aprendeu muito inglês e espanhol,pesa 60kg(pelo menos da última vez que pesei:S), seu guarda roupas tem de tudo um pouco, as vezes tem coragem de assumir o cabelão e só quer ser quem ela é.
Claro que meus valores ainda são os mesmos, e eu não irei perde-los nem em 6 anos no país que for!
Nesses seis meses conheci pessoas que quero levar pra vida. muitas delas não irão vingar, por mais que eu queira, mas outras, assim espero, vão de fato estar para sempre em minha vida.
Nesses seis meses perdi muito contato com muita gente do Brasil, o que sabia que ia acontecer, mas algumas delas eu não esperava tanta indiferença, quanto outras pessoas eu não esperava tanto carinho mesmo estando tão longe. Depois desses seis meses sei que minha amigas que restam em Itabira, Teresa, Nina, Lú, Lívia, Jú e Naty, (na verdade já está todo mundo em BH agora) se estão comigo até agora estarão comigo para sempre. Algumas amigas do Sagrado ainda se preocupam comigo e são um amor, mesmo que eu tenha ficado lá apenas um ano, o mesmo tempo que ficarei longe delas. Mas o amor e considerações verdadeiros vem da minha família, não só meus pais e irmãs porque isso é incontestável, mas de todos meus primos e primas que durante todo esse tempo tem me dado o maior apoio e me mantido informada de tudo, e quem sabe minhas primas vão levar minha fotinha pro meu tão querido carnaval de Diamantina =D
Mas fato é que 6 meses se passaram e depois de tantos altos e baixos aqui estou eu, ainda mais firme e forte e pronta pro resto que vem ai.

Roupa do meu dia a dia no início, nenhum problema, mas é bem simples

Essa não é das minha melhores roupas, mas é a que estou usando agora e claro que uso uma bota por cima dessa meia

Meu casaco do Rotary quando cheguei aqui

Meu casaco agora, e é um dos mais vazios ein!

Cabelo curto com cachinhos na ponta no Brasil

Agora meu cabelo está assim, nem sei como definir, meio anelado, meio liso, ou simplesmente cabelo ruim :p com a parte da frente mais curta e o resto bem maior que antes

Nossa, tenho vontade de chorar olhando pra essa foto, minha primeira baladinha aqui na Dinamarca! Sente só o desastre da minha roupa! Tudo bem que foi tudo improvisado e eu não tinha levado roupa pra boate, mas meeeu o que é isso??

Uma das últimas roupas que usei pra balada, saltinho, vestido arrumado, beeem melhor