quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Machu Picchu e Ano Novo

Dia 10-30/12- Finalmente, Machu Picchu!

Acordamos às 5:00 da manhã para pegar o ônibus. Para subir para Machu Picchu há duas opções, ou ir de ônibus (19 dólares ida e volta) ou a pé, subindo um milhão de degraus. Se fossem circunstâncias comuns,  eu animaria ir andando, mas como dali a poucas horas teríamos que encarar 12 km de caminhada e 5 horas de van da morte, resolvemos ir de busão mesmo.

O primeiro ônibus sairia às 6:00, mas nos recomendaram chegar meia hora antes. Chegamos às 5:30 da manhã e a fila já estava gigantesca, não quero nem pensar que horas aquela galera acordou. Por volta de 6:20 chegamos em Machu Picchu.

Entrada da cidade
De cara já rolou uma emoção.Llá estava eu, naquele lugar que já vi tantas fotos e já ouvi tantas histórias. Refletindo agora parece um sonho que eu realmente estive lá, de cara com aquela montanha linda e as ruínas tão famosas.

Encontramos o guia da nossa van e começamos a explorar as ruínas. O conhecimento que os incas tinham sobre arquitetura, astronomia, natureza e outras tantas coisas é quase inacreditável e isso reflete nas construções que vi e as histórias que o guia contava. Ele nos contou que na época da invasão espanhola os habitantes de Machu Picchu abandonaram o lugar para proteger a cidade e se esconderam na floresta. A ideia era voltar para lá quando tudo se acalmasse, mas não conseguiram sobreviver, a cidade se perdeu no tempo e só foi redescoberta muitos anos depois.

Depois do passeio guiado tivemos um tempo para passear e tirar as fotos típicas de cartão-postal. Na volta para o ônibus demos uma última parada na saída do parque para carimbar nossos passaportes com o selo do local. Sim, estivemos ali! Pegamos o ônibus e recomeçamos a caminhada pelos trilhos.

Nas ruínas de Machu Picchu
A volta foi muito mais tranquila. O ônibus nos deixa em um local que economiza uns 40 minutos de caminhada, sem contar que já estávamos acostumadas com o caminho, não tirávamos tantas fotos e as mochilas estavam mais leves (na ida eu carreguei 4 litros de água nas costas). Andamos tão rápido que tivemos tempo de sobra para almoçar à beira da estrada com dois paulistas que conhecemos no caminho.

Depois do almoço voltamos para a van do terror. Eu adoraria dizer que o retorno de carro também foi mais tranquilo, mas infelizmente foi ainda mais medonho. Nosso motorista estava claramente com um sono incontrolável e a cada minuto dava uma longa pescada. Não bastasse isso, a neblina estava muito mais pesada, estava muito escuro e nosso farol parecia não funcionar direito. Quase beijei o chão quando cheguei no hostel.

Depois de tanto andar, sofrer, comer mal e etc, tudo que mais queríamos era cama. Então tomamos um banho e fomos dormir…só que não! As doidas aqui resolveram sair. Começamos a noite no Loki Cusco e descobrimos que não é nem um terço da diversão do de La Paz. Lá fechou às 2 da manhã e fomos pra Plaza de Las Armas. Rodamos muito, entramos em umas boates zoadas e quando estávamos prestes a desistir achamos um grupo de 4 brasileiros que logo descobrimos que estavam no nosso hostel. Voltamos para o hostel e ficamos conversando até 5 da manhã (24 horas acordada).

Dia 11- 31/12: Feliz Año Nuevo!!

Acho desnecessário explicar o tanto que eu estava cansada nesse dia não é? Depois de dois dias de emoções mil, eu só queria não fazer nada. Dormimos, lavamos roupas, dormimos, comemos e as meninas jogaram cartas enquanto eu dormia mais.

O único compromisso era a festa de ano novo, que eu ainda não sabia onde a gente ia passar. Compramos umas cervejas com os meninos e ficamos um tempo no hostel onde estava tendo uma festa de ano novo que foi invadida por argentinos. Quase meia noite fomos à Plaza de las Armas onde todos da cidade pareciam estar.

O lugar estava uma loucura. Não havia um espacinho sequer sem uma pessoa e todos carregavam foguetes. A praça em si já é linda, mas estava mais linda ainda com aquela alegria toda. Ficamos cantando e pulando até que a multidão começou a gritar “cinco, cuatro, tres, dos, UNO!” Feliz año nuevo meu povo!

Os foguetes começaram a estourar e nos abraçamos. De repente a multidão começou a se mover, todos para a mesma direção, estava começando a famosa volta na praça das Armas. No Brasil nos pulamos ondas, lá eles não voltas na praça. Foi lindo, mas acabamos nos perdendo dos meninos.
Praça das Armas pegando fogo

Depois de dar voltas, resolvemos esperar para achar os meninos, mas começou a ficar meio perigoso.Tinha muita gente bêbada com foguete e eles começaram a jogar uns nos outros. Um mané teve a brilhante ideia de colocar uma garrafa de vidro bem na boca de um rojão e ascender. Eu e as meninas nos abaixamos imediatamente quando vimos aquilo, mas o inglês que estava com a gente não percebeu o perigo e acabou queimando a testa. Depois dessa resolvi sair dali, mas não sem antes quase ser roubada por uma mulher imensa. Por sorte a Fernandinha, a justiceira, deu um tapa na safada e espantou a folgada.

Fomos para a festa do Loki e o que aconteceu depois ficou entre quatro meninas e a cidade de Cusco.


domingo, 1 de fevereiro de 2015

A rota "alternativa"

Dia 9-29/01: A caminhada

"These boots are made for walking"
E o dia de ir a Machu Picchu finalmente chegou! Na verdade só visitaríamos o lugar no dia seguinte, mas a jornada começaria ali, bem cedo, na van que nos esperava na saída de Cusco. Logo de cara, a moça da agência veio conversar com a gente avisando que não poderíamos nos atrasar porque ainda não tinham comprado os ingressos para Machu Picchu e nem as passagens do trem de volta. Já comecei a ficar meio nervosa.

A viagem começou: foram 5 infinitas horas de van, na pior estrada da minha vida. As curvas eram muito fechadas, a estrada era muito estreita e estávamos, literalmente, a beira do precipício. Pra piorar a situação, chovia muito, a neblina estava pesada e os rios estavam tão cheios que transbordavam por cima do asfalto. Agora, se você acha que nosso motorista estava sendo cuidadoso devido às condições, enganou-se, ele estava tacando o pau nas curvas, buzinando loucamente e entrando nos rios sem dó. Fernandinha e Fafá foram pedindo a todos os santos pra não morrerem e cada curva era um ataque do coração. Eu e Samanta estávamos rindo pra não chorar.
Depois de muita emoção, finalmente paramos pra almoçar. O almoço foi uma loucura! Era um restaurantezinho bem simples, tinha um bebê (de verdade) pendurado no meio do salão por um lençol, dormindo tranquilamente, enquanto a única garçonete do lugar corria de um lado para o outro carregando mil pratos de sopa, com o dedão enfiado em todas elas, e empurrando o bebê vez ou outra. Comemos uma sopa de quinoa com, apenas, uma batata dentro e depois arroz com um frango que ainda não sabemos como foi preparado.

Depois desse almoço, digamos, interessante, fomos rumo à hidroelétrica onde começaria a nossa caminhada. Andaríamos 12 km sobre os trilhos do trem e isso demoraria mais ou menos umas 3 horas. Confesso que estava um pouco insegura. Não tínhamos guias para caminhar, se não fizéssemos no tempo certo iria escurecer e eu definitivamente não queria me perder ali no escuro

A caminhada começou com um pouco de chuva, mas logo o tempo ruim foi embora junto com todos os meus medos. Percebi que a caminhada, na verdade, era bem tranquila, e que aquele lugar era realmente MARAVILHOSO. As montanhas, as árvores, o rio, os trilhos do trem, tudo fazia parte de uma das paisagens mais sensacionais que já vi, sem contar que caminhar ali, no meio daquela natureza toda, era relaxante e energizante. Saímos em disparada na frente de todo mundo da van, nosso objetivo era chegar primeiro e em menos de 3 horas.

Certa hora eu estava andando em cima dos trilhos, com um paredão de pedra de um lado e um precipício de outro, discutindo com Fernandinha se era perigoso andar por ali, já que o trem que ia para Águas Calientes poderia passar a qualquer momento. Conversando com ela chegamos à conclusão de que as agências não seriam loucas de fazer uma caminhada naquele lugar se o trem passasse, e que provavelmente elas organizavam caminhadas fora do horário de trens. Sá entrou na conversa e disse que achava improvável que passasse um trem ali, que na verdade os trilhos deveriam estar desativados. Fafá então finalizou com: “Se passasse, o que a gente ia fazer? Abraçar a parede e rezar?”

Foi só ela terminar essa frase que começamos a escutar um barulho de trem e uma buzina bem alta. Olhamos umas pras outras e falamos “Não é possível, deve ser em outro lugar!”. Mas o barulho ficava cada vez mais alto e a buzina cada vez mais frequente. Foi ai que de repente vimos um trem enorme vindo bem em nossa direção. Não conseguíamos acreditar que aquilo estava acontecendo, só nos restou pular pra parede de pedra e rir sem parar. Por fim, deu tudo certo, mas… VALEU DEMAIS QUEM AVISOU QUE PASSAVA TREM EIN!

Passado o susto continuamos a caminhada e finalmente chegamos ao povoado de Águas Calientes, logo quando começou a escurecer (ufa!). Como fizemos em menos de três horas e não vimos ninguém passando por nós no caminho, estávamos super animadas achando que éramos as primeiras a chegar. Pra nossa surpresa, quando finalmente chegamos na praça principal, vimos TODOS da nossa van, sentados tranquilamente, tomando cerveja e fumando cigarros. Ficamos indignadas e já pensando que eles tinham pago um taxi ou pego uma lhama pra montar, mas depois descobrimos que nós erramos o caminho e acabamos fazendo o trajeto mais longo. Parabéns pra gente!

Fomos para o hostel (fulerinha) e descobrimos que tinham conseguido ingressos de Machu Picchu, mas não as passagens de trem. Eu fiquei extremamente desanimada, estava bem cansada e não podia acreditar que teríamos que voltar tudo de novo andando. Ficamos chateadas com nossa agência, mas descobrimos que ela foi a menos pior de todas porque alguns tiveram que pagar a mais pelo ingresso de Machu Picchu, outros até tiveram que ficar na fila pra compra-lo. Pelo menos não pagamos mais nada e nos devolveram o preço do trem.

Jantamos um macarrão supostamente à bolonhesa, mas que era doce e tinha umas três bolinhas de carne, e eu pedi um chá de folha de coca. O garçom veio trazer o chá e gritou:
-Chá!
-Eu!
-De cocaína?
-Ah…
Ele ficou rindo da minha cara de espanto e entregou o chá, era o de coca normal, ele estava só fazendo hora comigo.


Apagamos na cama, nem ligamos para o cheiro de mofo das cobertas ou para o esgoto do banheiro que tinha subido, afinal, o outro dia seria ainda mais longo.