segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Três dias em Koh Tao, leste Tailandês

Nossa ida para Koh Tao, assim como todos os nossos trajetos por terra pela Tailândia, não foi nenhum Spa. Bangkok fica no centro do país enquanto Koh Tao é uma ilha ao leste da península tailandesa, o que além de grandes distâncias, implica em diversos meios de transporte. Fechamos um pacote que incluía trem, ônibus e ferry. O trem era o mesmo esquema que já contei aqui, mas pegamos sem ar condicionado, o que foi um ERRO. Saímos de Bangkok no fim da tarde e fomos orientadas a parar em uma cidade X no meio da madrugada. Meio tenso considerando que tudo que nos deram foi um nome bizarro e um horário estimado, por volta de 04:30 da manhã. Ficamos com medo de não conseguirmos acordar, errar a parada ou qualquer coisa do tipo, mas tem muita gente fazendo esse mesmo trajeto então foi bem tranquilo saber a hora de descer. Da estação de trem pegamos um ônibus até o porto, depois um ferry até a ilha e por fim um taxi até nosso hostel. Uma jornada épica, mas o preço foi até bem aceitável, por volta de 100 reais por todo o trajeto.

Trem de Luxo
Dia 1
Nossa programação do dia era apenas aproveitar a maravilhosa praia do lugar. Koh Tao é bem menos badalada que as outras ilhas no oeste, como Koh Phi Phi, Phuket e etc, mas ouso dizer que é bem mais bonita e agradável para passar o dia. Vimos muitos casais por lá e a atmosfera era muito calma e relaxada, perfeito para descansar.  Além disso é o melhor lugar para mergulho do país, e mesmo que você não anime fazer um dos vários mega cursos oferecidos no lugar, dá pra aproveitar diversos passeios maravilhosos nos corais com snorkel,

Nosso primeiro dia foi preguiçoso e delicioso. Passamos o dia inteiro deitadas nas várias almofadas do lugar (sim, muitas almofadas na praia), comendo frutas e nadando no mar maravilhoso, que mais parecia uma piscina de tão limpo e calmo.
A gente nem tava feliz, imagine
Para noite existem várias opções de bares e casas noturnas pela cidade, mas optamos pelos bares da praia, onde você pode assistir várias performances de malabares com fogo e conhecer gente de todos os cantos do mundo. Passamos a noite dançando kuduro, tentando passar de baixo da corda de fogo e nos divertindo com todo tipo de gente.

Dia 2
Para o segundo dia fechamos um passeio de barco de um dia inteiro pelos arredores da ilha, passeio simplesmente sensacional! Os funcionários eram maravilhosos, tínhamos muitas frutas e água o passeio todo, e passamos por lugares inacreditáveis.
O início do passeio foi de muito mergulho com snorkel e logo de cara percebemos porque ali era um dos melhores lugares para mergulho. A água cristalina, os peixes de todos os tipos e os corais impressionantes nos deixaram sem palavras. Fomos, inclusive, na Baía dos Tubarões, onde muitas pessoas conseguem nadar com tubarões, mas não tivemos essa sorte, só a Carol encontrou uma tartaruga linda por aí.
O almoço foi feito no barco que, além de delicioso, foi acompanhado de um Thai tocando violão e uma vista divina.
Almoço em alto mar



















Indo atrás dos peixinhos

O passeio termina na famosa Koh Nang Yuan, um conjunto de três ilhas unidas por uma faixa de areia de forma que você pode literalmente andar de uma até a outra. Por ser um local muito delicado, há diversas restrições e regras, tudo para proteger o maravilhoso lugar. Pagamos 10 reais para entrar e não se pode leval qualquer tipo de garrafa para ilha, lá você consegue comprar tudo em garrafas de vidro que devem ser devidamente descartadas. Nessa ilha fizemos uma pequena, porém muito bruta, caminhada até o mirante, onde dá pra ver a beleza das ilhas por completo.
Caminhando entre as ilhas
Trilha tranquila pra quem está de chinelo, só que NÃO



Mas a vista valeu a pena


E pra quem tem vontade de fazer esse passeio completo, pagamos o equivalente a 75 reais pelo passeio de barco com almoço e sem a entrada na ilha.
De noite assistimos um super show de Drag Queens e aproveitamos para fazer uma limpeza de pés com peixinhos, vocês sabem, nada muito anormal.


Dia 3
Mais um dia de praia e descanso, sim, mais um. A esse ponto da viagem estávamos bem cansadas e a noite viria mais uma jornada épica até o outro lado da península tailandesa, descansar era preciso.
Tivemos que fazer o check out no hostel logo pela manhã, mas eles foram muito solícitos em guardar nossas mochilas enquanto curtíamos mais um dia de praia. Por coincidência uns canadenses que conhecemos em Chiang Mai tinham acabado de chegar na ilha e passamos parte do dia papeando e bebendo cervejas.
No fim da tarde voltamos ao hostel, pagamos nossas coisas e tomamos um banho na própria recepção. Uma van veio nos buscar para mais um trajeto com mil meios de transporte até Phi Phi.
Pegamos um night boat que eu sinceramente não entendi o trajeto que ele fez até hoje. Só sei que passamos a noite inteira dentro do barco indo para algum lugar que eu não tenho nem ideia de onde seja, mas que no mapa não parecia tão longe para durar tanto tempo. Depois do barco um ônibus nos levou até uma agência, de onde pegamos uma van para outra agência. Nessa outra agência rolou uma confusão e nos passaram a perna, tivemos que pagar 10 reais, alem dos 100 que já tínhamos pago pelo trajeto todo, para que nos levassem para o nosso destino final. Por fim, mais uma van e um ferry até a famosa ilha Koh Phi Phi.
O trajeto foi realmente confuso, mas nós não tínhamos pesquisado nada sobre o assunto antes, simplesmente fechamos o pacote que nos pareceu melhor, mas que no fim das contas saiu caro e MUITO demorado. Sugiro pesquisar bem esse trecho caso esteja pensando atravessar a península.








terça-feira, 13 de setembro de 2016

Três dias em Bangkok - A Capital da Tailândia


Antes de contar o que fizemos em Bangkok, preciso contar a jornada nada comum que tivemos para chegar à cidade.

Eu sempre tento economizar ao máximo em minhas viagens, tanto de dinheiro quanto de tempo. Por conta disso viajar durante a noite é uma ótima alternativa para determinadas distâncias, já que não gasto muito com passagem de avião, economizo uma diária de hostel e ainda economizo muito tempo, já que posso curtir um dia inteiro em uma cidade, viajar de noite, e já acordar explorando.

Foi pensando nisso que optamos pelo sleep train de Chiang Mai para Bangkok, viagem que durou quase 14h. O trem tem de opção de 1ª Classe, vagão com ar condicionado e sem ar condicionado, além de você optar pela cama de cima ou de baixo. Nós pegamos a cama de cima com ar condicionado e pagamos 70 reais pela passagem. 

Li muitos relatos cheios de elogios ao trem e estava mais que tranquila para viajar, mas quando entramos no trem tomamos um baita susto. Era um trem bem velho, bem apertado e sem nenhum sinal de lugar para dormir, apenas duas poltronas que mal sentavam duas pessoas. E o pior, não vimos nada que pudesse esboçar uma cama superior, onde iríamos dormir? Pra piorar nosso desespero momentâneo percebemos uma espécie de bagageiro no alto de nossas cabeças, bem pequeno e sujinho, e já rolou uma claustrofobia ao imaginar que dormiríamos ali dentro.
Nossa caminha luxuosa
Rodeadas de tailandeses que não falavam inglês, passamos muito tempo alternando entre rir da nossa própria cara e pensamentos preocupados. Porém logo o funcionário do trem juntou as duas poltronas de baixo e abriu o bagageiro duvidoso, revelando deliciosas e limpas caminhas. Dormimos muito bem, obrigada, e recomendo a experiência sem medo. Mas pegue o com ar condicionado, sem não vale a pena pois as janelas ficam completamente abertas e não é legal.

Chegamos bem em Bangkok, deixamos nossas coisas no hostel e partimos para conhecer a cidade.

Dia 1:

Que cidade quente, MEU DEUS! Além do calor infernal a cidade estava lotada de turistas, o que parecia aumentar a sensação de estar dentro de um forno ainda mais. Sentimos falta do clima ameno e das brisas de Chiang Mai. 

Fomos direto à atração mais famosa da cidade, o Gran Palace, onde podemos ver o (pequeno) Buddha de Esmeralda, que na verdade é de jade. O ingresso custa 50 reais e para entrar você precisa estar vestido de maneira adequada. No geral para entrar nos templos da Tailândia é necessário cobrir os ombros e joelhos, um lenço basta para esse propósito, mas para o Gran Palace o Lenço não serve. Lá a blusa deve de fato tampar tudo, decote e obros, só amarrar um lenço na cintura não serve e calças leggins ou muito justas também não são permitidas. Na porta da atração há roupas para emprestar, mas, sério, não tem coisa mais feia. Fui obrigada a usar uma blusa deles e não fiquei nada feliz. Quanto à atração confesso que não foi minha favorita, tinha gente demais e pela fama do lugar eu esperava mais. Mas de fato é parada obrigatória em Bangkok.
Que tal minha linda camisa?

Em seguida fomos ao Wat Pho, o templo que abriga o maior Buddha reclinado do mundo, a posição que simboliza o nirvana de Buddha antes de sua morte. É realmente incrível, vale muito mais que os míseros 5 reais que cobram de entrada e é bem mais tranquilo que o Gran Palace. Imperdível.

Em seguida fomos ao famoso mercado Chatuchak. É um mercado que só funciona aos fins de semana e vende de TUDO, desde roupas maravilhosas, à comidas de todos os tipos e animais ilegais, tudo por um precinho bem camarada. Como disseram umas brasileiras fofas que conhecemos em Chiang Mai, é um Aliexpress a céu aberto. Mesmo não comprando quase nada amamos o lugar, é uma loucura de cores, cheiros e pessoas. Só não curtimos a parte dos animais, é meio assustador e bem triste, mas se você estiver em Bangkok no fim de semana, não deixe de ir.
Buddha Reclinado

Nossa noite terminou na famosa Khao Shan Road, simplesmente o melhor lugar para beber, comprar, fazer tatuagens, comer, fazer massagem, conhecer pessoas, tudo em um lugar só. E sim, comemos escorpião, larvas, grilos e tudo que tínhamos direito.

Dia 2:

Nosso segundo dia em Bangkok não foi exatamente em Bangkok, foi em uma cidade chamada Ayuthaya, perto da capital. A cidade a 80km de Bkk foi a capital do Reino Siam e hoje reúne diversas ruínas que formam o centro histórico incrível da cidade.


Para chegar à cidade você pode fechar um pacote turístico privado, ir de trem, taxi ou van. Como a van era o mais barato, foi o que escolhemos. É bem simples, todas as vans saem de um mesmo ponto, próximo ao Victory Monumento BTS Station. Você entra na fila e paga por volta de 12 reais ida e volta para a cidade de Ayuthaya. Lá na cidade a van para em um local onde vários guias se encontram. Você pode fechar grupos ali mesmo e acordar o preço com os guias. Nos juntamos com duas espanholas e fechamos um carro para 5 pessoas por 30 reais, tipo 6 reais por pessoa! Mas nosso guia foi tão maravilhoso que decidimos dar mais dinheiro.

O tour é de 4 horas e passa por vários pontos da cidade, sendo que você tem flexibilidade para escolher quais lugar prefere e se quer mais ou menos tempo de passeio. Ficamos tão encantadas com a cidade e nosso maravilhoso guia, o Mr. Pok, que pagamos por mais tempo.

Nosso grupinho e o querido Mr. Pok


 Durante o dia fomos a diversos templos e ruínas, tantos que precisaria de mais de um post para falar de todos. Vimos um templo de arquitetura típica do Camboja, ruínas de templos em que todos as imagens de Buddha tiveram suas cabeças cortadas, o maior Buddha sentado dourado dentro de um templo, aprendemos sobre as cores budistas de cada uma (a minha é rosa) e as diferentes posições de Buddha com os respectivos significados. Foi um passeio muito agradável e de uma sabedoria incomparável, saímos ainda mais apaixonadas pela cultura tailandesa.






De volta à Bangkok, fomos direto para a Kao Shan Road curtir aquela loucura maravilhosa. Entre buckets com bebidas duvidosas, boates malucas, coreanas dançarinas, tatuagens de henna e insetos comestíveis, é seguro dizer que faltou pouca coisa pra gente ver naquela noite tailandesa.


Dia 3:

Pela manhã fomos a Snake Farm. Fui bem sem expectativa porque na verdade era só um passeio que encaixamos antes do trem para Koh Tao, bem simples e bem curto, que não comprometeria o nosso dia.

Começou meio parado, ver cobras em grandes aquários não é das coisas mais emocionantes que já fiz na minha vida, mas explorando mais o lugar percebemos que ali não era apenas uma exposição de cobras, mas sim um instituto que as estuda e realiza diversas pesquisas importantes na área, aprendemos um bocado sobre esses bichinhos.

O passeio termina com um show assustador de cobras venenosas que confesso que não foi nada zen. Por fim o apresentador pede um voluntário para participar do show e eu, ignorando que o convite era claramente para crianças, dei um pulo e gritei "EU". Sem graça de negar o meu entusiasmo, fui chamada e olha a surpresinha que me arrumaram:

Fomos para estação de trem e partimos para mais uma cidade, agora começavam as férias das nossas férias: PRAIA!








quinta-feira, 28 de julho de 2016

Três dias em Chiang Mai - Thailândia



Chiang Mai foi, pra mim, o melhor da Tailândia. A cidade tem tudo que a Tailândia pode oferecer, culturalmente falando, mas de um jeito bem mais simples, mais barato, menos abarrotado de turistas e mais calmo, além de umas coisinhas que só o norte da Tailândia tem.

Não bastasse isso, chegamos de Xangai e Hong Kong, duas cidades que estavam MUITO frias e MUITO chuvosas, e eram super caras, então chegar em um lugar que eu podia usar apenas saias e chinelos e comer um mega prato de pad thai por 6 reais, fez a sensação de chegar em Chiang Mai ser a mesma de chegar num paraíso.

Ficamos num hostel que eu sinceramente não recomento, o Nature's Hostel. Não recomendo por ser bem precário e mal cuidado, com chuveiros que não funcionam e portas que não fecham, mas considerando que pagamos apenas 15 reais a noite e que os funcionários eram os mais atenciosos e prestativos que já conheci, não me arrependo da experiência.

Chegamos na cidade bem tarde e foi o tempo de colocarmos nossas saias e ir jantar. Além das cervejinhas maravilhosas, comemos o famoso pad thai e curtimos uma música ao vivo. Em Chiang Mai há diversos bares e pubs com música boa, mas que só ficam abertos até meia noite.

Discutindo sobre os passeios que gostaríamos de fazer, de cara percebemos que 3 dias em Chiang Mai era muito pouco, a cidade precisa de uns 4 dias para ser aproveitada, mas íamos fazer dar certo mesmo assim.

Dia 1:

O thai fofinho do hostel contratou um taxi que ficaria por nossa conta o dia todo. Ele cobrou 110 reais ao todo, o que foi dividido por nós três, mas que pode ser dividido por mais já que os carros lá são adaptados para levar várias pessoas.

Saímos bem cedo e começamos nosso dia indo na tribo das mulheres girafa, que eu já falei sobre no post anterior. Caso esteja pensando ir, sugiro ler o que escrevi aqui, além depesquisar muito. É um passeio muito interessante, mas bem controverso. Se decidir que vale a pena, a entrada custa por volta de 50 reais.

A traseira do táxi
Depois nosso taxista nos levou ao Tiger Kingdom. Esse é outro passeio bem controverso, mas que nesse caso eu não recomendo. Veja bem, não acho que os animais sejam dopados no Tiger Kingdom, acho que são bem tratados de verdade e pelo que me contaram lá, todos já nasceram no cárcere, ou seja, não foram capturados, nem nada do tipo. Mas não deixa de ser anti natural manter esse bichos gigantes aprisionados, simplesmente para o prazer do turista, por isso não acho legal dar corda pra esse tipo de turismo que explora, mas vai da consciência de cada um.

Segundo os cuidadores, eles domem
durante o dia e são ativos de noite
Mas sim, eu fui. Fui por curiosidade na época, mas não iria se tivesse a mentalidade que tenho hoje sobre o assunto.

Chegando lá podemos optar pelo tamanho do tigre que queremos ver. Baby, small, medium ou big cats. Os babies e os grandes são os mais procurados e consequentemente mais caros, por volta de 100 reais cada, os pequenos eu não sei quanto custam, mas é um pouco mais barato, e os médios são os mais baratos, custam 50 reais. Como eu não estava fazendo muita questão de nada, peguei os médios, mas que na verdade eram bem grandinhos. É legal, você pode tirar fotos e passar a mão nos tigres, da medinho e é bem emocionante, mas eu fiquei com uma sensação estranha o tempo todo. Como eu disse, vai de cada um, né?

O terceiro passeio foi o Doi Suthep, o templo mais famoso de Chiang Mai com a sua pagoda gigante e dourada. Coisa mais linda e imperdível! Para chegar ao templo precisamos subir uma mega escadaria, também linda, e pagar uma entrada no valor de 30 reais. Depois disso, tire seus sapatos e aproveite tudo, as imagens, os odores, os sons, a energia. É uma experiencia e tanto.


Mesmo depois de tantos passeios, ainda eram 13 horas da tarde e pedimos para o taxista nos deixar no centro da cidade. Almoçamos, mais uma vez maravilhadas com os preços de Chiang Mai, passeamos por alguns templos (existem dezenas espalhados por toda parte) e fomos experimentar a famosa Thai Massage em um lugar bem especial.
Era um centro que emprega apenas detentas em regime aberto ou ex detentas, garantindo uma vida digna para essas mulheres que provavelmente teriam poucas oportunidades por ai. A maravilhosa massagem custou apenas 20 reais para uma hora, com direito a lavagem de pés e chazinho no final. Amei tudo e recomendo sempre.

Depois fomos caminhar pela cidade e passamos pelo maior mercado de comidas da cidade, mas sem coragem de comer nada, tendo em vista o trauma que tivemos na China. Depois fomos andando em direção ao famoso night market, mas erramos o mapa e acabamos passeando por um mercado qualquer sem saber, só descobrimos no último dia, quando era tarde demais.

Dia 2:

Contratamos um passeio de van de um dia todo, com almoço e guia, para cidade de Chiang Rai. Reservamos pelo nosso hostel e pagamos 110 reais por pessoa.

A rota foi: Outra tribo de mulheres girafa, um pequeno parque de águas termais, o famoso Templo Branco, um templo que eu não lembro qualéquie e o Golden Triangle.

Não achei que valeu a pena pelo preço e tempo gasto. Não fomos na tribo porque era paga a parte e era menor do que a que nós já tínhamos ido. O parque das águas termais era bem pequeno e não tinha muita coisa além de uns turistas cozinhando uns ovos nas águas naturalmente quentes. O outro templo era bem bonito, mas nada mais espetacular do que os que existem em Chiang Mai.

Entrando no Templo Branco
Já o Golden Triangle é até legal, mas também tinha que pagar à parte e achamos meio caro pela proposta. Trata-se de um passeio de barco em uma pequena ilha na divisa entre Miammar, Laos e Tailândia. Acho que você chega a descer no Laos, mas nada demais. O interessante disso tudo é que a pequena porção de terra não está sob o comando de qualquer um dos países, sendo uma zona neutra e de muito contrabando. Mas do lugar que ficamos esperando o grupo fazer o passeio dava pra ver a ilha e achamos mais legal passear pela região e nos entupir das gostosas e baratas frutas do lugar.

Agora o Wat Rong Khun, o famoso Templo Branco, esse sim vale MUITO a pena. É um templo moderno, que ainda está em construção, e pertence a um artista local chamado Chalermchai Kositpipat. Vendo de longe é um templo imponente e imaculadamente branco, lindíssimo, mas ao nos aproximarmos podemos ver todo o simbolismo da obra que representa a jornada ao paraíso. Desde às mãos de pedra que surgem do chão na entrada, até às pinturas super modernas no interior do templo, tudo tem um significado.

A dica aqui é não deixar de ir no Templo branco, mas fechar um pacote mais direcionado à atração, já que o nosso foi cheio de horas de van e pequenos passeios dispensáveis.

Dia 3:

O terceiro dia era o mais esperado por mim em toda a viagem, passaríamos o dia no Elephant Retirement Park.

Calma, sem atirar pedras ainda! Sei que escrevi ser contra a exploração animal para o turismo, mas nesse caso é o turismo que mantêm os animais vivos. Explico: Eu AMO elefantes, acho que é o bicho mais maravilhoso do mundo, e quando vi a quantidade de atrações na Tailândia que exploram esses seres lindos fiquei muito desanimada. Ver turistas montados em elefantes, elefantes que pintam quadros, jogam bola, fazem truques e tudo de anti natural, só pela diversão dos estrangeiros, me deixou muito decepcionada. Acontece que, lendo o guia do Lonely Planet, vi a recomendação para um lugar que resgata esses elefantes e os recupera, dando-lhes uma vida mais digna. A partir daí descobri vários locais que faziam o mesmo e usavam do dinheiro do turismo para proteger esse animais.

Vai um banho de lama aí?
Foi assim que encontramos o Elephant Retirement Park, uma pequena vila, com poucos elefantes resgatados, mas que vivem livres e bem cuidados. O passeio que fechamos custava 150 reais e durava meio dia. Tem a opção de um dia inteiro, mas nós iríamos pegar um trem para Bangcoc no fim da tarde e não daria tempo, mas parece que não muda muita coisa para o passeio de um dia inteiro.

O passeio inclui transporte, água, toalhas, roupas extras, chá e frutas. Passamos uma manhã deliciosa, em um lugar maravilhoso, com pessoas incríveis de vários países, dando comida aos animais, banho de lama, nadando no lago, dando remédio e aprendendo a respeitar ainda mais aqueles seres incríveis.

Depois de um dia cheio, e com o coração mais cheio ainda, pegamos o trem pra Bangcoc, mas com uma vontade quase incontrolável de ficar.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Baan Tong Luang: A Tribo das Mulheres Girafa

Pesquisando sobre a Tailândia me deparei com a tribo Baan Tong Luang, mais conhecida como a tribo das mulheres girafa, aquelas que usam argolas douradas em volta do pescoço para alongá-lo.

Sempre alimentei um fascínio e curiosidade por essas mulheres, mas lendo relatos sobre o assunto não consegui me decidir se bom visitá-las quando estivéssemos por lá.

Essa tribo é original do Miammar, mas, devido a perseguição sofrida em seu país, essas mulheres foram obrigadas a se refugiar na Tailândia. Até aí me parecia que visita-las seria, sim, uma boa ideia. Imaginava uma tribo vivendo em paz, como em sua terra natal, preservando seus costumes, sem perseguição e por vontade própria. Acontece que a maneira em que são tratadas pelo governo Tailandês não é muito clara.

Na realidade elas vivem em uma espécie de vila, perto da cidade de Chiang Mai, criada pelo Estado para abriga-las. Alguns dizem que elas são impedidas de trabalhar e que são obrigadas a permanecer nos locais designados para as visitações, sem qualquer liberdade. Já outras pessoas dizem que elas vivem felizes e protegidas, que apenas usam do turismo para venderem seus artesanatos. Há também os que acreditam que elas não são obrigadas a nada, mas que também não tem outra perspectiva além de permanecer na realidade em que estão.

Confesso que até hoje não sei se vale a pena ou não fazer esse passeio, mas o que venceu foi a minha curiosidade e a vontade de ver com meus próprios olhos a realidade dessas mulheres.



Na verdade o passeio conta com várias tribos. Você caminha livremente por um campo com diversas casas que abriga as mais diferentes tribos, cada uma com seus próprios produtos, vestimentas e enfeites. Trata-se de um pequeno vilarejo, com escolas, plantações  e etc.

O lugar é assustadoramente calmo e nós nos sentimos muito desconfortáveis com a situação. A impressão era que estávamos invadindo a vida daquelas pessoas para observa-las. Elas, por sua vez, apenas nos observavam passar, todas vendiam vários produtos, mas não falavam nada.

Tudo melhorou um pouco quando nosso taxista chegou e começou a conversar com as tribos. Elas pareciam mais confortáveis na presença dele e conversaram com a gente também. Só nesse momento, e com a anuência de todas elas, que arrisquei tirar algumas fotos, mas mesmo assim aquilo me parecia estranho.


A última tribo era a tão esperada Baan Tong Luang. De longe vi algumas menininhas com as argolas douradas e meu coração deu um salto. Como eram lindas! Indescritível a beleza desse povo! Conversei um pouco com uma senhora que parecia a mais velha da tribo e ela contou que aos 5 anos de idade elas recebem as primeiras argolas e que a cada ano um anel é adicionado até que a mulher se case. Ela me mostrou uma foto dela sem as argolas e explicou que na verdade seus ombros foram empurrados para baixo, o pescoço permanecia do mesmo tamanho. Ela quis colocar algumas argolas no meu pescoço e pude sentir o grande peso daquilo.

Mais adiante algumas crianças vieram conversar, muito brincalhonas e animadas, como qualquer criança do mundo. No meio das brincadeiras nos contaram que aquilo em seu pescoço era muito pesado, mas que não precisávamos de nos preocupar porque não enforcava. Muito inteligentes, com apenas 10 anos de idade, falavam inglês e arriscavam algumas palavras em espanhol.

Saímos de lá sem saber o que estávamos sentindo, e se me perguntarem até hoje não sei dizer o que penso daquilo tudo. A impressão que deu é que elas estão seguras, que são felizes, mas eu sinceramente não sei até que ponto. Será que elas tem alguma alternativa fora dali? Será que elas mantêm essa prática tão agressiva como deformar o próprio corpo por amor à sua tradição/história ou apenas para alimentar o turismo? Será que ao ir visitá-las estou incentivando sua exploração, ou proporcionando seu único meio de sobrevivência? Muitas perguntas que eu achei que seriam respondidas, mas que na verdade só aumentaram.

Não escrevo isso para recomendar a visita, mas para propor uma reflexão e quem sabe impulsionar uma pesquisa mais profunda do assunto, já que pouco se sabe sobre a vida dessas mulheres. 

Saí com o coração pesado, e de todas as dúvidas, só permaneceu uma única certeza: o ser humano é maravilhoso em qualquer parte do mundo e todos merecem respeito.

terça-feira, 21 de junho de 2016

Três dias em Hong Kong

Hong Kong foi mais um bônus maravilhoso dessa nossa viagem. A princípio era só uma maneira de deixar o trajeto China/Tailândia mais barato, mas foi um dos pontos mais altos da viagem.

Chegamos em Hong Kong tarde da noite, muito cansadas, e só deu tempo de pegar o ônibus do aeroporto até o hostel e apagar.

O nosso hostel foi o Golden Island, era na verdade uma Guest House num prédio bem antigo e bem bizarro, com funcionários que não falavam nada de inglês e de quartos bem apertados, mas que foi uma ótima escolha pelo preço. O preço de hospedagem em HK é meio absurdo, e pela segurança, preço e limpeza do lugar, recomento muito o Golden Island.
Chuva chuva chuva

Dia 1:
Acordamos com uma chuva horrorosa, e pra piorar eu estava MUITO gripada.O jeito foi colocar minha jaqueta maravilhosa salvadora de vidas na chuva e tomar coragem. Pra gripe eu parei na primeira farmácia que vi, e são muitas, e resolvi experimentar algo da medicina oriental pra melhorar meu estado. Comprei o famoso tiger balm e fui bater perna.

Andamos muito, sem rumo mesmo, tudo era motivo para ficarmos encantadas, principalmente os supermercados e as lojas de cosméticos. Fizemos um super turismo de mercado, mesmo não comprando nada, mas é incrível conhecer os produtos do dia a dia de pessoas do outro lado do mundo.

Primeira parada foi o Ladie's Market, uma feira a céu aberto que acontece todos os dias e vende de tudo um pouco, desde souvenires até relógios falsificados e fantasias de panda. Os preços são bem bons e os vendedores são menos agressivos que em Xangai, o que não quer dizer que eles são fáceis de dispensar

Segunda parada foi o Mc Donald's do futuro que na verdade é um novo modelo da loja batizado de McDonald’s Next. O lugar é bem diferente das lojas que estamos acostumados. O visual é mais moderno, você pode fazer seu pedido através de telas touch e a cozinha é toda aberta, de maneira que vemos como todos os alimentos são preparados. Além disso é possível criar seu próprio sandwich com os ingredientes de sua preferência. Depois de certo horário tem até garçom!
E ai? parece um Mac?

Depois fomos até o The Peak, que teoricamente é a melhor vista da cidade, mas que pra gente de nada serviu, porque além de estar chovendo, a serração estava bem baixa, de maneira que a melhor vista de Hong Kong pra nós foi um lugar bem branco e molhado. Se o tempo não tiver bom nem preciso ir pra lá, é um passeio de bondinho bem legal, mas não tem nada além de um pequeno shopping além do mirante que pra gente foi furada. Além disso é meio caro subir de bondinho, por volta de 30 reais. Mesmo se o tempo tiver bom, meu conselho é subir de bondinho e descer andando pelo parque.

O Hong Kong Park, ao lado do The Peak, é um lugar bem interessante e tem um viveiro de pássaros enorme com entrada gratuita, mas não conseguimos ir porque fica aberto até 17:00. Mas o parque em si já é um passeio imperdível.

Que tal essa bela vista?
Passeamos mais um pouco pela principal rua de comprar de HK e terminamos o dia no porto onde todos os dias há um show de luzes e música. Na verdade é um show que envolve várias partes da cidade, com vários prédios que acendem luzes coloridas sincronizados com música, mas é do porto que se tem uma melhor vista. Dependendo do dia o show é em inglês, mandarim ou cantonês. Assistimos em cantonês, o que não atrapalhou em nada já que o mais legal era ver os prédios dando um show de tecnologia ao som da música.

Dia 2:
Acordamos bem cedo e fomos direto pegar o cable car para Lantau Island onde fica o Big Budha. O bonde que nos leva até a ilha é um dos maiores do mundo e você tem a opção de pegar cabine de cristal ou normal, a de cristal tem o chão transparente que dá uma emoção bem legal, mas é um pouco mais cara, por volta de 65 reais. Pegamos a de cristal e só essa parte do passeio já foi extremamente emocionante porque além de ser um lugar lindo, dá pra ver o Big Budha sentado do alto de sua montanha e eu juro que quase chorei de tão lindo.

Chegando na ilha há diversas coisas pra conhecer, inclusive um mosteiro lindo, mas como o dia estava corrido fomos direto para a atração principal. Chorei, muito, quando cheguei aos pés do Buddha. A emoção de estar ali, cercada de uma natureza exuberante e de dezenas de pessoas cantando e prestando homenagens é indescritível, me senti a menina mais sortuda desse mundo. Pra minha surpresa a grande maioria das pessoas que estavam lá eram budistas que foram prestar homenagens, turistas como nós eram minoria, o que deixou a experiência ainda mais rica.

Depois fomos direto pra Disney de Hong Kong, sim, foi um dia metade oriental e metade ocidental, mas somos Disney Freaks, o que podíamos fazer? A entrada custa 90 dólares americanos. A Disney de lá não é grande como a da Flórida, por isso deu para visitar praticamento todos os brinquedos mais legais em meio dia. A disposição do parque é bem parecida com qualquer Magic Kingdom, mas é interessante ver a diferença no estilo dos shows, os personagens preferidos, entre outras coisas. Era a Disney de sempre, mas o público dá uma cara diferente ao lugar. Uma diferença desse parque é que existe uma área separada para Toy Story e o melhor brinquedo fica lá.

Após o tradicional show de luzes, e depois dos fogos no Castelo, voltamos mortas com farofa para o hostel.



Dia 3:
Nosso planejamento era ir ao Ladie's Market nesse último dia e deixar o big budha no primeiro para poder aproveitar melhor, mas como o primeiro dia foi todo de baixo de chuva, tivemos que fazer as coisas mais urbanas primeiro.

Nosso voo era de tarde e o dia acordou ainda mais chuvoso que o primeiro, a única coisa que conseguimos fazer foi comprar umas lembrancinhas, almoçar e tomar MUITA chuva. Resolvemos ir de metrô para o aeroporto, o que se mostrou um pouco mais complicado que imaginávamos então foi bom reservar um tempo extra para isso.

Hong Kong é um lugar que eu voltaria sem pensar duas vezes, de prefência com mais tempo. É uma mistura maravilhosa de China e Nova York com um charme que é só deles, e tudo valeu muito a pena.
Chuva e peso


segunda-feira, 6 de junho de 2016

Cinco dias em Xangai - Passeios e preços

Definitivamente não estava nos nossos planos conhecer a China, mas devido à confusão das passagens, que já contei aqui, fomos parar no país mais populoso do mundo, e acabou sendo uma das experiências mais enriquecedores e desafiadoras da minha vida.

O maior desafio foi sem dúvida acostumar com o fuso horário, um jetlag que eu nunca tinha experimentado nos derrubava durante o dia e não nos deixava dormir durante a noite. A temperatura perto dos 0º C só aumentava a dificuldade de acostumar com o lugar.  Além disso a comida chinesa foi muito difícil de aguentar, e olha que não sou fresca, mas nosso organismo não estava nada preparado para os principais ingredientes do país. A língua também nos atrapalhou um pouco, todas falamos inglês bem, mas de nada adiantou pra um país em que ninguém fala nada além de mandarim. 

Eu sinceramente acho que 5 dias em Xangai é muita coisa, mas no nosso caso foi importante pra acostumar com tudo e pra perceber que aquela não seria uma viagem tão fácil quanto imaginávamos.

Dia 1:
Saímos do aeroporto de Xangai de Maglev, um trem que chega a 300km por hora. É bem mais caro que um metro, mas indiscutivelmente mais rápido, e valeu a experiência. Sem contar que a esse ponto a gente ainda não sabia que o metro chegava até o aeroporto.
Foi bem fácil achar o hostel, a dica aqui é reservar um hostel perto de uma estação de metro porque é super fácil ir pra qualquer lugar de metrô, além de barato, eliminando a necessidade de tentar se comunicar com os chineses pra achar os lugares.
Apesar de ter viajado por mais de 48h, e ter acabado de sair de um voo de 14h, fomo direto passear.
Nanjing Road: principal rua de Xangai, passeamos por lojas, ruas, mercados, andamos sem rumo completamente maravilhadas com tudo aquilo, realmente estávamos do outro lado do mundo.
The Bund: onde a cidade velha e a cidade nova se encontram, dividas por um rio e é onde podemos ver o famoso skyline de Xangai, com os gigantes e modernos prédios.
Dormimos bem cedo, mortas pela jornada épica.


Dia 2:
Yu Yuan Ganden: De manhã fomos no maior jardim tradicional chinês da cidade. Pagamos mais ou menos R$ 15,00, estudante paga meia. Além do jardim, em si, a região ao redor é um passeio a parte. É um bairro bem tradicional, com muitos restaurantes e lojas frequentados em sua maioria por locais.


Passeando por esse lugar resolvemos ousar e comer em um restaurante chinês hardcore. No geral é muito difícil encontrar ocidentais pelas ruas de Xangai, mas nesse lugar não havia o menor sinal de qualquer coisa ocidental, tudo escrito em chinês, com muitos chineses e todos olhando torto pras três meninas estranhas que estavam lá.
Pegamos as coisas mais estranhas que vimos, uma rã no espeto (que depois de comer localizei um bico e percebi que se tratava de um pombo), uma massa com sopa de peixe dentro que se tomava de canudo, muito óleo, muita carne sem identificação, muuuuito tempero. Resultado? Três meninas passando muito mal!
O próximo programa seria subir em uma dos arranha-céus de Xangai, mas isso se mostrou caro demais. A visita mais barata custava em torno de R$ 360,00, nosso orçamento de mochileiras não nos permitia tal peripécia e a viagem estava apenas começando.
Passeamos no Shopping de Luxo IFC Mall, do lado moderno da cidade, e passamos o resto do dia tentando evitar mais ousadias.

Dia 3:
Pegamos um trem intermunicipal até a cidade de Suzhou. É uma viagem de menos de 2 horas, com passagem de por volta de 60 reais  que vale muito a pena para conhecer uma cidade bem chinesa. O problema que enfrentamos nesse passeio foi que a cidade estava ainda mais fria que Xangai, ainda mais poluída e era ainda menos preparada para estrangeiros, então a sugestão mais importante aqui é se programar bem com mapas e informações antes de ir. Nós fomos de mãos vazias e nem um mapa conseguimos, funcionários de hotel não sabiam falar Hello em inglês.
Rodamos bastante e achamos alguns templos, vários jardins, ruas lindas, rios e vendedores de frutas por toda parte, mas também perdemos muito tempo perdidas.
Esse foi o dia do Ano Novo, e o que nós fizemos? Isso mesmo, NADA! Os chineses não comemoram o ano novo na mesma época que a gente, e em Xangai qualquer tipo de comemoração foi proibida devido a um acidente que matou várias pessoas há três anos. Todos os três pararam de rodar às 20h e taxis ultrapassavam os 300 DÓLARES para ir pra cidade, ou seja, não tinha pra onde ir.
A minha virada do ano foi passada no hostel, com um punhado de japoneses bêbados, assistindo uma espécie de show da virada ao reverso, e à 00:02 estava na minha cama, dormindo feliz.




Dia 4:
O primeiro passeio foi visitar o lindo bairro Tianzifang. São várias ruas só para pedestres com lojas e restaurantes de todo tipo, vale MUITO a pena visitar, mesmo se não quiser comprar nada.

Nesse mesmo lugar fomos ao Modern Toilette Restaurant, um restaurante com a temática de banheiro, onde você senta em privadas, com chuveiros, pias, e até uns cocozinhos espalhados por ai. Os pratos também são temáticos, mas muito caros e nada de especiais quanto ao sabor. Recomendo mais pela experiência.
Pelas ruas de Tianzifang e uma figura de papel do meu rosto
O bar do cocô

Depois fomos ao Han City, shopping de falsificados, os famosos made in China. Foi uma experiência INTENSA. Não se veem chineses lá dentro, apenas turistas desavisados. Os vendedores são realmente incisivos ao vender, quase agressivos na verdade. Perguntei o preço de um óculos a título de curiosidade e a vendedora disse que era R$ 780,00. Com a minha recusa ela começou a reduzir o preço. Chegou aos R$ 90,00,mas eu realmente não queria o óculos e saímos da loja. Para o nosso horror, vinte minutos depois essa mesma vendedora apareceu desesperada com um bebê no colo, nos seguindo pelos corredores, oferecendo o que eu quisesse pagar pelo óculos.
Em outra ocasião um vendedor mandou a Ana ir pra aquele lugar porque ela não quis um conjunto de pincéis. Foi uma experiência exaustiva, mas não posso dizer que não foi uma história e tanto pra contar.

Dia 5:
Nosso último dia em Xangai passamos na People's Square. Era um domingo e como todo domingo estava acontecendo a tradicional e muito controversa feira de casamentos de Xangai. É uma espécie de Tinder involuntário. Os pais com filhos em idade mais avançada, leia-se 25 anos pra cima, pegam fotos e informações pessoais de seus filhos e vão para praça tentar arrumar um casamento. Informações como altura, emprego, idade e peso são expostas enquanto os pais de possíveis pretendentes ficam circulando pela praça e olhando as opções. É inacreditável! Quando fiquei sabendo disso achei que era uma coisa pequena, mas é ENORME e meio assustador. Dizem que muitos fazem isso sem o consentimento de seus filhos e atualmente está rolando um movimento das chinesas pelo direito de não casar. Loucura!
A People's Square tem várias coisas legais e é onde está o Shanghai Museum, mas como tínhamos que pegar um voo pra Hong Kong dali a algumas horas, deixamos esse passeio de lado.

Esses foram nossos dias na imensa Xangai. Além do que foi contado aqui, passamos muito tempo andando pelas ruas e mercados, sem rumo mesmo, o que nos fez sentir muito a vontade naquela loucura de cidade.

Eu confesso que não foram só flores, em alguns momentos eu me achei muito maluca por estar tão longe da minha zona de conforto, mas sinto que cresci como pessoa e o meu respeito por aquele povo cresceu muito mais.


sexta-feira, 29 de abril de 2016

O que eu levei no meu mochilão - China, Hong Kong, Tailândia e Malásia

Uma das minhas maiores dificuldades na preparação para esse mochilão foi selecionar o que levar. Minha mochila precisava ficar o mais compacta e leve possível por conta dos voos internos que iríamos pegar e a falta de grana para despachar a bagagem. Na Air Asia cobravam 60 euros por bagagem e a gente não queria gastar esse dinheiro. Sem contar que em uma viagem como a nossa, em que não passamos mais de 3 noites em um só lugar, andamos de tuk tuk, ônibus, trem, barco e mais ainda de viação canelinha (a pé), quanto menos coisa para arrumar e carregar, melhor.

Mas claro que não poderia deixar de levar nada importante, afinal, se o intuito era economizar ao máximo, não queria comprar nada por lá que eu pudesse levar de casa. Além disso meu cabelo é quase uma segunda pessoa de tão exigente, então conseguir levar tudo que precisava para não ficar parecendo uma palha de milho seria um desafio por si só. Porém o maior desafio mesmo foi conciliar as roupas de frio para China e Hong Kong e as de (muito) calor de Tailândia e Malásia.

Eu tenho uma mochila de 50L da Quechua, Forclaz, lindinha, lilás, que amo. Ela é bastante resistente e 50L me servem bem. Foi o tamanho perfeito tanto para a América do Sul quanto pra Ásia. Eu já até tentei carregar mochilas de 60 e 80L, mas essa coluna de ex bailarina não aguentou muito bem. No total minha mochila saiu do Brasil pesando 8kg.



Além do mochilão levo uma mochila menor que chamamos de "mochila de ataque". Essa mochila é essencial para levar como bolsa de mão, para caminhadas longas, para tours em que você terá que pernoitar, aventuras mais arriscadas, enfim, qualquer coisa que não dê pra levar o trambolho do mochilão, mas que precise de mais espaço. Eu tenho uma da Kipling, que eu usava no ensino médio, e eu sinceramente não recomento. Por mais que seja uma excelente mochila, super espaçosa e resistente, não dá pra caminhar longas distâncias com muito peso com ela nas costas, já que ela pesa muito e não tem o prendedor da cintura que ajuda a distribuir o peso. Nesse caso recomendo uma mochila própria de aventura, mas eu mantenho a minha de escola até animar gastar numa nova.

A Kipling inseparável


Além da mochila de ataque, levo uma bolsa de pano que comprei na Bolívia. Leve, não ocupa espaço e pode sujar a vontade, serve de bolsa de praia, para sair de noite, caminhar na cidade e tudo mais.

Agora chega de besteira e vamos ao que levei na minha mala para um mês na Ásia, entre praias e temperaturas negativas:


  • 1 par de botas de trekking (não é super necessário, um tênis bom serve, mas eu particularmente amo)
  • 1 par de Havaianas
  • 1 par de sapatilhas (usei uma noite e foi só pra constar, saía para boates e afins de havaianas mesmo)
  • 7 pares de meias
  • 2 toalhas de microfibra (seca rápido e não ocupa espaço, levei uma pra banho e uma menor pra praia)
  • 2 biquinis
  • 7 blusinhas/camisetas
  • 2 shorts
  • 1 calça jeans (desnecessário, mas de novo, é uma preferência minha)
  • 1 legging
  • 1 saia longa
  • 1 jaqueta corta vento e ipermeável (serve pra TUDO, inclusive pra chuva)
  • 1 blusa fleece
  • 1 pijama (bem velhinho, pra deixar pra trás)
  • 7 calcinhas
  • 3 sutiãs

Além disso, comprei um vestidinho leve que usei muito, calças com elefantes que todo bom turista compra e um cachecol grosso já que a roupa de frio pra China não foi suficiente.

Claro que tudo varia de um lugar para o outro, por exemplo, na América do Sul eu usava apenas leggings e bota todos os dias, enquanto na Tailândia shorts e chinelos eram os looks principais. Essa lista é pra viagem específica que fiz pra Ásia.

E não se preocupe, você irá lavar roupas, por isso o ideal é levar o suficiente pra uma semana. Além disso, não se preocupe em repetir roupas ou em ter apenas um visual pra sair a noite, ninguém se importa, mesmo, e só você sabe como é chato carregar isso tudo nas costas.

Minha bolsa de banheiro era na verdade três saquinhos Zip Lock separados por tipo de produto e meus produtos de cabelo foram os que mais pesaram, mas deixei tudo para trás antes de pegar o voo da Air Asia para Malásia.
  • Protetor solar (de corpo e rosto)
  • Yamasterol (creme multiuso, coisa de cacheada)
  • Óleo para o cabelo (cachos cachos)
  • Condicionador (não uso shampoo)
  • Creme para pentear
  • Creme para praia (meu cabelo é muito seco, passava sempre que saía do mar)
  • Pente
  • Desodorante
  • Maquiagem (basicamente rímel e pó)
  • Escova de dente
  • Pasta de dente
  • Hidratante (sério, necessário)
  • Sabonete (melhor levar líquido)
  • Absorventes
  • Lenços umedecidos (para dar uma melhorada em dias de aeroportos e para lugares sem papel higiênico principalmente)
  • Hidratante labial
Deixei muita coisa pra trás, nessas horas não podemos ser apegadas.

Por fim, as demais coisinhas importantes para uma mochilada de sucesso:
  • Doleira (para deixar debaixo das roupas, usava todos os dias)
  • Cadeados (2, para mala e eventuais lockers)
  • Mascara de dormir (muitas vezes você vai dormir com 16 pessoas no mesmo quarto e elas vão, sim, acender as luzes a noite toda)
  • Guias de viagem (sou old fashion)
  • Livro de literatura (o menor possível)
  • Carregadores
  • Ipod
  • Fones
  • GoPro e acessórios 
  • Pasta de documentos com reservas e passagens.
Agora sim, tudo pronto pra uma aventura incrível!

Claro que isso não é nenhuma ciência exata, vai faltar coisa, sobrar coisa, mas com esse básico te prometo que você não vai ficar na mão do outro lado do mundo.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Mochilão Ásia - China, Hong Kong, Tailândia e Malásia - 28 dias


A pedidos, aqui estou!
Muitos me pediram o nosso roteiro pela Ásia e vou colocar aqui junto com algumas informações práticas. Minha vontade era escrever tudo que aconteceu como normalmente faço, de contar as mil histórias que aconteceram do meu jeitinho, mas me falta tempo e paciência pra isso, então acho que mais tarde vou só escrever os passeios que fizemos em cada lugar, sem muitos floreios como é do meu costume.

Bom, agora é preto no branco, eis nosso roteiro final:

26/12 -  BH/SP/Cidade do México
27/12 - Dia na Cidade do México
Cidade do México/Tijuana/Xangai
28/12 - Dia perdido pelo fuso horário (sério)
29/12 - Xangai
30/12 - Xangai
31/12 - Xangai/Suzhou
01/01 - Xangai
02/01 - Xangai/Hong Kong (voo no fim da tarde)
03/01 - Hong Kong
04/01 - Hong Kong
05/01 - Hong Kong/Chiang Mai Saída (voo no fim da tarde)
06/01 - Chiang Mai
07/01 - Chiang Mai
08/01 - Chiang Mai
Night Train
09/01 - Bangkok
10/01 - Bangkok
11/01 - Bangkok
Night Train + ônibus + ferry (fechamos o pacote completo)
12/01 - Koh Tao
13/01 - Koh Tao
14/01 - Koh Tao
Night Boat + Van + Ferry (fechamos o pacote, mas foi FURADA)
15/01 - Koh Phi Phi
16/01 - Koh Phi Phi
17/01 - Maya Bay Sleep Aboard
18/01 - Maya Bay/Koh Phi Phi/Krabi
19/01 - Krabi/Kuala Lumpur (voo de manhã)
20/01 - Kuala Lumpur/Xangai (voo de noite)
21/01 - Xangai/México
México-SP
22/01 México/SP/BH

Esse roteiro não é nada comum, não é normal fazer o extremo oriente e sudeste asiático assim na mesma viagem, até porque, no nosso caso, pegamos um frio de lascar na China e HK e um calor do cão na Tailândia e KL.
O que aconteceu foi que queríamos ir pra Tailândia DE QUALQUER jeito, tínhamos datas nada flexíveis e as passagens diretas pra Tailândia estavam absurdamente caras. O que fizemos foi entrar no Google Flights e literalmente procurar a passagem mais barata pra Ásia possível. O resultado foi Xangai, passando pelo México. O segundo desafio foi arrumar um jeito de chegar a Tailândia sem gastar muita grana.
Coloquei nosso esboço de roteiro no Mochileiros.com (amo essa galera) e um ANJO na terra fez uma curta pesquisa no Skyscanner e descobriu que se passássemos por Hong Kong para chegar em Chiang Mai economizaríamos muito, assim como passar por Kuala Lumpur na volta, então ganhamos Hong Kong e Kuala Lumpur de bônus.

Nem precisa dizer que foi corrido né? Mas fizemos tudo que queríamos e mais um pouco. Se eu pudesse mudar, ficaria menos em Xangai e ficaria mais em Hong Kong, Chiang Mai ou nas ilhas da Tailândia, mas o tempo que ficamos lá se mostrou necessário pra aprender a respeitar o fuso horário brutal.

GASTOS:

No total gastamos por volta de 11.000 reais com TUDO. Seguro saúde, passagens, alimentação, hospedagem, bebida, free shop e whatever.
Só de passagens aéreas gastamos mais ou menos 5.000 reais, incluindo as passagens de ida e volta pra Xangai, passagem Xangai/Hong Kong, Hong Kong/Chiang Mai e Kuala Lumpur/Xangai. Não foi barato, essa é a parte mais cara da viagem e se você conseguir passagens promocionais, sua viagem fica bem mais barata, mas aparentemente não existe promoção na época em que fomos.
Gastamos por volta de 1.000 reais com seguro saúde, passeio de Maya Bay que foi contratado antes e equipamentos de viagem diversos.
O resto, mais ou menos 5.000 reais, eu levei em dólares. Esse dinheiro serviu para a viagem toda. Hospedagem, passeios, alimentação, trens, barcos, compras, absolutamente tudo. Pagamos a Disney  e duas diárias no cartão, mas sobrou dinheiro no fim, então acredito que seria super possível gastar só o dinheiro que levamos.
Outro grande gasto que tivemos, e acredito que não é normal para mochileiros, foi em alimentação. Na Tailândia nós comíamos BEM! Se eu quisesse dava pra economizar muito nessa parte, você consegue uma refeição decente com 5 ou até 3 reais, mas a gente gastava um pouco (muito) mais.
Nesse roteiro Xangai e principalmente Hong Kong se destacam pelo preço alto de tudo, Kuala Lumpur é pouco mais barata que o Brasil e a Tailândia é um absurdo de barata, mas já me disseram que não é nem de perto a mais barata do sudeste asiático (Laos, aí vou eu!).


Acho que esse é o grosso, vou tentar escrever o que fizemos em cada cidade mais tarde com os preços dos passeios que minha miga Ana me ajudou a anotar. To melhorando na organização ou não estou?