Cinco dias em Xangai - Passeios e preços

Definitivamente não estava nos nossos planos conhecer a China, mas devido à confusão das passagens, que já contei aqui, fomos parar no país mais populoso do mundo, e acabou sendo uma das experiências mais enriquecedores e desafiadoras da minha vida.

O maior desafio foi sem dúvida acostumar com o fuso horário, um jetlag que eu nunca tinha experimentado nos derrubava durante o dia e não nos deixava dormir durante a noite. A temperatura perto dos 0º C só aumentava a dificuldade de acostumar com o lugar.  Além disso a comida chinesa foi muito difícil de aguentar, e olha que não sou fresca, mas nosso organismo não estava nada preparado para os principais ingredientes do país. A língua também nos atrapalhou um pouco, todas falamos inglês bem, mas de nada adiantou pra um país em que ninguém fala nada além de mandarim. 

Eu sinceramente acho que 5 dias em Xangai é muita coisa, mas no nosso caso foi importante pra acostumar com tudo e pra perceber que aquela não seria uma viagem tão fácil quanto imaginávamos.

Dia 1:
Saímos do aeroporto de Xangai de Maglev, um trem que chega a 300km por hora. É bem mais caro que um metro, mas indiscutivelmente mais rápido, e valeu a experiência. Sem contar que a esse ponto a gente ainda não sabia que o metro chegava até o aeroporto.
Foi bem fácil achar o hostel, a dica aqui é reservar um hostel perto de uma estação de metro porque é super fácil ir pra qualquer lugar de metrô, além de barato, eliminando a necessidade de tentar se comunicar com os chineses pra achar os lugares.
Apesar de ter viajado por mais de 48h, e ter acabado de sair de um voo de 14h, fomo direto passear.
Nanjing Road: principal rua de Xangai, passeamos por lojas, ruas, mercados, andamos sem rumo completamente maravilhadas com tudo aquilo, realmente estávamos do outro lado do mundo.
The Bund: onde a cidade velha e a cidade nova se encontram, dividas por um rio e é onde podemos ver o famoso skyline de Xangai, com os gigantes e modernos prédios.
Dormimos bem cedo, mortas pela jornada épica.


Dia 2:
Yu Yuan Ganden: De manhã fomos no maior jardim tradicional chinês da cidade. Pagamos mais ou menos R$ 15,00, estudante paga meia. Além do jardim, em si, a região ao redor é um passeio a parte. É um bairro bem tradicional, com muitos restaurantes e lojas frequentados em sua maioria por locais.
Passeando por esse lugar resolvemos ousar e comer em um restaurante chinês hardcore. No geral é muito difícil encontrar ocidentais pelas ruas de Xangai, mas nesse lugar não havia o menor sinal de qualquer coisa ocidental, tudo escrito em chinês, com muitos chineses e todos olhando torto pras três meninas estranhas que estavam lá.
Pegamos as coisas mais estranhas que vimos, uma rã no espeto (que depois de comer localizei um bico e percebi que se tratava de um pombo), uma massa com sopa de peixe dentro que se tomava de canudo, muito óleo, muita carne sem identificação, muuuuito tempero. Resultado? Três meninas passando muito mal!
O próximo programa seria subir em uma dos arranha-céus de Xangai, mas isso se mostrou caro demais. A visita mais barata custava em torno de R$ 360,00, nosso orçamento de mochileiras não nos permitia tal peripécia e a viagem estava apenas começando.
Passeamos no Shopping de Luxo IFC Mall, do lado moderno da cidade, e passamos o resto do dia tentando evitar mais ousadias.


Dia 3:
Pegamos um trem intermunicipal até a cidade de Suzhou. É uma viagem de menos de 2 horas, com passagem de por volta de 60 reais  que vale muito a pena para conhecer uma cidade bem chinesa. O problema que enfrentamos nesse passeio foi que a cidade estava ainda mais fria que Xangai, ainda mais poluída e era ainda menos preparada para estrangeiros, então a sugestão mais importante aqui é se programar bem com mapas e informações antes de ir. Nós fomos de mãos vazias e nem um mapa conseguimos, funcionários de hotel não sabiam falar Hello em inglês.
Rodamos bastante e achamos alguns templos, vários jardins, ruas lindas, rios e vendedores de frutas por toda parte, mas também perdemos muito tempo perdidas.
Esse foi o dia do Ano Novo, e o que nós fizemos? Isso mesmo, NADA! Os chineses não comemoram o ano novo na mesma época que a gente, e em Xangai qualquer tipo de comemoração foi proibida devido a um acidente que matou várias pessoas há três anos. Todos os três pararam de rodar às 20h e taxis ultrapassavam os 300 DÓLARES para ir pra cidade, ou seja, não tinha pra onde ir.
A minha virada do ano foi passada no hostel, com um punhado de japoneses bêbados, assistindo uma espécie de show da virada ao reverso, e à 00:02 estava na minha cama, dormindo feliz.





Dia 4:
Pelas ruas de Tianzifang e uma figura de papel do meu rosto
O primeiro passeio foi visitar o lindo bairro Tianzifang. São várias ruas só para pedestres com lojas e restaurantes de todo tipo, vale MUITO a pena visitar, mesmo se não quiser comprar nada.
Nesse mesmo lugar fomos ao Modern Toilette Restaurant, um restaurante com a temática de banheiro, onde você senta em privadas, com chuveiros, pias, e até uns cocozinhos espalhados por ai. Os pratos também são temáticos, mas muito caros e nada de especiais quanto ao sabor. Recomendo mais pela experiência.
O bar do cocô
Depois fomos ao Han City, shopping de falsificados, os famosos made in China. Foi uma experiência INTENSA. Não se veem chineses lá dentro, apenas turistas desavisados. Os vendedores são realmente incisivos ao vender, quase agressivos na verdade. Perguntei o preço de um óculos a título de curiosidade e a vendedora disse que era R$ 780,00. Com a minha recusa ela começou a reduzir o preço. Chegou aos R$ 90,00,mas eu realmente não queria o óculos e saímos da loja. Para o nosso horror, vinte minutos depois essa mesma vendedora apareceu desesperada com um bebê no colo, nos seguindo pelos corredores, oferecendo o que eu quisesse pagar pelo óculos.
Em outra ocasião um vendedor mandou a Ana ir pra aquele lugar porque ela não quis um conjunto de pincéis. Foi uma experiência exaustiva, mas não posso dizer que não foi uma história e tanto pra contar.

Dia 5:
Nosso último dia em Xangai passamos na People's Square. Era um domingo e como todo domingo estava acontecendo a tradicional e muito controversa feira de casamentos de Xangai. É uma espécie de Tinder involuntário. Os pais com filhos em idade mais avançada, leia-se 25 anos pra cima, pegam fotos e informações pessoais de seus filhos e vão para praça tentar arrumar um casamento. Informações como altura, emprego, idade e peso são expostas enquanto os pais de possíveis pretendentes ficam circulando pela praça e olhando as opções. É inacreditável! Quando fiquei sabendo disso achei que era uma coisa pequena, mas é ENORME e meio assustador. Dizem que muitos fazem isso sem o consentimento de seus filhos e atualmente está rolando um movimento das chinesas pelo direito de não casar. Loucura!
A People's Square tem várias coisas legais e é onde está o Shanghai Museum, mas como tínhamos que pegar um voo pra Hong Kong dali a algumas horas, deixamos esse passeio de lado.

Esses foram nossos dias na imensa Xangai. Além do que foi contado aqui, passamos muito tempo andando pelas ruas e mercados, sem rumo mesmo, o que nos fez sentir muito a vontade naquela loucura de cidade.

Eu confesso que não foram só flores, em alguns momentos eu me achei muito maluca por estar tão longe da minha zona de conforto, mas sinto que cresci como pessoa e o meu respeito por aquele povo cresceu muito mais.


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