quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Curiosidades da Dinamarca 2

Mais algumas coisinhas para contar para vocês, mas já vou avisando que vai sair uma bagunça porque estou sem tempo pra mim, imagina pra esse blog né? Afinal, amanhã já volto pro Brasil!!! Então bora lá né:

Não é normal pedir uma pizza para duas pessoas, normalmente se pede uma pizza média para cada, na verdade é muito mais comum pedir uma grande para cada do que uma para dividir.

As motos daqui não andam nas mesmas ruas que os carros, andam na pista de bicicleta (tem ciclovias em todos os lugares aqui) e em velocidade reduzida. Bem mais seguro para todos né?


Falando em bicicleta, muita gente e eu disse MUITA MESMO, anda de bicicleta aqui, homens de terno, mulheres de salto alto, pais levando até 2 filhos num carrinho adicional, crianças indo pra escola, até pra boate! Na saída das boates normalmente tem um estacionamento de bikes e por volta de 5 da manhã você não vê carro nenhum na rua, mas um monte de gente pedalando. Eu ando muito de bicicleta na minha cidade porque não tem ônibus, mas em Copenhague eu andei só três vezes, mas foram TENSAS! A primeira vez eu achei que ia morrer porque é muita bicicleta e carro junto, você tem que seguir as regras de trânsito e não rola de andar devagar demais, como eu estava andando, cagando de medo. Mas o pior pra mim é que a bike daqui é muito diferente, o freio não é na mão, mas sim pedalando para trás, e elas são muito altas, de modo que não dá pra simplesmente colocar os pés no chão quando você está parado e dar aquele empurrãozinho maroto na hora de sair de novo, o esquema é outro, e como eu não entendi até hoje não consigo explicar, mas o que eles fazem é ficar de pé nos pedais pra sair e depois sentar, e na hora de parar eles ficam de pé nos pedais de novo e meio que dão um pulo pra frente...ah, sei lá, só sei que é difícil! A segunda vez que pedalei em Cope foi ás 5:30 da manhã, num frio sem fim e com 3 garrafas de vinho na cabeça e a terceira foi a pior, com as mesmas complicações da primeira, as mesmas da segunda e com o problema adicional de estar com um salto enorme voltando da boate, delícia ein!

A famosa pontualidade britânica devia se chamar dinamarquesa, porque aqui o bixo pega de verdade. Se você chega no ponto de ônibus e vê que ele deve passar às 16:47, ele vai passar às 16:47, e eles levam isso tão à sério que se você chegar meio minuto atrasado no ponto e bater na porta já fechada, eles simplesmente não abrem, tem hora contada para tudo. Uma bosta porque eu estou SEMPRE atrasada. Mesma coisa em festas, se a festa está marcada para às 14:00 TODOS os convidados chegarão juntos às 14:00, é inacreditável! Até a galera da minha idade tem dessa. Na festa de ano novo que fui ano passado com pessoas entre 19 e 23 anos, o jantar antes da festa estava marcado para às 20:00 e às 20:15 estávamos nos lugares (marcados, com nome) comendo. Dinamarca é um país de velhos cricris, mesmo jovens, se é que isso fez algum sentido.


Os dias anteriores ao natal são mais importantes e legais que o dia 24 em si, na minha humilde opinião. O natal tem início no dia 1 de dezembro, sendo que nesse dia eles já começam a te desejar feliz natal. Desde esse dia eles começam a comer as famosas, deliciosas e principalmente gordurosas comidas de natal, e olha que a lista de comidas tradicionais é enooooorme. Desde a carne, até o chá, da sobremesa aos biscoitinhos, tudo é completamente diferente do que se come nas outras épocas do ano. A coisa que eu mais curto é a contagem regressiva, e há várias maneiras de se fazer isso, quase todas as pessoas fazem todas. Tem o calendário na TV, uma história que é dividida em partes e contada do dia 1 ao dia 24 de dezembro, tem o calendário de papel também, para os adultos cada dia uma raspadinha da loteria, para as crianças, cada um dia um doce, com um upgrade nos finais de semanas em ambos os casos. Outra maneira de contar os dias é queimar uma vela enumerada de 1 a 24, você deve queimar um número por dia. Pra mim essa é a mais trabalhosa, já quase botei fogo na casa dua vezes porque queria queimar de uma vez uns 3 dias que esqueci. A outra tradição, pra mim, é a mais legal: você ganha 24 PRESENTES, sim, um por dia! Olha que coisa linda! Claro que não são super presentes, são lembrancinhas, mas é super bacana. O dia 24 mesmo é uma reunião de todas as tradições anteriores, mas com muito mais presentes, muito mais comida e dança de mãos dadas em volta da árvore de verdade com velas de verdade. Aqui eu contei tudo há alguns aninhos atrás, da época que eu não gostava de vinho: http://luizapadovezi.blogspot.com.br/2009/12/natal-na-dinamarca_01.html

Aniversário é outra coisa cheia de tradições. O aniversariante é acordado com bandeiras e cantoria. O "parabéns pra você" deles é enoooorme, dá até raiva de ter que ficar lá em pé, olhando para a cara de todo mundo enquanto eles cantam aquela coisa gigantesca, e eles ainda falam um HURRA HURRA HURRA no meio que é de assustar qualquer um. Quando se faz aniversário há bandeiras por todos os lados, no mastro da sua casa (sim, cada casa tem um mastro para estiar bandeira em dias especiais), na mesa do restaurante que você vai comer, no trabalho, na escola...e como não pode faltar, também tem um bolo tradicional e você tem levar bolo para todas as pessoas da sua escola/trabalho no dia do seu aniversário e distribuir.
Meu aniversário de 2010 com os meus bolos na minha saudosa escola

Uma das coisa que percebi só dessa terceira vez aqui foi como eles conseguem ficar calados com outras pessoas por perto. Eles podem passar um tempão ao lado de uma pessoa que conhecem sem falar nada de nada por um bom tempo. Comecei a reparar isso nos almoços da empresa. Na minha mesa sempre sentam umas 6 pessoas e muitas vezes eles ficam completamente calados e eu achei a coisa mais biazarra, porque no Brasil a gente não para de falar com gente conhecida por perto assim. Mas tudo bem, tentei relevar porque eles estavam sempre comendo, até que uma noite minha host family inteira foi para nossa casa jantar, 12 pessoas, e eles agiam do mesmo jeito, com longas pausas sem ninguém falar nada, inclusive quando não estava comendo! Vocês tem noção do que são 12 pessoas, da mesma família, em uma mesma mesa, sentadas, caladas, sem fazer nada? Na minha família podemos estar em 3 pessoas que lutamos pra falar, minha mãe fala até sozinha se precisar. Achei estranhíssimo, e mesmo falando dinamarquês super mal e sendo super tímida, eu fui a que mais falei a noite toda, porque aquele silêncio me incomodava. Pra mim o pior dessa história toda é que eles ficaram umas 5 horas lá, sentados na mesa, parecia que eles estavam gostando disso, vai entender.

Então, essas são mais algumas coisas soltas que me chamam atenção nesse país, tudo mal escrito, tudo mal arrumado, mas são meus últimos momentos aqui, então tem que ser tudo corrido mesmo.


quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

O terceiro último fim de semana

Agora sim, o último fim de semana se foi, que loucura!
Desde o início do intercâmbio que ando fissurada com essa data, meu último fim de semana na Dinamarca tinha que ser épico, como sempre foi, da primeira vez passei uma das noites mais loucas da minha vida no A-bar, fiz coisas que até hoje não tenho coragem de contar para as minhas amigas, e da segunda vez eu passei o meu último fim se semana não exatamente na Dinamarca, mas sim nos alpes da França, em Les Arcs, um dos lugares mais lindos que já vi na vida, esquiando com o meu namorado da época.

E dessa vez? O que eu poderia fazer? Estava super pobre e morando no meio do nada, mesmo, então sair iria envolver um dinheiro que eu não tinha e eu precisaria de arrumar algum jeito de voltar para casa, naquelas 5 km finais em que ônibus nenhum passa. A minha brilhante solução? Ficar em casa, a decisão mais de velho que já tomei na minha vida, mas foi o que aconteceu.

Sexta de noite fui com meus host parents para um restaurante muito charmosinho e comi até estourar. Conversamos muito e a medida que o tempo passava eu sentia mais e mais o quanto eu iria sentir saudades daquilo, que mesmo já estando acostumada a dizer adeus, já fiz isso 3 vezes, eles nunca deixarão de fazer falta na minha vida e nunca vai ser fácil me despedir da minha segunda família.

Sábado acordei cedo e fui para Odense com o meu host pai. Passamos pelos campos cobertos de neve, pelos chalezinhos antigos e por um castelo maravilhoso, coisas que você vê na Dinamarca mesmo. Fomos a um shopping que para eles aqui é um dos maiores da escandinávia, mas que para mim não é nem metade do BH Shopping, mas valeu a boa vontade. Comi cachorro quente, vi um desfile breguinha, passeei bastante e no fim encontrei com minha amiga Maya que iria passar o resto do fim de semana comigo.

Voltamos para casa, mostrei a nossa casinha que mais parece de bonecas pra ela, caminhamos pela praia, jantamos pizza de kebab e passamos o resto da noite assistindo Girls e tomando vinho direto da garrafa. Nada de glamour, mas tudo que eu adoro nessa vida.

Acordei antes da Maya e tomei café, li meu livro, tomei chá com minha família, depois mais leitura e depois tomei café de novo com a Maya, e ainda me pergunto porque estou engordando né? Passamos o dia em um ritmo muito relaxado, lendo, conversando, comendo...ela me ajudou a começar a minha mala, já que eu me recusava a aceitar que em 4 dias eu estaria de volta ao Brasil e se fosse para fazer sozinha eu ficaria por ali mesmo.

No fim da noite fomos deixar Maya na estacão e trem. Eu, como o bixo preguiça que sou, não quis tirar o pijama e, me convencendo que não sairia do carro, só coloquei minhas botas cumpridas e meu casaco e saí, de blusa rosa rasgada, calca xadrez larga e cabelo desgrenhado. Chegando na estacão resolvi levar a Maya até a plataforma e fui andando com ela por um bom tempo até que ela disse: Vamos tirar uma foto juntas?
Enquanto eu pensava na possibilidade resolvi olhar para baixo e finalmente percebi: NÃO! Eu tô de pijama!!
Entrei em pânico e comecei a perceber que todo mundo olhava para mim rindo sem parar. Claro que isso não impediu que ela tirasse a foto, mas eu dei um abraco rápido nela e sai correndo pro carro onde o meu host pai estava chorando de tanto rir: Ai Luiza, você deve ser a pessoa mais devagar que eu conheço!
Que honra ein!

Voltei para casa e meu host pai, claro, teve que contar a hostória toda para minha mãe que riu até ficar sem ar. Ela serviu o jantar delicioso, depois chá e bolinhos. Passamos o resto da noite empoleirados no sofá, vendo TV, rindo e tomando chá.

O meu último fim de semana na Dinamarca não foi super maluco, não foi épico, mas foi sem dúvida o mais doce de todos.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Vester Skerninge

Eu não sei ao certo se já contei sobre o lugar que eu moro aqui, mas se contei provavelmente foi há uns 3 anos atrás, então se nem eu lembro, quem dirá vocês né? Então preparem-se para um post lotado de fotos de um dos meus lugares favoritos no mundo.

Fundo da casinha
Para quem não sabe, essa família com que moro agora é a mesma que morei nos meus primeiros meses aqui na Dinamarca, em 2009. Eles foram a minha família favorita por vários motivos, e mesmo sendo meio rígidos e paradinhos e morando MUITO longe, eles são as pessoas mais fofas e queridas que já conheci nesse país, sinto como se fossem minha família de verdade, e eles de fato me tratam assim.

Mas hoje não vou falar deles, mas sim de onde eles moram. É um vilarejo chamado Vester Skerninge, com apenas 1.000 habitantes, e apesar de se minúsculo e longe de tudo, é uma gracinha e posso dizer que um dos lugares mais lindos que eu já vi na vida, e olha que eu já rodei esse mundinho ein.

Como se não bastasse V. Skerninge ser longe de tudo e de todos, eu ainda moro fora do vilarejo, numa área afastada, com menos movimento ainda e com pouquíssimas casas espalhadas pela planície super espaçosa. A minha rua é com certeza a mais lotada de todas e ela tem 4 casas, e olha que as ruas são grandes. Moro tão longe de tudo que para chegar até a cidade que trabalho, que é a maior cidade da região (27.000 habitantes), preciso pedalar 4km para pegar um ônibus e ir com ele por quase 30 minutos até Svendborg, preguicinha né.

Apesar de morar super longe da cidade, moro a alguns passos do mar, e nesse momento eu gostaria de chamar aquilo de praia, mas na verdade a nossa prainha consiste em algumas pedras grandes e MUITAS algas pretas, mas a água é a mais cristalina que já vi. O mar é a coisa mais linda de se ver pois não tem ondas, é super limpo e como a Dinamarca é muito plana, o ponto mais alto fica a 170m, a vista da água é maravilhosa e infinita.

Praia?
O que mais se vê por aqui são vastos campos planos e sem nada, pelo menos não no inverno, mas no verão os campos verdinhos dão lugar a uma plantação dourada de trigo e no fim do verão são tomados por rolos gigantescos de trigo que serão estocados. Há também vacas e cavalos por aqui, vacas de franjinha e cavalos lindos, mas a periferia de Vester Skerninge é basicamente um lugar plano, com algumas casinhas espalhadas e o mar ao fundo. Parece chato, mas é maravilhoso e como disse a Lú quando veio me visitar "é um paraíso escondido".

Meu quarto
A minha casa orna perfeitamente com a fofura do lugar. Ela é amarela com o telhado triangular estilo chalé com o mar ao fundo, coisa linda. Dentro não é diferente, minha mãe é louca por arte e ambos são loucos por livros, então o que mais se vê por aqui são quadros por todo o canto, até no banheiro, e livros em todo lugar que você imaginar. A casa é toda de madeira clara, com o teto bem baixo e uma escada relativamente perigosa que leva ao segundo andar.

Agora, o segundo andar é sem dúvida o meu lugar favorito, e por sorte é onde fica o meu quarto. Ele tem uma salinha com sofás cobertos por peles, estantes longas cheias de livros e janelas grandes encaixadas no teto triangular. A sala tem três portas, uma obscura que eu nunca soube onde dá, uma pro quarto da minha host irmã e uma pro meu quarto, o único com vista pro jardim e consequentemente, pro mar. Meu quarto é bem grande, com o teto baixo onde eu vivo batendo a cabeça e os armários recortados para caber no quarto de formato diferente.

Desnecessário dizer que eu já me sinto em casa né? Eu morei aqui por 5 meses, sempre os visitava no meu ano de intercâmbio, os visitei ano passado e estou há um mês e meio com eles de novo, conheço cada cantinho daquela casa (menos a pota obscura) como se fosse a minha e a amo como amo a minha também.


Vester Skerninge com neve
Só de bicicleta para chegar em algum lugar
2009
Meu lugar favorito
Os rolões de trigo
2012 e a bicicleta sempre comigo
2013 e a vaca de franja

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Åhus - primeiro adeus

E o penúltimo fim de semana aqui se foi, rápido né? Lembro como se fosse ontem, eu sentada nessa mesma cadeira escrevendo sobre a minha segunda semana, com o cabelo menos seco e a cara menos redonda (amo comida dinamarquesa, fazer o que né?)

Fato é que as coisas andam mais devagar agora, não sei se é a falta de sol ou a falta de dinheiro, mas ando meio desanimada e sem muitas perspectivas para os próximos dias (tirando a degustação de narguille que vai rolar amanhã na empresa). Acho que é falta de dinheiro mesmo, queria ir para Copenhagen ou Odense, ou até mesmo ficar por aqui, mas SAIR de casa um pouco, fazer umas compras, tomar uma cerveja, sei lá, mas graças às minhas estripulias das últimas semanas eu estou pobre pobre marré deci. O jeito é visitar a minha vovó, tomar um chá com o vizinho de 70 anos, assistir as notícias com os meus host parents, ler, escrever e descansar, porque isso é de graça né galera?


Eu achei que fim de semana passado eu ia ficar presa na minha vilinha o tempo todo porque eu tinha que sossegar e parar de gastar um pouco, já estava preparando meu pijama e meu livro, mas Daniel, meu amigo de minha antiga escola, me lembrou que ele ia mudar para Åhus naquele fim de semana e eu tinha dito que iria ajudá-lo.


Dei a notícia para a minha mãe e ela disse:

-Eita! Quando que você tem paciência para isso aqui em casa ein? Eu que tenho que fazer tido sozinha! Quê que eu faco pra você ter essa vontade aqui menina?
E o pior é que é verdade, odeio arrumar, carregar e montar coisas, mas gosto demais do Daniel, ele fez tanto por mim quando eu era intercambista, sem contar que é sempre divertido passar tempo com ele. 
Aceitei o convite sem pensar, gastei mais algumas preciosas coroinhas dinamarquesas e encontrei com ele, Mathias e Lauge em Åhus. 

Foi uma noite, digamos, diferente, para se dizer o mínimo. Eu era a única menina entre os três garotões e segundo Daniel eu já era "one of the guys", não sei se isso é bom ou ruim ou até agora. Eles colocaram um heavy metal, começaram a beber cerveja e a martelar coisas, mais machão impossível né? E eu lá, toda mocinha no meio de tudo, tentando limpar as coisas e sofrendo para montar os móveis com minha força de formiga. Nem para cozinhar eu servi porque Lauge é mil vezes melhor que eu no fogão. Mas foi super divertido.


Montamos a mesa e as cadeiras, os meninos colocaram as luzes, e já era mais do que o suficiente para jantar e depois beber a noite toda. Daniel surgiu com uma cachaça Germana de mil anos atrás, de quando ele foi me visitar no Brasil, e eu fiz a festa. Jogamos uns jogos estranhos de tabuleiros e conversamos bastante.


Uma coisa curiosa que conversamos foi a diferença entre os meninos daqui e os do Brasil. Os meninos aqui não usam camiseta polo "mamãe tô forte" como alguns boys por ai, nem regata, só se forem "roqueirinhos" e ela for larga, não ligam muito para o corpo, cabelo, rosto, mas se preocupam com a roupa estilosa, tipo calça skinny e camisa social. Você nunca vai achar um dinamarquês bombado, no máximo em forma porque faz algum esporte, mas monstro de músculos não, eles são bem magrinhos. Eles são amigos de verdade e falam que se amam sem medo de parecer menos homem por isso, falam quando um homem é bonito de verdade, sem falar que é só "boa pinta". Eles são muito mais sensíveis, não falam baixarias sobre mulher e você pode sim dormir no mesmo quarto de um cara, ou até na mesma cama, que ele não vai tentar nada, eles respeitam as meninas e não tomam nenhum tipo de iniciativa sem antes perceber algum sinal dela. Um brasileiro cabeça fechada pode ler isso e falar "viadagem pura", mas isso nem passa pela cabeça deles, eles não duvidam da sexualidade de um cara assim.


Mas, em compensação, um cara que vai para a academia, usa camisa/camiseta colada, gosta de ter músculos, depila/raspa o peito, faz questão de mostrar o tanto que é pegador e se preocupa demais com a aparência das meninas, para eles, é gay enrustido, eles o chamam de "pretty boy".


Eu achei a coisa mais hilária do mundo como eles pensam diferente. Eu sempre achei que os dinamarqueses agiam da maneira que agem porque nem pensam se estão sendo femininos ou não, mas na verdade eles pensam sim, o que acontece é que os famosos playboys que são os afeminados no mundo deles, vai entender.


Não prefiro nem um nem outro. Do mesmo jeito que odeio homem machão que se acha pegador e se preocupa mais com o meu corpo e o dele do que eu, também não curto muito o jeito que alguns dinamarqueses se vestem, e nem é a coisa mais agrádavel do mundo ouvir certos elogios que os caras direcionam ao seus amigos, muito menos ver um selinho ou outro entre eles de brincadeira. Não dá pra juntas os dois não gente?


Anyways, vivendo e aprendendo né? Viajando e se assustando também.


Dormimos depois das 4 da manhã e acordamos às 10 porque os meninos tinham que terminar de montar as coisas, eu não porque estava com um mal humor do cão, sei lá porque... aliás, sei, mas não posso contar. 


Por volta de 14:00 tivemos que nos despedir de Daniel. Ele me deu um abraço rápido e pela primeira vez na minha história com a Dinamarca eu não fiquei com vontade de chorar por um despedida. Não porque não vou sentir saudades dele, vou e muita, mas porque tenho a certeza que logo o verei de novo e sei que nossa amizade vai continuar a mesma. Ele é do tipo de amigo que posso passar 5 anos sem vê-lo, mas quando eu o encontrar de novo ele vai estar do mesmo jeitinho, me sacudindo, me zoando sem parar e me protegendo ao mesmo tempo . 


Por fim eu, Mathias e Lauge pegamos a van de mudança e caímos na estrada, coisa mais estranha, mas foi divertido até. Chegando em Odense mais despedida, Lauge me deu um abraço carinhoso e apertado e disse "vi ses" como se fossemos encontrar logo no dia seguinte. Mathias me deu um abraço e um beijo amigo e disse que tinha sido ótimo passar esse tempo comigo. Saí a passos rápidos sem olhar para trés e fingindo que eles já não estavam mais ali, me convencendo que tinha acabado e pronto.


Ai que aperto no coração, ai como eu odeio me despedir das pessoas que amo. Eu devia ter pensado nisso antes de me meter nessa vida dupla, mas agora já era. Independente de onde eu estiver, vou estar sempre longe de muitas pessoas que amo, vou estar sempre com saudade de alguém que está muito longe. A vontade é de arrumar uma ilha e colocar todos os meus amigos e famílias, mas como isso não é possível, sigo assim, dizendo olá, dizendo adeus e sentindo saudades sem parar.