O terceiro último fim de semana

Agora sim, o último fim de semana se foi, que loucura!
Desde o início do intercâmbio que ando fissurada com essa data, meu último fim de semana na Dinamarca tinha que ser épico, como sempre foi, da primeira vez passei uma das noites mais loucas da minha vida no A-bar, fiz coisas que até hoje não tenho coragem de contar para as minhas amigas, e da segunda vez eu passei o meu último fim se semana não exatamente na Dinamarca, mas sim nos alpes da França, em Les Arcs, um dos lugares mais lindos que já vi na vida, esquiando com o meu namorado da época.

E dessa vez? O que eu poderia fazer? Estava super pobre e morando no meio do nada, mesmo, então sair iria envolver um dinheiro que eu não tinha e eu precisaria de arrumar algum jeito de voltar para casa, naquelas 5 km finais em que ônibus nenhum passa. A minha brilhante solução? Ficar em casa, a decisão mais de velho que já tomei na minha vida, mas foi o que aconteceu.

Sexta de noite fui com meus host parents para um restaurante muito charmosinho e comi até estourar. Conversamos muito e a medida que o tempo passava eu sentia mais e mais o quanto eu iria sentir saudades daquilo, que mesmo já estando acostumada a dizer adeus, já fiz isso 3 vezes, eles nunca deixarão de fazer falta na minha vida e nunca vai ser fácil me despedir da minha segunda família.

Sábado acordei cedo e fui para Odense com o meu host pai. Passamos pelos campos cobertos de neve, pelos chalezinhos antigos e por um castelo maravilhoso, coisas que você vê na Dinamarca mesmo. Fomos a um shopping que para eles aqui é um dos maiores da escandinávia, mas que para mim não é nem metade do BH Shopping, mas valeu a boa vontade. Comi cachorro quente, vi um desfile breguinha, passeei bastante e no fim encontrei com minha amiga Maya que iria passar o resto do fim de semana comigo.

Voltamos para casa, mostrei a nossa casinha que mais parece de bonecas pra ela, caminhamos pela praia, jantamos pizza de kebab e passamos o resto da noite assistindo Girls e tomando vinho direto da garrafa. Nada de glamour, mas tudo que eu adoro nessa vida.

Acordei antes da Maya e tomei café, li meu livro, tomei chá com minha família, depois mais leitura e depois tomei café de novo com a Maya, e ainda me pergunto porque estou engordando né? Passamos o dia em um ritmo muito relaxado, lendo, conversando, comendo...ela me ajudou a começar a minha mala, já que eu me recusava a aceitar que em 4 dias eu estaria de volta ao Brasil e se fosse para fazer sozinha eu ficaria por ali mesmo.

No fim da noite fomos deixar Maya na estacão e trem. Eu, como o bixo preguiça que sou, não quis tirar o pijama e, me convencendo que não sairia do carro, só coloquei minhas botas cumpridas e meu casaco e saí, de blusa rosa rasgada, calca xadrez larga e cabelo desgrenhado. Chegando na estacão resolvi levar a Maya até a plataforma e fui andando com ela por um bom tempo até que ela disse: Vamos tirar uma foto juntas?
Enquanto eu pensava na possibilidade resolvi olhar para baixo e finalmente percebi: NÃO! Eu tô de pijama!!
Entrei em pânico e comecei a perceber que todo mundo olhava para mim rindo sem parar. Claro que isso não impediu que ela tirasse a foto, mas eu dei um abraco rápido nela e sai correndo pro carro onde o meu host pai estava chorando de tanto rir: Ai Luiza, você deve ser a pessoa mais devagar que eu conheço!
Que honra ein!

Voltei para casa e meu host pai, claro, teve que contar a hostória toda para minha mãe que riu até ficar sem ar. Ela serviu o jantar delicioso, depois chá e bolinhos. Passamos o resto da noite empoleirados no sofá, vendo TV, rindo e tomando chá.

O meu último fim de semana na Dinamarca não foi super maluco, não foi épico, mas foi sem dúvida o mais doce de todos.

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