sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Afinal, o que você foi fazer em Israel? - Algumas histórias e reflexões



Sabe quando você volta de viagem e as pessoas te perguntam "e aí? Como foi?". A pergunta é tão
genérica e ampla que a gente só consegue responder "Foi ótimo!", e no caso da última viagem eu tenho respondido também "foi surpreendente", mas nada muito além disso, normalmente a pessoa não quer gastar muito tempo da vida dela pra ouvir mil histórias e está apenas sendo educada.
Acontece que existem aquelas pessoas que realmente querem saber e tem curiosidade para ouvir um pouco mais sobre Israel, um destino ainda pouco comum por aqui, e é para essas pessoas que eu resolvi escrever tudo que tenho vontade de falar quando me fazem a tal pergunta.

Como já contei, fomos para Israel para visitar uma amiga que havia se mudado para lá, completamente sem ideia do que nos esperaria. Eu particularmente não sabia absolutamente nada sobre o judaísmo e bem pouco sobre os conflitos que a terra prometida vive há séculos, então tudo teve um gostinho bom de descoberta a cada dia.

Descobri que os Judeus tem  muito mais costumes e tradições que qualquer religião que já tive o prazer de conhecer de perto. Eu já sabia das regras super restritivas para comer, mas vimos de perto como eles levam a sério o shabbat, o dia da semana em que além de não trabalhar, não dirigem carros, não usam telefone, alguns sequer acendem as luzes, aprendemos que os simbolismos são infinitos, desde as vestimentas até objetos pendurados por todo o corpo para lembrar de sua fé, que eles rezam com o corpo inteiro balançando para frente e para trás, que as comidas são maravilhosas e MUITO fartas, que por terem se espalhado por todo o mundo por tanto tempo a religião desenvolveu vertentes infinitas e bem diferentes entre si,  mas que todos elas valorizam (e muito) a comunidade judaica e suas tradições.

Pude perceber que tudo em Israel é uma mistura de diversas culturas, principalmente a comida, um pedacinho da cada canto do mundo. Você consegue ver claramente que há influências cristãs, muçulmanas, armênias e tantas outras que transformam o lugar em algo diferenciado, mesmo ainda não tendo encontrado a sua identidade própria como nação. Isso se deve ao fato de Israel ser uma nação tão jovem.
Muro das Lamentações


Aprendi que os conflitos são muito mais complexos do que parecem e que uma pequena minoria concorda com atitudes extremistas, e, apesar da sociedade estar claramente dividida entre judeus e muçulmanos, todos querem a paz.

Foi uma viagem de muita reflexão e aprendizado e confesso que fiquei me sentindo um pouco alienada por saber tão pouco sobre algo tão significativo que acontece no planeta que eu também estou inserida.

Além de suas peculiaridades e complexidades, Israel é um país realmente lindo e um prato cheio para viajantes de todos os tipos.

Temple Mountain
Jerusalém tem uma energia religiosa tão carregada que mesmo quem não acredita em nada consegue sentir que a atmosfera da cidade é, de fato, diferente de qualquer lugar do mundo. Principalmente em Old City, onde 4 culturas distintas dividem um pequeno espaço, cada uma com suas comidas, aromas, músicas e tradições, separas por apenas alguns passos umas das outras.
É emocionante entrar na Igreja do Santo Sepulcro e imaginar que ali, há milhares de anos, Jesus foi crucificado. É inacreditável ver o muro das lamentações e pensar que aquele pedacinho de parede foi a única coisa que resistiu às inúmeras guerras e diferentes dominações às quais Jerusalém se submeteu. É surreal perceber que o lugar mais sagrado pros judeus fica à poucos metros de um dos lugarem mais sagrados pros muçulmanos, o Temple Mountain. E é simplesmente imperdível subir o Monte das Oliveiras e ver o sol nascer, ver aquela cidade magnifica acordar.
Igreja do Santo Sepulcro
A região do Mar Morto e Massada oferece muito mais que um deserto. O ponto mais baixo da terra, a mais de 400m abaixo do nível do mar, tem águas oleosas (sim!) extremamente amargas e mortais, de maneira que nenhum ser vivo consegue sobreviver àquele ambiente hostil que é o mar morto. Qualquer machucadinho que você tiver no corpo eu te garanto que você vai sentir arder enquanto estiver flutuando sem o menor esforço por lá. O maior problema que tive é que eu simplesmente não suportei ficar muito tempo, o termômetro marcava nada menos que 50 GRAUS! A água parecia uma sopa e eu o macarrãozinho pronto pra derreter a qualquer momento, impossível. Claro que era alto verão, isso tem que ficar bem claro.
Ainda na região, existe a fortaleza de Massada, lugar de uma história realmente incrível e símbolo de resistência nacional. Fizemos a trilha da madrugada para ver o nascer do sol e eu garanto que não tem maneira melhor de aproveitar o passeio. A trilha em si não é leve, 40 minutos a 1 hora e meia de subida muito íngreme e, mais uma vez, com aquele calorzinho do deserto. Mas, pense numa coisa que vale a pena!! Ver a fortaleza se pintar de rosa e laranja enquanto o sol enorme desponta atrás do mar morto não é nada mal.







Haifa e Tibérias são cidades próximas ao Mar da Galileia, no norte do país. A primeira é de uma beleza e organização invejáveis e relevo bem interessante. A cidade é toda disposta em um morro enorme em formato de meia lua e lá em baixo você pode ver o mar maravilhoso de Israel. Já Tibérias é uma cidade típica de praia, bem tranquila e cheia das feirinhas (gostamos). A gente quis dar uma passada por lá pra entender como era a vida dos Israelenses fora dos ponto extremamente turísticos, e vou te contar, não me pareceu nada mal.



Por fim, Tel Aviv, ou "a bolha", como alguns gostam de chamar a cidade mais desenvolvida do Oriente Médio. Se tem um lugar que me senti bem à vontade em vestir meu biquíni e shortinho de brasileira foi lá. Tem gente de todos os tipos; ao lado de uma mulher nadando de burca, uma outra de cabelos azuis e piercing no umbigo toma uma cerveja. Nos falaram que 2 dias seriam mais que o suficiente para ver tudo em Tel Aviv, o que é verdade se você só se interessar por monumentos e passeios turísticos, mas acabamos esticando nossos dias por lá para curtir a praia maravilhosa. Atmosfera de Rio de Janeiro, estrutura de Europa e um azul do mar que só Israel tem. Além disso passear por Jaffa e seus inúmeros bares e mercados era uma diversão à parte. Tel Aviv definitivamente não dá pra ser definida em apenas algumas palavras.



O engraçado é que mesmo com tanta coisa diferente e bonita para se ver, os próprios nativos se espantavam quando a gente contava que 1-era brasileira 2-não era judia 3-não tinha ido lá por motivos religiosos. Eles ainda se surpreendem com a ideia de que Israel é, sim, um país muito interessante.

Claro que não podemos ignorar a tensão constante que o país vive, e nesse ponto acho que fomos até um pouco ingênuas porque sequer pensamos na possibilidade que havia algum risco por ali. Dois dias depois de sair de Jerusalém tivemos a notícia de um tiroteio com 3 mortes há poucos metros de onde era nosso hostel e quando estávamos dirigindo do mar morto para o norte entramos sem perceber no território da Cisjordânia, um lugar mais instável e que o nosso contrato de aluguel do carro não permitia percorrer, se acontecesse algo estaríamos desamparadas pelo seguro. Mas tivemos sorte e muita proteção divina, porque nada grave aconteceu.

Ah, e um último ponto importante para quem pensa em visitar Israel, no voo para sair do país vá com MUITAS horas de antecedência porque é treta certa e muita dor de cabeça. Nós chegamos 3 horas antes do voo e já foi um sufoco, o procedimento normal de segurança já muito é muito lento e se eles cismarem com a sua cara, o que aconteceu com a gente e muitas outras pessoas do nosso voo, você vai passar por diversas checagens extras de segurança muito demoradas, então fica a dica.

Essa foi uma experiência daquelas que ainda vou demorar um bom tempo para absorver tudo o que vi e vivi. Eu tenho, sim, as minhas opiniões e ressalvas em relação aos conflitos e com a maneira que Israel tem lidado com a situação, tenho refletido até sobre a pratica do judaísmo por lá, mas nunca irei deixar de admirar esse país, nunca deixarei de respeitar e reconhecer a magnitude da cultura.

Não há maneira melhor para se abrir a cabeça, e os olhos, para diferentes realidades do que viajar, e eu sou eternamente grata por essa oportunidade.


quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Roteiro: Marrocos, França, Israel e Jordânia


Voltando de mais um mochilão (alô, alô, graças a Deus), chegou a hora de passar tudo pro papel, ou pra tela do computador, a pedido de amigos. Foram poucos pedidos dessa vez, acho que esse destino ainda não está na lista de desejos da maioria das pessoas, mas eu ainda gosto de registrar tudo aqui para recorrer sempre que precisar.

Essa viagem, como boa parte das minhas viagens, não era esperada. Uma grande amiga da Ana tinha acabado de se mudar pra Israel e ela queria visitá-la. A Ana me convidou e não pensei duas vezes antes de aceitar.
Também como boa parte das minhas viagens eu tinha uma ideia de pra onde ir, mas não tinha a menor ideia de como chegar. O problema maior era que passagem para Israel não é exatamente a coisa mais simples de encontrar, as passagens por si só não são tão caras, mas taxas são inacreditáveis, de maneira que um voo do Brasil para Israel não saía por menos de R$ 5.000,00.
Comecei a procurar alternativas e achei uma boa passagem para Paris com uma escala ENORME no Marrocos, nada menos que 21 horas. A passagem de Paris para Tel Aviv não era das mais amigáveis, mas o total das passagens aéreas ficou por menos R$ 4.000,00, o que achei caro, mas era o melhor que podia fazer.
Decidimos incluir a Jordânia também já que eu sonhava em conhecer a tão famosa cidade de Petra e no fim das contas nosso roteiro final ficou assim:


04.07-Rio de Janeiro/Casablanca
05.07-Casablanca/Paris
06.07-Paris
07.07-Paris
08.07-Paris
09.07-Paris/Tel Aviv/Jerusalém
10.07-Jerusalém
11.07-Jerusalém/Aqaba (Jordânia)
12.07-Wadi Rum
13.07-Petra
14.07-Petra/Tel Aviv
15.07-Tel Aviv
16.07-Tel Aviv
17.07-Tel Aviv/Ein Bokek (mar morto)
18.07-Massada/Haifa/Tiberias
19.07-Tiberias/Tel Aviv
20.07-Tel Aviv/Paris
21.07-Paris/Casablanca
22.07-Casablanca/Rio de Janeiro

Na primeira parte do roteiro em Israel e na Jordânia fizemos os deslocamentos entre cidades por ônibus e taxi (as vezes ficava mais em conta do que ônibus), a partir do Mar Morto alugamos um carro por ser mais barato e mais rápido para chegar à todos os locais que queríamos.
No geral não foi uma viagem barata. Comparado com meus últimos destinos, Israel é um lugar caro. Os dormitórios compartilhados em hostels saíam de 50 a 70 NIS, os táxis começam a corrida com a bandeirada de 11 NIS e ônibus na cidade saia por volta de 6 NIS. Além disso alimentação também não sai super barato, é possível comer um falafel (sanduíche de pão árabe com bolinho de grão de bico) por 10 NIS amigos, mas caso você não queira comer a mesma coisa todos os dias, vai ter que desembolsar por volta de 30NIS por refeição, dividindo com o coleguinha ainda, e, o pior, cerveja long neck de 18 NIS pra cima! Lembrando que a moeda Israelense está quase na mesma cotação do Real. Pelo que nossas amigas nos contaram, está ocorrendo uma imigração em maça de jovens judeus para Israel, o que está aumentando os preços de maneira significativa.
A Jordânia também não é um mar de rosas porque atualmente a moeda deles (JD) está valendo mais que o Euro (!!!).
Nós conseguimos segurar a onda só andando a pé, dividindo pratos e fazendo programas de graça, compras nem pensar, mas no fim tudo deu certo e valeu cada centavo.
No final das contas nossa viagem saiu por volta de R$ 8.000,00, isso contando com passagens, hospedagem, visto da Jordânia, alimentação, aluguel do carro, gasolina, presentinhos...tudo MESMO.
Mas existe dinheiro mais bem gasto do que dinheiro gasto com viagem? Acho que não!

Dessa vez resolvi escrever só algumas histórias mais marcantes da viagem ao invés de contar tudo que fizemos em cada lugar. Essa viagem foi bem peculiar e bem incomum, mas simplesmente maravilhosa.
Seguem algumas histórias:

Sozinha em uma conexão longa em Casablanca
Afinal, o que você foi fazer em Israel? - Algumas histórias e reflexões
Notas Sobre a Jordânia


sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Sozinha em uma conexão longa em Casablanca-Marrocos




O que fazer quando você acha uma passagem com preço maravilhoso, mas com uma conexão de 12 horas em um país desconhecido? Aumenta essa conexão para 21 horas, claro!
Parece loucura, mas esse foi o caso quando comprei minha passagem pela Royal Air Maroc e eu simplesmente não perderia a oportunidade de conhecer um pedacinho do Marrocos que estava bem ali pra mim.

A empresa tem passagens com ótimos preços, mas com longas conexões e fornece transfer, acomodação e alimentação "de graça" para todos os passageiros com conexões superiores à 8 horas em Casablanca, o que deixa tudo muito mais simples. 
Cheguei em Casablanca tarde da noite e demorou algumas boas horas até descobrir como era o esquema das acomodações porque além de não falarem bem inglês no Marrocos, a empresa não deixa muito claro como tudo é feito, você tem que se virar sozinho para descobrir.
Demorei a entender que deveria passar por toda a imigração e sair do desembarque para depois subir no segundo andar onde encontraria a sala da Royal Air Maroc, onde me colocariam em um hotel.
Quando finalmente peguei meu voucher, era só sair do aeroporto e esperar a van que pararia ali mesmo na porta.

Nessa parte da viagem eu ainda estava sozinha, a Ana foi direto pra Paris e eu a encontraria lá. Já tinham me contado antes que os hotéis lotam sempre e que eu deveria achar um companheiro de quarto logo se não quisesse dormir com uma pessoa aleatória. Por sorte sempre tem brasileiro gente boa espalhado nesse mundo e logo me juntei a uma menina super tranquila que foi a melhor colega de quarto possível.

Chegamos no hotel, comemos e dormimos. A Fernanda, minha colega de quarto, iria pegar um voo logo pela manhã e eu meu era só tarde da noite. Eu ainda não sabia como iria para o centro da cidade pois o hotel era muito perto do aeroporto, que por sua vez era MUITO longe do centro da cidade. Perguntei na recepção do hotel como chegar ao centro e me disseram que eu poderia pagar 50 euros que um táxi me levaria ao centro. Não havia a menor chance de isso acontecer. Resolvi ir de uma vez para o aeroporto e de lá me decidir.

No aeroporto tem uma estação de trem e com muita dificuldade consegui entender que deveria ir até a estação Casa Port para visitar os locais que eu queria. Aproveitei o resto de wifi para baixar um mapa offline da estação até a Mesquita passando pela medina, peguei o trem e 1 hora depois estava no centro de Casablanca.

Aqui aproveito para responder a pergunta que mais me fazer quando falo que estava sozinha em um país muçulmano: é tranquilo para mulheres? Bom, não é Brasil né? Tive que ficar mais atenta, claro. Não há a menor necessidade de cobrir a cabeça na rua, e todos os nativos diziam que não precisamos preocupar com roupa, mas não tem necessidade de sair de shortinho por ai. Eu estava de calça jeans, com uma blusa de manga comprida que cobria até meus joelhos e lenço que cobria meu colo, melhor ser precavida e evitar desrespeitar qualquer pessoa. 
Mesmo vestida de maneira modesta, eu era claramente diferente e TODOS olhavam para mim. As mulheres ficavam muito confusas com a minha presença, uma chegou a me perguntar se eu estava perdida, e os homens faziam aquelas cantadas idiotas que já estamos acostumadas, nada diferente aí.
Tirando o fato de ser claramente diferente e de todos me mostrarem isso a todo momento, achei tranquilo demais estar sozinha por lá, bem diferente da Jordânia que contarei em outra ocasião.

Fui andando por 2km da estação até a Mesquita Hassan e passei pela Old Medina, o mercado antigo da cidade. Muitos aromas, muitas cores, muita música, era bem o que eu esperava do Marrocos, só de andar por ali já foi uma experiência e tanto.



Chegando à Hassan II senti o impacto do segundo maior templo religioso do mundo, era simplesmente gigantesca. A mesquita de Casablanca só perde em tamanho total para Mecca, mas a sua torre é a mais alta do mundo. A construção é cheia de detalhes e muito majestosa, a vista para o mar torna tudo ainda mais especial. Foi pintada de verde por ser a cor que os muçulmanos acreditam que represente a paz. Passei um bom tempo explorando o lugar, mas só pelo o lado de fora porque cheguei fora do horário de visitação.
Vai um Mc com pão árabe aí?
Certa hora estava sentada no chão tentando tirar umas fotos (desvantagens de se viajar sozinha) e um rapaz se aproximou de mim. Ele era do Togo e foi direto ao assunto: me achava bonita e queria me visitar no meu país para ficarmos juntos. Tomei um susto, mas tudo era tão novo pra mim que tentei não desesperar, falei que estava comprometida e foi o suficiente para ele não insistir.

Voltei para a estação de trem, comi um McArabia (sim! isso existe) e voltei para o aeroporto.
É bom ir com bastante antecedência pro aeroporto porque a segurança é reforçada por lá. Pra começar, tem raio x e verificação de passaporte logo na entrada do aeroporto, não é possível entrar no aeroporto sem um passaporte. Além disso a segurança e a imigração são mais rígidas que o normal e se um africano do sul do continente estiver na sua frente na fila pode atrasar todo o seu esquema porque eles revistam até as pálpebras dos pobres coitados.

Mais umas duas propostas de me visitar no Brasil depois, eu estava pronta para ir pra Paris logo.
"Ixi, lá vem um homi encher o saco"

terça-feira, 21 de março de 2017

Seis dias no Uruguai



Minha viagem pro Uruguai foi bem de improviso. Meus pais tinham acabado de viajar para passar duas semanas no país quando consegui uma semana de férias e resolvi ir também. O problema é que só poderia tirar essas férias depois de uma prova no dia 22 de janeiro, num domingo, mas como a comichão da viagem já vinha me pegando há tempos, resolvi me jogar, mesmo com pouco tempo pra viajar e com menos de duas semanas pra organizar tudo.
A ideia era partir logo depois da minha prova, ficar os primeiros dias com os meus pais e depois seguir viagem sozinha, já que eles voltariam para o Brasil no meio da semana.

Fiz a prova, arrumei a mochila e poucas horas depois, às 5 da manhã, estava saindo de Belo Horizonte rumo ao Uruguai.

Dia 01: Punta Ballena e Punta Del Este

Cheguei ao aeroporto de Montevidéu às 11 horas da manhã e meus pais estavam me esperando com o carro que tinham alugado. Alugar carro é uma boa pra quem viaja com mais gente pelo Uruguai, e já conto por que.
Fomos direto para Punta Ballena, uma cidade a apenas 15km de Punta del Este, onde está a famosa Casapueblo.
Difícil explicar o que é Casapueblo, é daqueles lugares que só indo pra entender o tanto que o lugar é especial. Aproveitamos o dia todo por lá, entre o restaurante, o café, a piscina e o museu do artista Carlos Páez Villaro. A atração mais incrível, na minha opinião, é o SHOW do pôr do sol que acontece todos os dias. Quase na hora do sol se pôr no Rio da Prata, dezenas de pessoas vão para as varandas da casa e começa a tocar um poema lindíssimo de Villaro. O poema é uma saudação ao sol e a energia do lugar é inexplicável. O sol se põe no exato momento em que o poema termina, uma experiência para nunca ser esquecida.


Dia 02: José Ignacio, Laguna de Rocha, La Paloma e La Pedrera

Nesse dia o carro foi de grande ajuda, apesar de ter como fazer todos os trajetos de ônibus, mas curtimos parar onde tínhamos vontade e sair por aí meio sem rumo.
Nossa ideia inicial era ir só à La Pedrera e, como não sabíamos como chegar, decidimos ir pela estrada da costa, acreditando que chegaríamos lá sem problemas.
Passamos por José Ignacio e visitamos seu charmoso farol, continuamos pela estrada costeira e depois de um bom tempo de viagem demos de cara com uma placa de fim da linha e uma lagoa GIGANTESCA na nossa frente. Sem querer chegamos à Laguna de Rocha, uma área de preservação ambiental muito linda.
Passamos um tempo por lá, mas como não era nosso destino final, voltamos à estrada. Ainda paramos em La Paloma para almoçar, onde visitamos uma praia muito linda
Por fim, depois de muitas paradas, chegamos a La Pedrera. Praias lindas, com formações rochosas imponentes que dão nome ao lugar, mas com o mar GELADO. Passamos o resto do dia lá e retornamos a Punta de Este no final do dia.


Dia 03: Punta Del Este

Finalmente fomos conhecer Punta Del Este de verdade. A ideia era ir direto para o monumento Los Dedos e curtir uma praia, mas depois de várias fotos na atração turística principal da cidade foi impossível curtir o segundo programa.
Vou ser bem sincera, não amei as praias de Punta Del Este. Não sei se fomos aos lugares errados, mas achei meio sujo, sem graça, com MUITO vento e o mar muito gelado. As praias que conhecemos no dia anterior nem se comparavam ao que estávamos vendo naquele dia. Desistimos da praia e fomos comer uma Parrilla no restaurante beira mar maravilhoso El Secreto. Foram quase três horas de almoço!
De noite fomos ao famoso restaurante Lo de Tere onde comi um peixe espada sensacional e curtimos nossa última noite juntos.


Dia 04: Colonia Del Sacramento

Logo pela manhã me despedi de minha família e peguei um ônibus rumo a Colônia Del Sacramento. Não existem ônibus direto, é preciso fazer uma parada em Montevidéu, mas foi muito tranquilo.
Chegando no meu destino final fui direto ao hostel El Viajero. Esse hostel tem várias unidades pela América do Sul e recomendo muito. Aproveitei o resto do dia para passear pela cidade histórica e comer um Chivito sin Pan, prato mais tradicional do Uruguai.

Dia 05: Colônia Del Sacramento

Acordei bem cedo pra comprar minha passagem para Montevidéu e fui correr na avenida costeira, ou Rambla. A maioria das pessoas conhece Colônia apenas pela cidade histórica, mas é uma cidade muito linda e agradável. A Rambla é enorme e segue a costa do Rio da Prata com várias pequenas praias, onde pude dar um mergulho delicioso. O mar do Uruguai é simplesmente impossível de nadar, odeio água gelada, mas no Rio é super agradável.
Passei a manhã na “praia” e de tarde voltei ao centro histórico, ainda tinha muita fofura pra ser vista por lá.


Dia 06: Montevidéu
Também me hospedei em uma unidade do El Viajero e conheci alguns brasileiros que me levaram para passear.
Fomos ao mirante do Intendencia, passeamos pela praça principal, fomos ao Teatros Solis, a Ciudadela e comemos uma bela Parilla no Mercado Viejo.
Muita gente gosta de pegar o ônibus de turismo para ver todos os pontos turísticos, e caso seu interesse seja apenas monumentos e pontos mais famosos, você não precisará de mais que um dia para conhecer a cidade. Mas caso seja como eu, que gosta de caminhar, ver cada loja, sentar em praças, entrar em mercados desconhecidos, visitar ruas anônimas e se perder por aí, não falta o que fazer na cidade. Eu mesma sequer conheci Pocitos, lugar bem famoso da cidade, mas não tive tempo.
Terminamos a noite com cachorro quente e música ao vivo, tudo no nosso maravilhoso hostel.


Dia 07: Montevidéu

De novo resolvi sair pra correr na Rambla, dessa vez muito maior e mais movimentada que a de Colonia. A ideia era correr e depois conhecer os pontos turísticos que não conheci, inclusive a Feira de Tristan, famosa feira de antiguidades que acontece no domingo, mas não deu, me apaixonei pelo lugar e não consegui mais sair.
As pessoas, os patinadores de asfalto, o rio, os cachorrinhos, o sorvete de alfajor, as “praias”, tudo era motivo para ficar um pouco mais, avançar alguns quilômetros mais, até que me assustei, havia passado o dia inteirinho ali e meu tempo no Uruguai havia terminado. Tudo bem, mais um motivo para voltar.