sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Sozinha em uma conexão longa em Casablanca-Marrocos




O que fazer quando você acha uma passagem com preço maravilhoso, mas com uma conexão de 12 horas em um país desconhecido? Aumenta essa conexão para 21 horas, claro!
Parece loucura, mas esse foi o caso quando comprei minha passagem pela Royal Air Maroc e eu simplesmente não perderia a oportunidade de conhecer um pedacinho do Marrocos que estava bem ali pra mim.

A empresa tem passagens com ótimos preços, mas com longas conexões e fornece transfer, acomodação e alimentação "de graça" para todos os passageiros com conexões superiores à 8 horas em Casablanca, o que deixa tudo muito mais simples. 
Cheguei em Casablanca tarde da noite e demorou algumas boas horas até descobrir como era o esquema das acomodações porque além de não falarem bem inglês no Marrocos, a empresa não deixa muito claro como tudo é feito, você tem que se virar sozinho para descobrir.
Demorei a entender que deveria passar por toda a imigração e sair do desembarque para depois subir no segundo andar onde encontraria a sala da Royal Air Maroc, onde me colocariam em um hotel.
Quando finalmente peguei meu voucher, era só sair do aeroporto e esperar a van que pararia ali mesmo na porta.

Nessa parte da viagem eu ainda estava sozinha, a Ana foi direto pra Paris e eu a encontraria lá. Já tinham me contado antes que os hotéis lotam sempre e que eu deveria achar um companheiro de quarto logo se não quisesse dormir com uma pessoa aleatória. Por sorte sempre tem brasileiro gente boa espalhado nesse mundo e logo me juntei a uma menina super tranquila que foi a melhor colega de quarto possível.

Chegamos no hotel, comemos e dormimos. A Fernanda, minha colega de quarto, iria pegar um voo logo pela manhã e eu meu era só tarde da noite. Eu ainda não sabia como iria para o centro da cidade pois o hotel era muito perto do aeroporto, que por sua vez era MUITO longe do centro da cidade. Perguntei na recepção do hotel como chegar ao centro e me disseram que eu poderia pagar 50 euros que um táxi me levaria ao centro. Não havia a menor chance de isso acontecer. Resolvi ir de uma vez para o aeroporto e de lá me decidir.

No aeroporto tem uma estação de trem e com muita dificuldade consegui entender que deveria ir até a estação Casa Port para visitar os locais que eu queria. Aproveitei o resto de wifi para baixar um mapa offline da estação até a Mesquita passando pela medina, peguei o trem e 1 hora depois estava no centro de Casablanca.

Aqui aproveito para responder a pergunta que mais me fazer quando falo que estava sozinha em um país muçulmano: é tranquilo para mulheres? Bom, não é Brasil né? Tive que ficar mais atenta, claro. Não há a menor necessidade de cobrir a cabeça na rua, e todos os nativos diziam que não precisamos preocupar com roupa, mas não tem necessidade de sair de shortinho por ai. Eu estava de calça jeans, com uma blusa de manga comprida que cobria até meus joelhos e lenço que cobria meu colo, melhor ser precavida e evitar desrespeitar qualquer pessoa. 
Mesmo vestida de maneira modesta, eu era claramente diferente e TODOS olhavam para mim. As mulheres ficavam muito confusas com a minha presença, uma chegou a me perguntar se eu estava perdida, e os homens faziam aquelas cantadas idiotas que já estamos acostumadas, nada diferente aí.
Tirando o fato de ser claramente diferente e de todos me mostrarem isso a todo momento, achei tranquilo demais estar sozinha por lá, bem diferente da Jordânia que contarei em outra ocasião.

Fui andando por 2km da estação até a Mesquita Hassan e passei pela Old Medina, o mercado antigo da cidade. Muitos aromas, muitas cores, muita música, era bem o que eu esperava do Marrocos, só de andar por ali já foi uma experiência e tanto.



Chegando à Hassan II senti o impacto do segundo maior templo religioso do mundo, era simplesmente gigantesca. A mesquita de Casablanca só perde em tamanho total para Mecca, mas a sua torre é a mais alta do mundo. A construção é cheia de detalhes e muito majestosa, a vista para o mar torna tudo ainda mais especial. Foi pintada de verde por ser a cor que os muçulmanos acreditam que represente a paz. Passei um bom tempo explorando o lugar, mas só pelo o lado de fora porque cheguei fora do horário de visitação.
Vai um Mc com pão árabe aí?
Certa hora estava sentada no chão tentando tirar umas fotos (desvantagens de se viajar sozinha) e um rapaz se aproximou de mim. Ele era do Togo e foi direto ao assunto: me achava bonita e queria me visitar no meu país para ficarmos juntos. Tomei um susto, mas tudo era tão novo pra mim que tentei não desesperar, falei que estava comprometida e foi o suficiente para ele não insistir.

Voltei para a estação de trem, comi um McArabia (sim! isso existe) e voltei para o aeroporto.
É bom ir com bastante antecedência pro aeroporto porque a segurança é reforçada por lá. Pra começar, tem raio x e verificação de passaporte logo na entrada do aeroporto, não é possível entrar no aeroporto sem um passaporte. Além disso a segurança e a imigração são mais rígidas que o normal e se um africano do sul do continente estiver na sua frente na fila pode atrasar todo o seu esquema porque eles revistam até as pálpebras dos pobres coitados.

Mais umas duas propostas de me visitar no Brasil depois, eu estava pronta para ir pra Paris logo.
"Ixi, lá vem um homi encher o saco"

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