Loucura em Londres


Quinta feira passada:
-Oi mamãe! Tudo bem?
-Oi Luiza, o que foi?
-Nossa, tem mais de uma semana que não nos falamos e você me trata assim?
-Anda minha filha, tô trabalhando!
-Tá! É só pra avisar que esse semana eu vou estar meio incomunicável...é que eu vou pra Londres...
-O QUE? É sério isso Luiza? Não acredito que você vai fazer uma coisa dessa! Você nunca me escuta! Você é muito sem juízo! Você...
-Também te amo mommy, até segunda.
Minha mochila inseparável e euzinha, ainda inteira

E assim, como se fosse uma viagem para a cidade ao lado, eu fui para Londres, ou pelo menos decidi que iria, porque o caminho Copenhage/Londres se mostrou muito mais difícil do que eu imaginava.

Na sexta feira fui com a Lú para o aeroporto e assim que chegamos lá recebemos a notícia de que todos os voos da British Airways estavam cancelados. Muito babado, confusão e gritaria depois, conseguimos um hotel mara (beijos, Hilton) e um voo para a manhã seguinte. Acordamos às 4 da manhã e partimos.

The Houses of Parliament e Big Ben
Eu já tinha ido há londres no ano passado, passei uma semana lá e vi bastante coisa, mas dessa vez eu estava com uma bailarina e não com um jogador de futebol, como da outra vez. No lugar de ir para o estádio do Arsenal, fomos para a Royal Academy of Dance e no lugar de assistir rugby em um Pub cheio de homens, assistimos Onegin no Royal Opera House com nada mais nada menos que o Royal Ballet e Alina Cojocaru. Foi um sonho realizado! O teatro é maravilhoso e tudo é arte pura. Casa LOTADA, com gente de todas as idades e estilos, estava tão cheia que os únicos 2 lugares livres eram em pé, o que não nos impediu de ver o ballet, claro. Foi a coisa mais linda e emocionante que já vi na vida. Eu já assisti o Kirov, o Bolshoi, Ballet nacional de cuba e até o próprio Royal Ballet, mas nunca assim, nunca naquele lugar em que eu sempre via nos DVD's, com as cadeirinhas vermelhas, a orquestra, a cortina gigantesca e os bailarinos maravilhosos. Meu coração assistiu a tudo em capotes e nem percebi que ficara quase 3 horas de pé. 

No domingo acordamos cedinho com a ideia de aproveitar o nosso último dia ao máximo. Saí já com a minha mochila nas costas para não precisar perder tempo voltando no hotel.

Frio na fila
Fomos ao Parlamento, ao Big Ben, Tower of London, Tower Brigde...Enfim, tudo bem turistão e tranquilo. O bixo começou a pegar quando resolvemos ir para a Londo Eye, aquela super roda gigante de Londres. Da última vez que fui a Londres ela estava parada e a Lú queria ir de qualquer jeito, então animei enfrentar a fila. E que fila...Eu odeio esperar, mas odeio mais ainda esperar debaixo de neve com chuva, no frio sem fim, com a mochila nas costas e as meias mais molhadas que o Thames River (isso que dá não ter bota própria para a neve). O que pareceu uma eternidade depois, finalmente conseguimos entrar na London Eye.

Eu não aguentava mais o frio nos pés e, farofeira como sempre, tirei as botas e troquei as meias, alí mesmo, no meio de mais um tanto de turistas, mas não antes sem colocar um plástico para me proteger das próximas poças super gelatas. Sinto muito gente, mas tentem andar com o pé ensopado em um frio de 2 graus nagativos e vocês me entenderão! A volta na roda gigante foi muito bacana e realmente é algo que deve ser feito em Londres, mas nada que eu faria mais de uma vez em minha vida.

London Eye
Depois fomos à Oxford Street fazer compras,mas não aguentamos muito e resolvi que já era hora de ir para o aeroporto, Luiza voltou para o hotel, ela só iria embora no dia seguinte. 

Depois de uma pequena luta para ordenhar 20 librazinhas do meu cartão problemático, finalmente consegui pegar um trem para o aeroporto, mas tive a capacidade de descer no terminal errado, o problema é que o aeroporto Heathrow é gigantesco e não dava para simplesmente andar até o terminal 5, eu teria que pegar um ônibus.

Consegui chegar no terminale fiz o check in, não sei bem que anjinho da guarda que fez isso, mas acabei caindo na primeira classe e poderia aproveitar do lounge executivo da British Airways.

Eu, sempre comprando as passagens mais baratinhas, nunca tinha visto a área VIP do aeroporto e fui correndo dar uma olhada no tal Louge. Não acreditei quando vi. Era um lugar enorme com um monte de computadores, TVs, Video Games, almofadas em um canto, um bar enoooorme como todos os tipos de bebida finas que você pode imaginar em outro, uma super maquina de cafés, chás, chocolate quente e tudo mais e bem no meio um buffet super rico com saladas, massas, sandwiches, queijos, pães, bebidas e muuuuitos vinhos. Eu fiquei até meio receosa de aproveitar tudo, meio jeca da minha parte, mas não acreditava que TUDO aquilo era "de graça". Não conseguia acreditar na minha sorte e relaxei achando, ingenuamente, que os meus problemas estavam no fim, mas não foi bem assim.


Esperei um tempo ali e fui pra sala de embarque, fiquei quase uma hora esperando a chamada do voo, até que finalmente ouço a voz no microfone, mas ao invés do convite para o embarque o que ouvi foi: Boa noite senhoras e senhores, a aeronave já está em solo e os comissários estão à postos para o voo, mas não temos pilotos disponíveis para o momento e não sabemos quando teremos.


Como assim? Isso existe? Sem previsão de partida? Dei a notícia para os meus Host pais e logo veio a mensagem "acho que você terá que dormir em Copenhagen hoje, não tem mais trens para Fyn essa noite" Maaaaaravilha ein!


Fiquei revoltada! Voltei para o louge e comi/bebi tudo que podia e ainda roubei altas batatinhas e cookies, como se eu estivesse dando uma lição na fanfarrona da British Airways que me deixara na mão pela segunda vez em um mesmo fim de semana. A medida que as horas passaram a raiva se transformou em desespero, primeiro porque eu não sabia onde dormir aquela noite e segundo por ter que trabalhar bem cedo no dia seguinte e terceiro por estar tão cansada. Chorei feito um neném, sozinha, sem rumo, sem lugar para dormir, sem dinheiro, com frio e num país em que ninguém falava a minha língua.

Derrotada

Conversei com alguns amigos pela internet e eles me acalmaram, Daniel, meu antigo colega de sala, disse que eu poderia dormir na casa dele e eu me acalmei mais um pouco, mas me acalmei de vez quando percebi que o desespero só ia piorar a minha situação, que eu não podia fazer mais nada e que a única coisa que eu tinha pra fazer ela relaxar e esperar.

O voo finalmente saiu e eu finalmente cheguei à Copenhague, com 5 horas de atraso. Já eram 3 da manhã e como eu teria que pegar o trem às 5:30 do dia seguinte resolvi tirar um cochilo nos bancos do aeroporto mesmo. 

Acordei toda amassada, lavei o rosto, peguei o trem e parti para mais um dia de trabalho, como se nada tivesse acontecido.

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