Mochilão pela América do Sul- O começo



Eis que, depois de tanto tempo sem passar por aqui, achando que esse espaço ia existir apenas como depósito de memórias, aqui estou eu! Mas dessa vez por utilidade pública ok? (e porque eu gosto de escrever também, mas é segredo). Acontece que acabo de voltar do meu primeiro mochilão e desde que voltei tenho recebido milhões de perguntas sobre a viagem, algumas pessoas pediram, inclusive, o roteiro inteiro que fizemos, portanto, como acho que todo mundo deveria embarcar numa aventura dessas pelo menos uma vez na vida, vou contar tudo que rolou e colocar umas dicas pra quem quer fazer as malas logo. (Ao final de tudo vou fazer um resumo de hostels, gastos e outras coisas práticas).

Tudo começou em julho do ano passado, quando eu estava planejando um mini intercâmbio pra Índia. Eu vi que a passagem estava passando de 5.000 reais e logo percebi que meu salário modesto de estagiária não me levaria tão longe. O sonho de ir pra Índia afundou, mas logo a Fernandinha, minha amiga de faculdade, veio com a ideia de fazer um mochilão pela América do Sul e com a promessa animadora de ser bem barato. Pronto! Topei na hora. Eu já sabia que queria ir ao Peru e achamos um roteirinho bem tradicional, quase batido, mas que seria perfeito pra mochileiras inexperientes como nós: Bolívia, Peru e Chile. Algumas semanas depois, uma outra colega nossa, Ana Flávia (vulgo Fafá), chamou Fernandinha para uma viagem pelo Peru e ao ficar sabendo dos nosso planos se jogou de cabeça na ideia.

Conseguimos planejar toda a viagem em menos de 5 meses, o que nos custou passagens aéreas mais caras, e no dia 21 de dezembro de 2014 partimos com um frio na barriga sem nem ideia do que nos esperaria. 

Dia 1- 21/12/2014: Maratona de aeroportos

Como compramos as passagens bem em cima da hora, tentamos fazer de tudo pra deixa-las mais baratas, o que acabou não adiantando muito. Fomos de Belo Horizonte para Congonhas/SP bem cedo e tivemos que pegar um ônibus até Guarulhos (estávamos de TAM e o transfer era de graça, primeira economia da viagem!!).

Dormindo no aeroporto
Como somos bobonas e medrosas e não sabíamos quanto tempo levaria de um aeroporto ao outro, compramos os vôos com doze horas (!!!!!) de intervalo entre eles. Grande erro, todo o processo entre os aeroportos demorou no máximo duas horas, isso contando pegar malas, esperar uma hora pro ônibus chegar e trajeto, que é de apenas meia hora. Enfim, vivendo e aprendendo. Passamos mais de 10 horas presas em Guarulhos e posso dizer que quebramos tudo. Sabe essas crianças que ficam com energia acumulada por ficarem o dia todo presas no apartamento? Nós estávamos exatamente assim, fazendo corrida de carrinho, comendo bobagem, dançando por ai...Pelo menos deu tempo de comprar a passagem de avião de Santa Cruz pra La paz, não queríamos ir de ônibus porque nos disseram que as estradas eram mortais, só recomendo comprar com antecedência e com muitas horas de intervalo entre vôos, a Bolívia não é tão simples como o trajeto Congonhas-Guarulhos, logo saberão porque.

Finalmente o voo saiu, mas se você pensa que nossa espera acabou, está enganadíssimo. Dez horas e meia de espera em Assunção estavam pela frente, só que dessa vez teríamos que passar a noite. Estávamos com muito medo disso, mas fomos para o segundo andar e vimos que não tinha absolutamente NADA lá, só um grupo de mochileiros dormindo. Fizemos nosso puxadinho e boa noite! Claro que não foi nenhum Spa, acordávamos toda hora com medo de estarem nos roubando ou algo assim, mas nada aconteceu.

Dia 2- 22/12: Finalmente, Bolívia!

La Paz
O voo até Santa Cruz foi tranquilo, mas a imigração foi uma loucura, que lerdeza meeeeu deus! E pra nada! Nem olharam meu cartão de vacinação que me deu tanto trabalho conseguir. Quando finalmente passamos da imigração veio a surpresa: a receita federal de lá estava fazendo vista grossa. A gente tinha que passar por um portão e apertar um botão, se desse verde poderíamos passar, se desse vermelho toda nossa bagagem seria revistada. A maioria estava saindo vermelho, o que fazia o processo ser ainda demorado. Fernandinha passou: Verde, ufa! Fafá passou: Verde, viva! Minha vez: vermelho, CLARO! Tive minha mala toda revistada e o oficial ficou especialmente intrigado pelos potes de chicletes que eu levava (cada um com seu vício),

Nosso tempo entre vôos era de apenas 2 horas e essa ladainha nos tomou mais de uma hora. Saímos feito loucas pelo aeroporto, equilibrando nossas mochilas gigantes e tentando não matar ninguém pelo caminho, isso tudo pra chegar no check in da Boa airlines e encontrá-lo coalhado de gente em uma fila que não saía do lugar. Graças a papai do céu a à Boa incompetente o nosso voo para La Paz estava incrivelmente atrasado, e ainda esperamos muito na sala de embarque. O aeroporto era um caos e uma de nós três teve a sorte de sentar em uma poltrona que estava molhada de xixi (claro que fui eu).

Chegamos em La Paz e percebemos que éramos três antas pantaneiras que conseguiram gastar quase 48 horas para ir a um país da América do Sul, mas o que pegou mesmo foi a tal da altitude. La Paz está a 3.660 metros acima do nível do mar, pra você ter uma ideia do que é isso, BH está a 852 metros de altitude e o ponto mais alto do Brasil está a 2.994 metros, ou seja, La Paz é alto pra burro. Eu sinceramente achei que era balela essa história de sentir mal na altitude, mas assim que pisamos na cidade senti uma enorme dificuldade de respirar, a cabeça parecia mais leve e a mochila parecia mais pesada. Ficamos até mais caladas nos primeiros momentos. Trocamos dinheiro e fomos comer, só aí melhorei um pouco.

A ideia era pegar uma van até nosso hostel, mas fomos avisadas que as vans não iriam até lá, por sorte um motorista super fofo, Hugo, disse que nos levaria por um preço bem camarada e a van seria só nossa.

A primeira chola paceña da viagem
Pelo caminho a surpresa: La Paz era inacreditável! É literalmente um buraco com MUITAS casas, mas muitas mesmo, e a maior parte delas não tem reboco. Segundo Fernandinha, e ela não parava de falar isso, é porque parece que eles pagam menos imposto assim, já que a casa não é considerada por inteiro. Enfim, além desse mar de casas da mesma cor, ainda tinha uma montanha maravilhosa ao fundo branquinha de neve. Um cenário impensável!

Outra surpresa foi encontrar cholas por todos os lugares logo de cara. As cholas são mulheres que se vestem de maneira bem tradicional, conservando suas tradições indígenas. Logo percebemos que cada região tem sua cholita, e as de La Paz são bem características. Saias cheias de babados até os pés, sapatinhos, chale por cima da blusa, tranças e chapéu coco. Eu achava que elas se vestiam para turistas, mas não, elas vivem assim! Se vocês estiver passando pelas estradas da Bolívia e observar as pequenas fazendas, verão as cholas com suas vestimentas coloridas trabalhando no pasto.

A vista do nosso Hostel
Chegamos mortas no nosso hostel, Loki, e ainda tivemos que esperar duas horas pro quarto ficar pronto. Quando finalmente entramos no quarto a ideia era tomar um banho, tirar um cochilo e ir pro bar do hostel. Tomei meu banho, coloquei meu relógio pra despertar às 22:00...e acordei às 8:00 da manhã seguinte.

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