O final de semana que fiquei ainda mais só

Já na quinta percebi que o que estava por vir não seria um final de semana normal.
Meu plano original era: ir para Oure na sexta com Anna da minha sala, dormir por lá e talvez ficar na escola no sábado ou simplesmente ir pra casa ficar com a família da minha host mãe que logo chegaria. Mas recebi a notícia de que um amigo meu iria ser mandado de volta pra Colômbia e embarcaria naquele domingo. Muito em cima da hora para programar qualquer viagem e sem contar que eu não estou com dinheiro para esses pulos pela Dinamarca, mas ele insistiu tanto, disse que queria muito me encontrar pela última vez e que era só eu ir para ilha dele que ele dava um jeito de me ver. Decidi ir. Não só pelo carinho enorme que tenho por ele, mas percebi que nunca mais iria vê-lo na minha vida e isso é muito forte. "Imagine Luiza! Você poderia facilmente fazer uma visita pra ele!" Não é tão fácil quanto parece e no inrtercâmbio percebemos que tudo é passageiro e que quando voltarmos aos nossos países cada um vai recomeçar sua vida e logo logo já não teremos ligação alguma. Só alguns poucos irão nos cativar a ponto de nos encontrarmos mais uma vez, e eu espero que ele seja um desses poucos e bons que continuem em minha vida, por isso iria fazer um esforço para ao menos dizer o quanto iria sentir sua falta.
Sexta coloquei algumas poucas roupas na mochila, fui ao banco verificar a situação das minhas estripulias e encontrei com Anna.
Ela está passando por uma época bem difícil e precisava de uma animada e nada melhor que compras! Por um momento aquela garota tão durona que curte preto, cerveja, cigarros e rock e carregava problemas que você nem imagina, se mostrou uma garota qualquer, que gostava de fazer compras, de fofocar sobre garotos, de se sentir bonita e que só precisava de carinho. Naquele momento ela me pareceu feliz e leve, mas foi só colocarmos os pés na escola que de alguma maneira tudo veio à tona mais uma vez e ela se afogou em lágrimas, cigarro e cerveja.
Eu já estava me vendo no buraco que tinha me enfiado. Quase ninguém da minha sala tinha ficado na escola naquele final de semana, só ela, daí ficaria o resto da noite com uma amiga bebada escornada pelos cantos e chorando por problemas que eu não conseguiria resolver.
Em um momento ela foi fumar e simplesmente fugiu me deixando só na sala e TV. Ótimo, exatamente a noite que eu queria não é? Por sorte um garoto mais velho do Højskole veio conversar comigo e depois de um tempo ele disse que iria para uma sala de música com uns amigos e me chamou para ir também. Fui e fiquei impressionada como bebados de pura vodka polonesa conseguiam fazer uma música tão boa no improviso. O menino que conversava comigo mandava muito bem na bateria e fiquei pirando com a música que eles estavam fazendo. Uma colega minha apareceu tresloucada de tão bebada por lá e me mandou tomar cuidado com o garoto por ele estava afim de mim, mas já aprendi a aproveitar as situações com pessoas que estão afim de mim como oportunidade de diversão sem dar a menor chance da pessoa te beijar. É que os europeus tem muito menos atitude que os latinos e é muito fácil evitar uma investida.
Mais tarde fui pro café onde estava estava Benjamin, acho que já disse que tinha um menino indo fazer intercâmbio pelo Rotary não é? Mas a parte mais legal vocês não sabem: ele está indo pro Brasil!!! Logo que ele me viu ele me chamou para conversar. Conversamos até o café fechar e depois fomos para o quarto dele... Já estou até vendo o pulo que meu pai vai dar se ler isso, mas calma, as coisas aqui são muito diferentes, eu posso muito bem ir para o quato de um menino e ficar apenas conversando, como o que aconteceu. Coversamos sobre tudo. Fiquei um pouco chocada com algumas coisas que ele falou, a primeira coisa é que ele achava que eu estava tendo alguma coisa com Daniel porque vamos juntos pra formatura e Daniel tinha vindo na minha casa no final de semana passada... detalhe importante: eu não comentei com ninguém nenhuma dessas duas histórias, não sei como isso se espalhou. Ele disse que queria ir comigo pra formatura mas Daniel me chamou primeiro. Mas o que mais me chocou foi que ele disse que contaram pra ele que eu beijei um menino chamado Andreas, da minha sala, na festa de natal de Oure...eu só dancei com ele!!! E não foi nada de mais! Dancei como danço com qualquer um e nem foi por tanto tempo...achei muito estranho porque dancei com outras pessoas naquela festa e nem converso muito com Andreas. Viu gente? Fofoca tem em todo lugar!! CHOQUEI!
Ficamos conversando até umas 4:30 da manhã e só saí de lá porque minha amiga bebada veio me chamar para tomar um chá, se não só Deus sabe quando sairia de lá.
Conversei um pouco mais com ela e fui dormir depois das 5 da manhã.
No dia seguinte peguei o trem pra cidade do Sebastian, meu amigo que iria voltar pra casa. Cheguei na estação e lá estava ele com uma cara de dar dó, uma mistura de tristeza e susto, afinal, até alguns dias atrás ele achava que ficaria mais 5 meses na Dinamarca! Fiquei um tempo com ele, ele tentava ao máximo fugir do assunto da volta e me disse "só me faça esquecer esse pesadelo por um momento"
Depois tive que pegr o trem para Copenhagen, onde iria dormir na casa da Maria. A despedida final foi rápida e fria. Eu não tinha caído na real que nunca mais veria aquela pessoa, que no próximo encontro de intercambistas ele não estaria lá, que aquela era a última vez que veria uma pessoa que de certa forma fazia parte de uma época incrível da minha vida. A ficha só caiu qando já estava na casa da Maria, mas já era tarde de mais, eu não consegui dizer tudo o que gostaria.
De noite fomos para casa da Mayara passar a noite e eu acabei fazendo uma besteira. Eu estava muito abalada com a partida do Sebastian e me sentindo meio sozinha e principalmente carente, dai acabei falando umas coisas pra um amiga que não tinham necessidade alguma de serem ditas. Era uma coisa que eu sentia, mas devia ter guardado só pra mim. Agora esse amigo está muito estranho comigo, frio, quase com medo de falar comigo de novo, estou me sentindo mal, deveria aprender a fechar essa minha bocona ide menina insegura :(
No dia seguinte passeamos um pouco e voltei para casa.
Agora? EStou doente, sentidno que essa semana vai ser uma droga...

Comentários

Erica Ferro disse…
Em relação ao Sebastian, sempre fica algo por dizer, ainda mais em momentos tão emocionantes assim.

E a semana será boa, só depende de você.

Beijo.
Teresa disse…
Muito tempo que não deixo um comentário aqui, mas sempre leio tudo que você escreve... so que nas férias não ando tendo mt tempo pra comentar...

Doente de que? Ve se melhora, meu bem.
to com vc sempre, e morrendo de saudaaade.. mesmo!
Ana Seerig disse…
A vida é feita de chegadas e partidas.

O piór é que às vezes a gente nem tem oportunidade de dar tchau, as pessoas simplesmente somem do nosso dia-a-dia do mesmo modo que elas simplesmente apareceram.

Tomara que você e o Sebastian se reencontrem.

Bom, tu não é a única que falou mais do que devia, acho que todo mundo já fez isso num momento de melancolia, achando que ia desabafar e melhorar, o problema é que na maioria das vezes não funciona assim, e o nosso desabafo acaba sendo algo ridiculo e que de alguma forma prejudica a nossa relação com quem nos ouviu.

Certo, ignore isso, não tem sentido.

Tomara que tudo se acerte logo!